Voto impresso. Por quê?

A grande maioria dos brasileiros utiliza cartões de crédito e débito para fazer suas compras. Alguém opera a máquina leitora de cartões de crédito, o cliente insere o cartão, verifica o valor, e só então digita a sua senha. E para terminar o processo, ainda é impresso um comprovante da compra, onde é possível ver o valor e outras informações.

Por que isso é feito? Para dar transparência ao processo. Não significa necessariamente que se não fosse feito, haveria fraudes. Entretanto, são vários mecanismos como o que você tem (cartão de crédito) e o que você sabe (senha), além do comprovante da compra, que dão lisura ao processo. Em alguns casos, até o que você é (quando pedem o seu RG) é utilizado. E você pode, com uma simples consulta na web, verificar o extrato do seu cartão e coisas do tipo. E ainda assim há fraudes, não é mesmo?

Então, por que a presidente Dilma decidiu vetar o voto impresso?

“A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei da Reforma Eleitoral (13.165/2015) vetando algumas propostas – uma delas é a obrigatoriedade de imprimir os votos da urna eletrônica.

O voto continuaria a ser feito pela urna eletrônica, mas seria impresso um recibo que ficaria em uma urna física lacrada – o eleitor não levaria um comprovante para casa, nem mesmo teria acesso ao papel impresso, assim evitando compra de voto.

Com isso, a Justiça Eleitoral poderia comparar os votos da urna eletrônica e da urna física, em caso de suspeita de fraude, para identificar diferenças entre ambas. Seria muito mais difícil corromper dois meios de votação – impresso e eletrônico – do que um só.”

A justificativa?

“Mas, segundo o Estadão, os ministérios do Planejamento e da Justiça se opuseram à medida, dizendo que o custo seria alto demais: “a medida geraria um impacto aproximado de R$ 1,8 bilhão entre o investimento necessário para a aquisição de equipamentos e as despesas de custeio das eleições”.

E para piorar um pouco as coisas…

“O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também se opôs, e vem afirmando ao longo dos anos que a urna eletrônica é 100% segura. Isso é questionado por especialistas em segurança, no entanto.”

Fonte: http://gizmodo.uol.com.br/voto-impresso-vetado/

Eu vou começar pelo final. Qualquer profissional da área de Tecnologia da Informação ou de Segurança da Informação sabe que não há sistema 100% seguro. Simplesmente não há. O que há são processos, tecnologias e equipamentos que tornam um determinado sistema mais ou menos seguro, sem contar com a capacitação dos recursos humanos que fazem a implementação desses mecanismos de segurança.

Entenderam onde eu quero chegar? Ainda não? Então, vejam esse link.

http://oglobo.globo.com/brasil/tse-nao-fara-teste-publico-das-urnas-eletronicas-antes-das-eleicoes-12715187

De acordo com a lógica do TSE, temos que confiar que as urnas eletrônicas são seguras porque o TSE diz que elas são seguras. Ponto. Tão simples quanto isso. Fazendo uma analogia, é o mesmo que uma S.A. (sociedade anônima) publicar o seu balanço sem que ele seja devidamente auditado, o que é obrigatório.

Esse é o ponto que as pessoas, por algum motivo, antestesiadas talvez, insistem em não ver. Quem foi o ministro do STF que foi “eleito” para presidir o TSE por dois anos? Dias Toffoli! Aquele que provou todo seu “notório saber jurídico” por ser ex-advogado de Lula e do PT.

Estão ficando mais claras as coisas? Pois bem. Vamos continuar.

Talvez as urnas sejam 100% seguras. Talvez sejam. Entretanto, os resultados das urnas individuais são enviados para um sistema totalizador, que se encarrega de divulgar os resultados. Então, ainda que as urnas sejam 100% seguras, quem garante que o sistema totalizador o é? Quem garante que não é justamente na hora de somar os votos que a fraude ocorre? Afinal de contas, se o voto é secreto, você é agente passivo desse processo. Votou, mas não faz a menor idéia de para onde foi o seu voto. Tudo que você tem é a palavra do TSE dizendo que é tudo 100% seguro.

A ÚNICA MANEIRA de garantir que a lisura do processo eleitoral é através da impressão dos votos. As urnas e o sistema totalizador poderiam servir de indicador do resultado das eleições, que só seria oficialmente confirmado após a contagem manual dos votos.

Não concordou? Tudo bem. Cada um pode pensar como quiser. Eu vejo essa decisão da presidente Dilma como uma confissão de que o nosso processo eleitoral é uma grande fraude, e eu diria isso independentemente de quem fosse o vencedor do pleito. Sem a contagem física dos votos, não há como confiar no resultado. Não há legitimidade no resultado. Isso é tão simples e óbvio que chega a incomodar. Ficamos todos burros? Perdemos o juízo?

Enfim… Hoje, talvez seja o seu partido/candidato vencendo por conta das fraudes. Amanhã, talvez seja um partido/candidato que você abomina vencendo por conta das fraudes. Isso não é democracia. Democracia é, acima de tudo, transparência. Já vivemos de fato e de direito uma ditadura.

urna-eletronica-1

5 pensamentos sobre “Voto impresso. Por quê?

  1. Concordo com sua posição, não existe sistema infalível, mas sim oportunista, e quem ganha nesse caso, é quem pode pagar mais, porque tanta corrupção no nosso pais, porque é fácil de ser feita, simples como acreditar na palavra do TSE que as urnas são seguras, hahahaha conta outra né

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