Noite Cinzenta

Bom, essa foi a minha primeira poesia. Mais uma autoral, portanto.

Noite Cinzenta

Que nesta noite tu esqueças,
Entre nossas diferenças,
Nossos medos e nossas
Alucinações.

Como um véu meio cinzento,
Minha sina, meu tormento,
Névoa espessa em nossos
Corações.

Em um mar cheio de luz,
Espero por ti, meu sonho.
Em um mar cheio de luz, jaz o meu
Viver.

Na linha do horizonte,
Jorra brisa, uma fonte,
Sentimento forte,
Desilusão.

Da tua boca ouço sofrimento,
Areia seca, sem alento,
Faca afiada no teu jogo de
Sedução.

Com olhar sempre viril,
Vem aqui, vem me mostrar,
Que tu és forte, mas também, tu sabes
Amar.

Força da natureza,
Estrela de rara beleza,
Cai pendente, sem causar
Destruição.

Força do infinito,
Acende a luz, atende à meu grito,
Confiante, grito de
Paixão.

Que se faça em mim,
O teu desejado.
Que se acenda em mim,
Teu fogo gelado.

Glória à ti, princesa,
Me inunda com tua luz.
Nos amamos, mas no meu coração,
Solidão.

Me digas de uma vez,
O que sentes por mim?
Me digas de uma vez,
Pois te amo.

Me digas de uma vez,
O que sentes por mim?
Me digas de uma vez,
Que me amas.

Me digas de uma vez,
Por pior que seja,
Ou possa vir a ser,
Mas simplesmente digas,
Pois teu silêncio, é como a morte
Enfim…

2013-01-16 004

Algumas Merecem

Uma história verídica, ocorrida na década de 1990. Os nomes dos personagens foram omitidos propositalmente.

Algumas Merecem

Ontem à noite eu comprei um botão de rosa vermelha
E a ofereci para alguém muito (supostamente) especial.
Como as palavras me faltavam naquele belo e vívido momento,
Achei que a rosa resolveria meu dilema passional.

Cartola já falava das rosas muito antes de mim
E as evidências da vida não posso negar:
Rosas são ponte Rio-Niterói de razão e sentimento,
Que levam consigo o que o medo prefere ocultar.

Esperava uma resposta positiva, um sim,
Mas um grande silêncio pairou eterno no ar.
Foi por demais triste aquele eterno momento
Pensei em fugir, mas não tinha como para casa voltar.

Sim, eu não ouvi nada e não estava surdo.
Meu Deus, alguém poderia por favor me elucidar?
Existe vida após a morte, outras reencarnações?
Demorarei vidas para esquecer a indiferença, o desprezar.

Eis que surge um nobre, rico e material adversário,
Digno da atenção da minha musa, assassina loura, vulgar.
Com poucas palavras e muito estilo, a convence:
“- Nós precisamo e devemo se amar.”

Até aí nada demais no amor da bela e a fera,
Mas uma parte importante da estória ainda está por se contar:
No mesmo bar aonde estávamos naquele exato instante,
Trinta minutos antes, estavam meu adversário e a sua respectiva titular.

Minha fogosa e cheia de memória mulher dos meus sonhos e pesadelos
Havia visto a titular com meu adversário se agarrar.
Sabia que ele era homem “casado”, quem sabe pai de família,
Mas isso a excitava e ela não pôde e nem quis se controlar.

Antes de sair ela me agradeceu pelo adorável presente…
Disse que a poria em um vaso com água para pudesse vingar.
O vaso eu imaginava de qual tipo neo-pós-impressionista seria:
Uma privada, com a descarga quebrada, cheia de ilhotas a navegar.

Saíram de carro importado levando a minha rosa,
Eu teria pelo menos um (será que existe?) objeto testemunha ocular.
Que me contaria com a maior clareza o decorrer dos fatos,
Para que eu pudesse a mim mesmo me auto-torturar.

A história foi contada com a maior imparcialidade possível, juro.
Uma mensagem quero para os Românticos Anônimos deixar:
Escolham com bastante cautela quem vocês presenteiam,
Pois se muitas não merecem, existem várias outras que não merecem também.

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Boletim de Notícias

Tramita na Câmara dos Deputados Projeto de Lei que torna obrigatória a reencarnação, para que Cabral e José Dirceu, por exemplo, possam pagar por todos os seus crimes. A estimativa é que os dois precisem reencarnar pelo menos 7 vezes para que suas penas possam ser cumpridas.

A tramitação é lenta, entretanto. Alguns alegam que a reencarnação já existe. Para estes, Lula seria a reencarnação de um jegue, fato que está sendo contestado pela SUIPA no STF. O relator do processo, Ministro Barroso, já se mostrou favorável à mudança do termo jegue para “animal de quatro patas, ruminante, e desprovido de qualquer tipo de inteligência”. Essa alteração conta com o apoio dos juristas Dr. Tomás Turbando e Dr. Cuca Beludo.

A bancada evangélica promete obstruir a pauta. Não se sabe se por questões dogmáticas ou para evitar que membros da igreja sejam obrigados a reencarnar para cumprir por todos seus delitos.

Já a bancada da bala, prefere enviar Cabral e José Dirceu logo para o além túmulo, desde que estes assinem um termo circunstanciado se comprometendo a se apresentar em uma eventual próxima vida, quer seja na forma animal, vegetal ou mineral.

A bancada LGBT, liderada por Jean Wyllys, quer que seja inserido no Projeto de Lei um dispositivo para que o sexo possa ser escolhido antes do processo reencarnatório, com possibilidade de revisão de gênero quando o reencarnado completar 7 anos.

Já a bancada da chupeta, seguindo as determinações de seus respectivos partidos, mostrou-se favorável à reencarnação. Informações obtidas com exclusividade pelo blog confirmam que o objetivo é garantir a continuidade dos mandatos parlamentares nas próximas encarnações. Ainda não há consenso se tal benefício se estenderia aos suplentes dos parlamentares.

Consultado como seria a tramitação do Projeto de Lei, o Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Rodrigo Maia, balbuciou algumas palavras, babou e adormeceu em posição fetal.

De Niterói, Fábio Ottolini

Próximo tópico: STF analisa se uso de Caixa 2 em dízimo ou oferenda configura crime.

boletim-noticias

Peito aberto

És assim:

A última coisa que penso antes de morrer

 

Morro todas as noites

Ressuscito todos os dias

E da gaveta do meu necrotério pessoal

Onde permanecem insepultos

Tanto o bem quanto o mal

Levanto-me e não me encontro

No obituário do jornal

 

E nesse estado de inexistência e torpor

Morto e roto

Liberto do amor

Não sinto tua falta

De fato, nada sinto

Pois lá

Seja lá onde esse lá for

Nem tu nem eu existimos

 

Dia e noite

Noite dia

Vida sem sorte

Abraça-me a morte

Nua e fria!

Esquece-me a vida

Sufocante agonia!

 

Inexistência de tristeza e alegria

Eu diria

Não fosse esse implacável despertador

Que todo santo dia

É meu desfibrilador

E que me lembra de sentir dor

Cirurgia de peito aberto de saudade

Sem nenhuma anestesia.

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