Definitivamente

Nem tudo foi como eu esperava.

Nem tudo foi como eu sentia que seria.

Nem tudo foi;

Muita coisa ficou.

 

Mas aquela esperança que eu tinha,

Que hoje acredito ser só minha,

Aos poucos vai se enfraquecendo,

Dissipando-se na ausência repetida,

No silêncio descomedido,

Na falta de razão ou sentido

E ainda assim,

Aparentemente decidida.

 

Mas eu aprendi a respeitar,

Pois nunca amei só por amar.

Era algo maior que eu…

E não era só por mim,

E só faz sentido se for assim.

 

Tudo foi por nós.

 

Tudo.

Tudo.

Tudo.

 

Sei e sinto que ainda somos,

Mas o que eu posso fazer agora

Além de desejar que você esteja feliz?

 

Eu não tenho a chave da porta

Que você fechou por dentro.

E mesmo que a tivesse,

Por nós ela só se abrirá realmente

Se você definitivamente abri-la.

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Manteiga

Eu não perdi nada te amando,

E quero que isso fique claro.

 

Não há choro ou velas,

Porque ninguém morreu.

É que de amor não se morre:

De amor se vive.

 

Percebe a sutil diferença?

Amor é aquela risada

Carregada de sacanagem

Que só a gente consegue entender.

É o olhar e dizer:

É ali que queremos

E é ali que chegaremos.

 

Não pelos outros,

Tudo por você,

Por mim,

Por nós.

Porque no mundo estamos a sós

Bombardeados por olhares

De quem nossos sapatos não calça.

 

Porra!

O mundo não quer saber

Se vamos conseguir ou não!

A lenda é nossa,

A história é nossa.

Era para a gente escrever o livro

E depois, só depois,

Pedir perdão!

 

A quem,

Eu juro que não sei.

Desde quando se pede desculpas

Por viver justo o que não é em vão?

 

E é assim,

Puro coração,

O dia-a-dia de quem ama.

Não, não há ilusão.

A resposta vem do útero do coração.

Essa coisa não se importa

Se a gente acredita ou não!

Essa coisa é

E o tempo todo diz.

 

Eu não perdi nada te amando.

Pelo contrário.

Acabei me reencontrando.

Te vi e me vi tão perfeitos,

Alma na alma,

Peito no peito,

Feito propaganda de margarina,

Mas só que nós somos pura, saudável,

E francesa manteiga.

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Muitíssimo

Estou em busca de coisas brutas.

Sentimentos brutos, melhor dizendo,

Daqueles que não são processados ou raciocinados,

Daqueles sobre os quais não se tem domínio,

Daqueles que carecem de razão,

Daqueles que são porque são,

E isso é o que neles basta.

 

Quero o sorriso que não se consiga conter.

Quero gargalhadas agudas,

Daquelas que fazem cuspir farofa.

Quero lágrimas de tanto rir,

E rir de sentir dor na barriga.

E quero me lembrar disso depois,

E recontar a história ou o “causo”

Só para rir mais ainda.

 

Quero o toque que fique,

E que fique com o cheiro do meu perfume.

Quero tocar e ficar com outro perfume,

Só para criar um terceiro perfume

Que surge quando os outros dois se misturam.

Quero chamar esse cheiro de “nosso”,

E achar que é este mesmo cheiro que sinto

Quando passo em frente a uma perfumaria.

 

Eu quero lembrar,

E lembrar para sempre.

Eu quero que cada segundo seja único,

E quero repeti-lo sempre,

E tentando repeti-lo,

Criar outros tantos segundos únicos.

Quero que tudo seja inesquecível,

Guardado com carinho e orgulho,

Para não ser contado para quase ninguém.

 

Haverá desentendimentos –

Eu sei –

Porque sempre haverá a necessidade de entender.

Haverá dias ruins, ruins demais,

E que irão passar,

Pois tudo que for ruim irá passar

Para dar lugar a tudo que for bom.

 

Eu não quero muito.

Eu quero o mínimo necessário que me baste.

Mas eu sou muito…

E acabo querendo muito, sim.

Muito…

Sempre muito,

Na certeza de que tudo é e pode ser muitíssimo.

Abundance-mindset

O Tamanho das Pessoas – Martha Medeiros

Li esse texto faz muito tempo, mas ele me veio como uma lembrança forte no final de semana que passou.

Eu só acrescento um pequeno detalhe (talvez desnecessário e redundante diante da grandeza do texto): nós escolhemos o tamanho que tivemos, temos e teremos na vida dos outros. É uma decisão consciente.

Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

Obviedades são bem-vindas

Não me diga

Que eu não disse

O que foi dito

Tantas vezes.

 

Nem sempre com palavras,

Porque atitudes são mais explícitas:

Quem quer ficar, fica;

Quem quer comer, come;

Quem quer viver, vive;

E quem quer ser, é;

É tudo uma questão de querer.

 

E eu era tão óbvio…

Nas palavras e nas atitudes.

Eu as repetia,

Dia e noite, noite e dia,

Feito desfazer e arrumar a cama.

 

E hoje,

Depois de tanto dizer e agir –

E obviamente cansado, confesso –

Quero ser ainda mais óbvio:

Da vida espero obviedades também.

obvio-ou-obvio-ou-obivio-ou-obivio

B.Y.O.B. – System Of A Down – Drum Cover by Kevan Roy

Definição de loucura atualizada com sucesso! A música é um ABSURDO! Muda de um speed/punk metal para música dançante. Surreal!

“Everybody’s going to the party, have a real good time
Dancing in the desert, blowing up the sunshine”

Fora isso, que kit de bateria! Babei!

Flores

E talvez no excesso das ausências,

No efusivo e efetivo calhar dos bares,

É que se escondam os amores,

De hoje e de ontem,

Que não viraram flores.

 

Porque flores,

Como amores,

Precisam de regadores,

E eu bem sei que te fiz florecer

Todos os dias.