Só um café?

Há dias em que adio

E tenho medo…

E ainda assim

Mais do que desejo

Sabes que tenho fé

 

E se não for só um café?

E se forem ruídos

E gemidos

Corpos ardentes

Despidos

Chama que me chama

Almas que se encontram

Que fazem sentido?

 

Insisto!

 

E se não for só um café?

E se for tiramisu

Lambido sobre seu corpo nu?

Diante de seus olhos e cabelos

Os motivos de todos

Os meus infinitos desesperos

E se também for doce

O que transborda do seu corpo

E me lambuza como se fosse –

Como de fato é –

O melhor que a vida já me trouxe?

 

Desisto!

 

Que não seja só um café!

Que seja como Deus quiser

Que no meio do espresso

Seja por nós dois expresso

O inconfesso

O incontroverso

Nosso direito de ter

E de ser

Nosso próprio

E incontido

Universo

 

Almas unidas por um café

Amor

Paixão

Ou simplesmente

Naturalmente

E absurdamente

Vulgar sexo.

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Vida

Sempre achei que a vida fosse

O oposto da morte

 

Não a vejo mais assim

 

A vida é apenas o que antecede

E como não sabemos

O que a sucede

Melhor aproveitar como der

Como vier

Vivendo de forma incerta

Na certeza inabalável da

Morte.

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Morte

Deixo-te como herança

O meu sorriso

Ei-lo como na chegada

Este da despedida

 

O coração?

Não te preocupes

Apesar de não estar bem

Já há disgnóstico:

Ausência total de toda sorte

Também conhecida como

Morte.

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Unhas vermelhas

Seriam só unhas

Se não fossem tuas

Tais navalhas divinais

Sobrenaturais

Surreais

Animais

 

Das tuas garras sou presa

Prato principal e sobremesa

De banquete que nunca acaba

De onde sempre se espera

E se quer mais

Sempre muito

Muito além do mais

 

Tal cor é conveniente

Pois é também da cor

Vermelha

E não por acaso se assemelha

À cor do sangue

Que jorra aos borbotões

Enquanto repousamos na cama

Nossos frenéticos

Pulsantes

Ululantes

Urrantes

Alucinantes

Corações

 

Unhas vermelhas

Eram só unhas

Mas como são tuas

Tinham que ser vermelhas

Pois tu bem sabes

Que do amor sou daltônico

Não vejo perigo

Só paixão e devassidão

Seria eu anacrônico?

nails

Imperfeitamente perfeito

Diga-me quem és

Porque bem sei quem sou

Tenho todos os defeitos típicos

De quem se apaixonou

 

Não há sentimento de sua parte

Essa parte eu até entendo

Mas por que dizes ser imperfeito

O amor pelo amor que estou tendo?

 

Deixe-me amar, me apaixonar!

Faço disso disso tudo bom proveito

Não imaginas o que sinto ao acordar

E bradar: Deus, sou imperfeito!

 

O amor e a paixão são assim

Realizam-se na imperfeição

Não devem explicações a meu cérebro

Somente a meu pulsante e esfuziante coração.

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