Pés na Sarjeta

Blues de minha autoria. Se eu não me engano, de 1998.

 

Pés na Sarjeta

 

Ouça esse blues

Como quem houve uma despedida

Pois do fundo do meu coração

Não te quero como amiga

 

Já te tive em meus braços

Já vi você gritar por mim

Te ver sem te ter

É decretar meu próprio fim

 

[Refrão]

Não se preocupe

Eu já sei me virar

Mudam os nomes e os sobrenomes

Mas a história é a mesma:

Uma garrafa de whisky e meus pés na sarjeta

 

Diga pros outros

O que disse para mim

Talvez eles acreditem

No seu papo de mulher de botequim

 

Já estou cansado

Das tuas mudanças de humor

Quero sangue, quero carne

Quero amor, quero ardor

 

[Refrão]

 

[Solo]

 

[Refrão]

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Bolhas de sabão

Não há espaço no meu coração para raiva

E nem para nenhum outro sentimento negativo

 

Eu sou mais do que isso

 

Eu não sou juiz

Eu sou perdão

Eu não sou um qualquer

Sou motivo e razão

Eu não sou abandono

Eu sou amor, empatia, compaixão

Eu não sou mais do mesmo

Sou mudança, solução

 

E não me importo com que me digam

Ou pensem de mim

Eu lido com fatos, atitudes

Não com promessas que são

Que vem e vão

Como bolhas de sabão

 

E hoje, quando saio às ruas

Levanto a cabeça e miro o céu

E sorrio em busca de um milagre –

E talvez esse milagre seja o tempo! –

Que aos poucos tornará suave

O silêncio

A ausência

A falta

O vazio

O que foi

E o que não foi

Em vão

 

E ainda assim

Nesse momento difícil

Caminho sem medo

Com muita, muita fé

Na certeza de que o milagre –

O tempo! –

Revelará o que sou

E para onde queria ir

Para onde vou

 

E se o vento por aí sussurrar

A minha voz, o meu cheiro

Não serão lamúrias

Mas espasmos de saudade

E talvez assim eu seja ouvido

E talvez assim eu volte a ouvir.

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