Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

Quatro Mestres!

Quatro mestres. Três deles já falecidos. Ainda assim juntos, eternizados por uma canção. Entre nós, o maestro Rildo Hora (gaita). No céu, em um lugar bem especial, o monstro sagrado Cartola, o épico e inalcançável Raphael Rabello, e o controverso Cazuza. É música para ouvir em silêncio absoluto.

Com vocês, “O mundo é um moinho”, uma composição do inesquecível Cartola.

Desperta dor

Estridente

Contundente

O despertador desperta

 

Só mais 5 minutinhos…

 

Veemente

Inclemente

O despertador desperta

 

Só mais 5 minutinhos…

 

Impaciente

Descrente

O despertador desperta

 

Chega de clicar no “Snooze”!

Ainda há tempo

Só mais uma soneca

 

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzz

 

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzz

 

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzz

 

E três horas depois…

 

Meu Deus!

Que descontentamento

Perdi a oportunidade

Posso voltar no tempo?

 

Não, não pode!

Com o tempo não se brinca

É preciso reparar no tempo

Enquanto o futuro não se erode

 

Dorme agora

Já que não há

Diferença na pressa

E na demora

 

Jogou-se tudo fora

Enrolando-se no presente

Disfarçando o que deveras sente

 

E agora?

 

Despertado pela dor

Irresponsavelmente

Deixou a vida ir embora.

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Por inteiro

Nunca fugi de ti

Sempre fugi de mim

 

Em teus braços

Descobri-me

Vi-me

Pela primeira vez

E o eu que existia

Destronou-se de mim

 

Percebi com clareza

O quanto eu era “meio”:

Meio feliz

Meio realizado

Meio completo

Meio inteiro

Meio vivo

Eu era só metade

Metade de mim

 

Não aceito!

Não quero mais ser meio

Quero ser inteiro

Viver intensamente

Ser potencialmente

Tudo que de fato sou

Tudo que jazia absorto

Talvez morto

Dentro de mim

 

Processo irreversível

Ainda mais agora que sei

Que somente juntos

Tu e eu somos infinitos

Nas risadas

Nas lágrimas

Nos pensamentos

Nos carinhos

Nos gemidos e gritos

 

Somos o nexo causal

De vidas plenas

Destino presente

Transparente

Certo

 

E para deixar claro

Em fugir

Já nem penso mais

Pois já não há mais paz

Em fugas e atalhos

Que me levem

Para longe de ti

 

Em teus braços

Encontrei o aqui

O agora

Só te peço que sem demora

Permita-me ser inteiro

Teu inteiro

Permita que sejamos

O tu e eu verdadeiros

Por fim e sem fim

Derradeiro.

infinityproof

Vida seca

Nada sinto

Ou se sinto

Minto

A tudo me submeto

Aceito

Não nego

E por fim

Nada prometo

 

Divago

Prolixo

Em mim

Me perco

E se me encontro

Não me acho

Olhos turvejantes

Alma vestida de preto

 

Puro opróbrio

De mim restou

E na sarjeta

Onde não sei sequer

Quem por bem

Ou por mal

Verdadeiramente sou

Lamento estar vivo

Enquanto lambo minhas feridas

Eis o que o destino

Para mim destinou

 

Proxeneta de sonhos

Outrora risonhos

Sem lágrimas

Eu choro…

Sem lágrimas

Imploro…

 

Por uma vida!

 

Quiçá menos sofrida

Quiça menos desvaída

Quiçá menos seca.

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