Estrela

Cai do céu

E deita aqui comigo

Vem aqui iluminar

Livra-me do perigo

 

Esquenta-me já

Coração nu a esperar

Por uma chance

De bater sem descompassar

 

A qualquer hora

Em qualquer lugar

O que fazer

Além do esperar?

 

Eu não sei

Como ir buscar

O que preciso

Para me acalentar

 

Estrela, seu sei

Precisa brilhar

E eu só quero

Sentir e ser o seu cintilar.

estrela-cadente

Martírio

As horas avançam

E a necessidade encrustrada desperta

E revela planos

Tramóias e enganos

Verdades incompletas

Que não escondem

A porta que deixas aberta

Em teu peito

Durante a noite

Onde me escondo

Deliciosas descobertas

 

E no teu sussurro desconexo

No teu gemido que sai rouco

Nas marcas que deixas em meu corpo

No teu vigor que me deixa louco

Entrego-me

Renego-me

Nossa unicidade plena

Não é doxa ou paradoxa

É teorema

 

E nessas sessões de tortura consensual

Reciprocidade arreganhada

Desavergonhada

Toques e retoques

Tudo pleonasticamente abissal

Fazemos-nos homem e mulher

E que seja feito o que o universo quiser

Desse fogo que nos rasga

Nos assa e amassa

Enquanto nos comemos à colher

 

E a manhã que chega úmida

Fronhas e lençóis

Que escorrem

E que nos fazem lembrar

Que não há melhor prazer na vida

Que por a roupa de cama para lavar.

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Efeito borboleta

Ouvi aquela música

Coloquei aquele perfume

Senti aquele cheiro

Fui naquele restaurante

Pedi aquela comida

Senti aquele gosto

Tomei aquele café

Vi aquele filme

Tomei aquele banho

Usei aquele sabonete

Folheei aquele livro

Pensei naquele assunto

Dormi daquele jeito

Sonhei aquele sonho

Sim…

Você sabe do que estou falando

Estava comigo para todos os efeitos

A saudade me faz replicar de longe

Todos os nossos cotidianos e banais feitos

Eu confesso! Eu confesso!

Meu maior e mais grave defeito

É deseja-la rotineiramente

No futuro do pretérito do presente perfeito

Nua…

Totalmente nua…

Batendo asas no meu leito.

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Quase me perco de mim

E me encontro

Quando te encontro

Em cada desejo

No safado gracejo

Que só a você faz rir

 

É automático

Sintomático

Intergalático

Nunca burocrático

O sorriso que brota

E que vai de porta em porta

Querendo se mostrar

Querendo fazer o mundo sorrir

 

É contagiante

Grande feito um elefante

Raro como diamante

Droga super alucinante

Que descobrimos juntos

E para qual não há antagonista

Que vicia e conquista

E faz parar o tempo

Nos nossos momentos

Atemporalmente únicos

 

Únicos…

 

Únicos…

 

Há temporais únicos.

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Antinomia

Razão versus coração?

 

Eu digo que não!

afinando

Antinomia é o nome de uma tia que se dizia muito racional, e que chegou aos 80 anos dizendo que sempre soube que morreria infeliz. E pouco antes de morrer,  arrependida e com a alma dorida (mas com o ego intacto), disse: “Viram? Eu tinha razão! De nada me fizeram falta as coisas do coração!”

 

Não seja como minha tia. Não chame de antinomia as contradições aparentes ou alguma espécie de medo onipresente que é usado como desculpa consciente para evitar que você seja ou se torne feliz felizmente.

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