Quaisquer

Não te amo por amar-te

Amo-te porque me fazes bem

 

Fosse de outra forma

Serias apenas mais uma

Na multidão de mais umas

Que não se cansam de serem mais umas

 

Mas de maneira alguma

Sinto que sou de alguém

Eis que tenho certeza, meu bem

De que a solidão

Por ora

Até que me cai bem.

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Ufa!

Não sou ponto de partida

Não sou ponto de chegada

Eu sou a jornada

Sou a reticência

O et cetera

 

Id est

A presença

A saudade

O sonho

A realidade

O brilho

A certeza

O finalmente!

O ufa!

O até que enfim

O para sempre

O até o fim.

buzios

Gabarito oficial

Guarde bem, meu amor

Essa coisa toda

Esse emaranhado de razões

Essa miríade de questões

Sentimentos

Momentos

Guarde tudo isso muito bem

 

E não digo isso por mim

É que vejo além

No meio das trevas

Acendo luzes

Brilhos nos olhos também

 

Sei o que quero

Onde quero

E o quanto eu quero

A vida me ensinou a reluzir

A ser porto seguro e farol

De somente um alguém

 

E se parecer tudo perdido

Lembre-se do meu peito amigo

Que sempre serviu de abrigo

Sem mordaças

Sem poréns

 

E que no meio dessa coisa toda

Desabroche uma ciranda leve e solta

Cheia de sorrisos destemidos

Contagiantes

Abraços esfuziantes

Êxtases alucinates

Lascívia torturante

Escaldante

Saudade lascinante

Em frente!

Doravante!

Posto que no calar das perguntas

É que jorram e escorrem

As mais do que óbvias

Respostas.

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Cinzeiro

Não te assustes, meu bem

Se um dia, ao acordares

Vires o meu lado em nossa cama

Frio e vazio

Fui-me

Precisei ir

 

Sem aviso formal

É fato

Mas vou-me por não me sentir útil

Vi minha vida por teu amor

Por nosso amor

Por nossos planos

Muitos, muitos anos

Ser rasgada a seco

Deixada ao vento

E com fome e frio

Perdida no tempo

Tudo feito e desfeito

Esforço impróprio

Vida pueril

Vida inútil

 

Mas declaro

Que fique claro

Que não sou algoz

E muito menos vítima

Mas eu sou fogo

Sou brasa

O combustível

O comburente

Sou a flecha

E o arqueiro

E não cigarro

Ou mero trago

Ou mesmo cinzas de qualquer cinzeiro

 

Aproveito a oportunidade

Para oferecer-te minhas sinceras desculpas

Não sei exatamente onde errei

Se foi por dar-me como me dei

Ou se foi por sonhar como sonhei

Fato é que agora sei

Que eram meus

E tão somente meus

Os nossos sonhos

E neles nos amávamos

E eu amava

Eu sempre amei

 

E na solidão agora desacompanhada

De minhas horas

Teu nome em minha memória

Saudade que condena e sufoca

Nevoeiro de lágrimas

Que derramam-se em um livro

De uma só página

Um resumo do nosso amor

“Acabou”

Era só fumaça

Mais nada.

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Em busca da verdade

O amor não é a foto no Instagram

É o que faz a foto precisar existir

Não é a mensagem do WhatsApp

Mas a vontade de enviar a mensagem

Não é o coração do Facebook

Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela

 

O amor é sempre causa

Nunca consequência

 

Nunca vi um amor sobreviver só de palavras

De declarações

Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes

Monumentais

O amor se retroalimenta de coisas pequenas

Da intimidade, da cumplicidade

Da atenção aos mínimos detalhes

Da generosidade e da sinceridade

Da desavença e do entendimento

Do perdão, da compreensão

 

O amor é pai de tudo que é bom

De tudo que na vida faz genuína diferença

 

E eu, como aprendiz de poeta

Digo que o amor não está nas minhas poesias

Mas no que não mostro

Aceito e sinto

Para mim, o amor é invisível

Mas eu sei

E como sei!

Que ele de fato existe

 

O amor é minha única verdade

E em busca da verdade eu sigo.

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