Sob o Mar

Autoral das antigas. 🙂

Sob o Mar

Procurei por muito tempo um cais,
Onde eu pudesse largar meu barco,
Depois de tempestades inenarráveis,
Depois de tempestades inimagináveis,
Reais, sobretudo, dentro de mim.

O mar da vida me afogava em seus braços,
E ainda assim, apesar do meu cansaço,
Conseguia nadar, respirar, vomitar,
Só para ver novamente os olhos de cemitério
Com que me olhavam, rasgavam, ruminavam.

Novamente sim! Era essa a rotina.
Perdoar, crescer, transcender, elucidar, clarear,
Para me ver gemer, granir, gritar, ejacular de dor.
Dor, meu maior prazer era a dor.
Que ser humano pode viver se não tiver prazer?

E as ondas do mar me lavavam, me levavam,
Me consumiam, cada dia mais, sempre mais.
Os dias eram paredes de água, onde viviam dragões lendários,
Queria ser um peixe, para viver protegido em um aquário,
De água ácida, minhas lágrimas, meu pó de mim.

Minhas cinzas, então, se diluíam nessas águas turbulentas.
Vida ainda possuíam, apesar do frio cinza de seus corpos.
Já se afogaram, morreram, ressuscitaram, reencarnaram.
Intensamente são bravas, inquebráveis, etéreas, afáveis.
Miragem! Vejo uma ilha vindo para perto de mim.

Chegou, colou os cacos, juntou os pedaços,
Queimou as cinzas, transformou-as em algo desejável.
Tirou do abismo, revelou meu maior, total e único tesouro:
Sou ouro, sou raro, sou muito, sou feliz, sou louco.
Ilha, onde andavas? Tanto tempo passei sem ti.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s