Mil folhas

Todos os sabores

Desfolho-te

Defloro-te

Folha por folha

Feito livro

Que eu já li e reli

Que reescrevi

 

E até o que é repetido

É sempre novo –

Faz sentido! –

Sempre percebo um detalhe

Um gosto diferente

Uma textura diferente

Que só eu sei onde encontrar

Que só eu sei fazer

 

E tendo dito e vivido isso

E com a mesma fome

Que sempre tenho de ti

Faz sentido chamar-te

De mil folhas

Da mais fina pâtisserie

E eu, sem falsa modéstia

Sou teu premiado pâtissier

Que te recheia como quiser

Como e onde eu escolha

Pois és minha obra-prima

E eu devoro-te folha por folha.

Casa-do-Alemão-_-Mil-Folhas

Estupro

Três posts meus sobre o assunto no Facebook.

Post 1
Sou a favor da remoção do porte de piroca dos estupradores (se é que vocês me entendem).

Post 2
A minha “cultura do estupro” é bem simples: como ter uma ereção no meio de uma porrada de gente? Como compartilhar uma mulher drogada, desacordada? Como fazer algo onde outros 32 estão fazendo? Como fazer algo não consentido? Como sentir prazer vendo uma pessoa sentir dor, se o verdadeiro prazer é ver o outro sentir prazer? Como não ligar para a mulher no dia seguinte? Como não trata-la como uma mulher? Acho que sofro de algum tipo de distúrbio ou disfunção sexual.

Post 3
Falamos de um estupro coletivo que veio a tona. Choca. Agride. Não podemos deixar passar em branco. Óbvio! Mas… Quantas mulheres, nesse momento, guardam dentro de si estupros, agressões, abusos e humilhações de todos os tipos, porque não foram filmadas, expostas, ou porque não tiveram a coragem de passar pela “humilhação” de serem vítimas? NÃO é NÃO! Se existe uma “cultura do estupro”, esta se traduz no mais absoluto silêncio e até mesmo na omissão de parentes, amigos e autoridades competentes.

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Fecha a conta!

Se há uma cor que nos representa?

Vermelha

 

É sangue

É amor

É paixão

É comichão

 

Sim…

Comi no chão

Comeria onde fosse

Como fosse

Quando fosse

O importante são

Os sabores

Os temperos

Os destemperos

Os exageros

A cor vermelha

Que você me trouxe

 

Bem ou mal passada?

Ao ponto

Vermelha

Para escorrer em mim

Me inundar de prazer

E deixa-la ruborizada

Vermelha

Envergonhada

Da sua explosão

Da nossa depravação

Do puro prazer

 

Não se trata de

Querer ou não querer

Estou com fome

Quero comer você

 

Fecha a conta, garçom!

Ou seremos presos

Por mostrar de verdade

O que é sobre a mesa

 

Vermelha

Nossa cor é

Sempre vermelha

Nossos corações

No ponto

Banquete indecente

Eu e você.

carne-ao-ponto

 

 

 

A seu lado

Nem em uma vida inteira

Serei capaz de contar

Todos os detalhes

De um segundo vivido

A seu lado

 

Eu me lembro bem

O tempo parava…

 

Pena que o tempo

Não parava

De verdade

Só nós éramos

De verdade

Só nós somos

De verdade

Só nós

A verdade

 

Hoje

Sinto falta do tempo

Que eu não senti

Que passou

Quando eu estava

A seu lado

 

Que o tempo

Devolva-se

E devolva-me

E devolva-te

E devolva-nos:

Esse tempo é nosso.

hamburguer-madero

 

Nas sombras

Era o sujeito

A protagonista

Tornou-se penumbra

Distorcida

Mas ainda assim penumbra

E com o passar do dias

Ao apagar das luzes

Sob os aplausos

Do medo e da culpa

Tornar-se-á sombra

 

E talvez assim

Nas sombras

Das sombras

Consiga ressurgir

Renascer

 

Se eu a verei?

Não sei

Talvez eu me lembre

Do que eu via

Do que eu ardentemente

E eternamente sentia

Talvez, algum dia…

Só o tempo vai dizer.

sombra

 

Ministério da Cultura

Tenho acompanhado a discussão sobre a extinção ou não do Ministério da Cultura, e tenho visto os diálogos muito polarizados. De um lado, uns acusando o Temer de ser um vendido. De outro, pessoas dizendo que o tal ministério é essencial. Já antecipo que acho a existência desse ministério uma aberração, e posso facilmente explicar o porquê.

O que é cultura? “Todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade” – Edward B. Tylor. Então, a cultura nada mais é do que o resultado da vida em sociedade, e pode variar de país para país, de região para região, bastando que para isso entendamos a sua definição.

Então, se a cultura é um resultado do processo e não o processo em si, para que o Ministério da Cultura? Para quem conhece Antonio Gramsci, a resposta é fácil. É através desse tal ministério que podem se reformar e/ou destruir todos os valores de nossa sociedade, de maneira que “novos valores” possam surgir. Para que falar de Machado de Assis, se podemos promover a “peça” chamada “Macaquinhos”? Para que investir em livros para a população carente, se podemos financiar a “Gorda do Dendê”?

Não subestimem a intenção desse ministério. O seu objetivo durante os 13 anos de PT foi promover uma “revolução cultural” no pior sentido da palavra, destruindo a nossa cultura e engendrando valores que facilitem a implantação de uma “república bolivariana”. Afinal de contas, uma sociedade dividida, é uma sociedade completamente indefesa. Exagero? Explique, então, por que a discussão sobre sexualidade se sobrepõe a discussão sobre a situação econômica do país? Faz sentido? Absolutamente nenhum!

E sim, são criminosos os atores que se valem dessa necessidade do governo para mamarem nas tetas fartas do estado. Nunca precisamos e nunca precisaremos da tutela do estado para desenvolver a nossa cultura. E sim, para deixar claro: EU TENHO PRECONCEITO CONTRA A PEÇA “MACAQUINHOS” E A “GORDA DO DENDÊ”. Não, não fazem parte de nossa cultura. E que não me venham dizer que preconceito é uma coisa ruim, porque a grande maioria dos que falam em preconceito querem substituir simplesmente o preconceito A pelo preconceito B. Para maiores detalhes, “Em Defesa do Preconceito”, de Theodore Dalrymple.

Espero que todos tenham preconceitos (são necessários) e entendam as implicações políticas e sociais do tal Ministério da Cultura. Como eu disse antes, a própria idéia do estado querer tutelar a cultura já é um absurdo por si só.

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Eu e Você

Pois é… Já tive uma banda de rock. Tenho pouco material dessa época, e o pouco que tenho é de qualidade duvidosa. De qualquer maneira, segue algo que achei sem nenhum tipo de overdub, gravado direto do mixer em uma fita cassete! Foi em Santa Maria Madalena/RJ, em 1991 ou 1992, durante uma madrugada da vida. Infelizmente, a guitarra do Zequinha não foi gravada ou estava muito baixa no mixer. Tudo que parecer com uma guitarra na música sou eu fazendo. 🙂

Banda: Ave Rara

Música: Eu e Você, de Lucas e Paulinho Peixuxa

Vocais: Sandro

Baixo: Fabio Almeida de Lemos (Fabinho)

Bateria e Backing Vocals: Marcos Antonio Assumpção (Granamyr)

Guitarra: José Marques Junior (Zequinha)

Guitarra: Fabio Ottolini

Dêem um desconto, tá? Rs.

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