Até breve!

Relativizo o teu não

E entendo-o como sim

Não se trata do que deu-se em mim

Mas do que aconteceu aí…

Dentro do teu coração

 

Se falta ar a teu pulmão

Que respires fundo…

Bem fundo…

E que de uma vez por todas

Acordes para o mundo

 

Chega de dolorosas

E desnecessárias

Despedidas

Até breve!

Pode ser assim?

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Marcelo, o 171

Meu celular do trabalho toca por volta das 08h30…

– Por favor, eu gostaria de falar com o Marcelo?

– Sinto muito, mas o Marcelo morreu.

– Lamentamos muito. O senhor não quer pagar a dívida dele para honrar a sua memória?

– Eu? Marcelo era um grande FDP! Ladrão safado! Vivia bebendo, jogando… Era um tremendo 171, e a maior prova disso é que vocês ligam para essa porra de telefone faz 5 anos procurando por esse corno, e mesmo eu já tendo dito que eu não o conheço, vocês insistem! VÃO TOMAR NO…

A ligação cai.

171

Incrustrado na memória

E eu escrevo

Escrevo

Escrevo

Escrevo

Escrevo

Não paro

 

De fato, não consigo

Não é que eu queira

O poema é meu amigo

Serve-me como alívio e castigo

 

É que dentro de mim cresce tanto

No riso e no pranto

Na alegria e no desencanto

Que eu simplesmente preciso

Para continuar vivo

De alguém ou algo que me escute

Que simplesmente me escute

Sem entender ou perguntar os motivos

 

É tudo, é muito

Está nos cheiros

Nos gostos

Nas coisas mais comuns

Nas mais complexas

Quem dera os motivos fossem

Apenas alguns

Mas são infinitos

Aflitos

Desde os mais vulgares

Aos mais eruditos

 

Não se trata só do que aconteceu

É o agora e o futuro

É o que não vivemos

O que não temos

O que fingimos que não temos

É o que sonhamos

É o que queremos

 

Lembro-me não só do que fizemos

Mas do que não fizemos também

E as lembranças que não ocorreram –

Que existem, porém –

São o cerne dos nossos assuntos

É que mesmo quando estamos distantes

De fato estamos estamos

Sempre

Realmente juntos

 

Será possível escrever nossa história

Em 211 poemas ou 711 prosas?

Não foram só doces momentos

Há todo tipo de sentimento

E sinto-te aqui, agora

É assim todo o tempo, ora!

E em nossas risadas

Para lá de animadas

Sequer diferencio

O futuro de outrora!

 

Não há folhas suficientes para isso

Não é possível tudo isso escrever

Ainda estou na superfície

De tudo que fomos, somos e podemos ser

 

Não vou nem tentar, então

Que seja um livro aberto

Páginas desordenadas

Rabiscadas

E em branco

Que não saem da memória

 

Idéias soltas

Idéia fixa

Feitiço

Duelo

Outono

Silêncio

Ato

Intensidade

Realidade nossa

Fica comigo

Tua

Confissão

Brinde

 

Sim… Tudo isso tem nexo

E nós sabemos disso.

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Matando a saudade

Faça lua ou faça sol

Faça inverno ou verão

Por azar ou por sorte

Na luz ou na escuridão

Ela está lá…

Do amor, litisconsorte

Ouças-me bem, saudade:

Uma hora dessas

Estrangulo-te até a morte!

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Não sou invisível – II

E não é que a fé em Deus se renova em si mesma! E lá estava eu, me matando na academia, e surge um bem-te-vi do nada (moro em uma “selva de concreto”), pousa a cerca de 3 metros de mim, canta “bem-te-vi”, e vai-se embora? É bem possível que não fosse o mesmo bem-te-vi, mas a mensagem era a mesma: “Continuo aqui e continuo te vendo. Você nunca será invisível.” Coisas de Deus!

AGORA BABOU

Há um bem-te-vi me acordando faz uma semana

Dou um sorriso, e de alguma forma eu sinto

Deus me olhando e dizendo:

“Sim, eu estou aqui e estou te vendo. Você não é invisível.”

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Não sou invisível

Há um bem-te-vi me acordando faz uma semana

Dou um sorriso, e de alguma forma eu sinto

Deus me olhando e dizendo:

“Sim, eu estou aqui e estou te vendo. Você não é invisível.”

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