Todo santo dia

Também eu sei falar de coisas tristes,

De tudo de ruim que me aconteceu,

Das dores que me perseguiram inclementes,

Das saudades absurdas que me gelaram o peito,

Das vozes que, delirante, fingi que ouvi,

Das noites em claro e da sensação de quase morte,

Dos fins de tarde que pareciam o fim do mundo,

Do Apocalipse que comia e regurgitava minhas vísceras.

Ninguém por perto.

Medo diserto.

Respirar funesto.

Desenredo decerto.

Até que me dei conta

De que nunca me eximi,

Ou mesmo tentei fugir,

Das catástrofes que a mim –

E em mim –

Cabiam:

Tentar esquecer

Era, pois, a forma mais dissimulada

De me lembrar,

Todo santo dia,

De tudo que ainda me habitava

E de tudo que já me foi tudo um dia.

Teutonic Terror – Accept

Esta banda alemã está lá nas raízes (1976) do desenvolvimento do Heavy Metal europeu.

A música é de 2010. E ainda assim, é receita perfeito de Heavy Metal totalmente raiz. Até a letra é sobre batalhas medievais, incluindo monstros e tal. Simplesmente perfeita! Músicas deste tipo é que me fizeram o apaixonado que sou por som pesado. 🙂

“We will give’em the axe!”

Baiuca

Entrego-me a teus carinhos de sempre,

Que hoje me tocam como nunca.

Deixa-me repousar em teu ventre,

Com teus dedos em minha nuca.

Livra-me do mal que me espreita,

Cuja dor parece que não caduca.

Rogo tão só a tua presença,

Para que eu não me afogue em alguma reles baiuca.

O que é História?

“História não é decorar que Hitler matou 6 milhões de judeus. História é entender como milhões de alemães comuns foram convencidos de que isto era necessário.

História é aprender a identificar os sinais de uma história se repetindo.” – Autor desconhecido (se você souber quem é, me avise)

Invariavelmente

E no final,

O rastilho falhou.

Dizem que foi obra

De Nosso Senhor

E disso eu não duvido.

Nada explodiu,

Ninguém morreu –

Doeu, mas já passou –

Que fim tudo levou?

Eu não sei

E só quando sei

É que digo.

Talvez haja explicação –

Talvez não –

Mas se esta existe,

Não está de bem comigo.

Vou ser mesmo é trovador

E falar por aí do amor,

Daqueles que ninguém

Nunca sentiu

Ou nem mesmo falou,

E que toda noite,

Invariavelmente,

Dorme comigo

E serve-me de abrigo.

Hermético

A arte não pode ser silenciada,

Porque o amor urge e grita,

E a vida,

Tão passageira e efêmera

Quanto parece ser,

Está sempre em chamas.

O que eu nego que me aconteça,

Ainda assim não deixa de me acontecer.

E o que eu sinto –

E que só eu sei que verdadeiramente sinto,

Quer seja por anos ou instantes –

Está além de censura

E de toda e qualquer opinião.

Eu existo.

Parece-me o bastante.

Resta me tudo, então:

Apenas viver.