Contrapé

A gente é o que é

Porque nosso orgulho

É maior que nossa fé

A gente não se fala

A gente deixa

Na esperança de que o outro

Faça o que o que deveria ser feito

A gente ignora

A gente some

A gente ama

Mas a gente chora

Porque o eu te amo fica guardado

Escondido na memória

A gente só queria que desse tudo certo

Mas a gente se cala

Em prosa e verso

A gente não se comunica

A gente assume que o outro sabe

A gente julga, condena e absolve

A gente é a hipocrisia

A gente é a vida e a morte

Mas no fundo

A gente sabe que não é porra nenhuma

Porque quem não sabe pegar uma porra de telefone para dizer que ama

Tem mais é que dormir sozinho, ainda que acompanhado na cama

A gente é o que decide que é

E se a gente se nega a ser o que de fato é

A gente vive por aí, em busca do que nos falta

Mas de fato não falta o que dizemos que faz falta

E a gente vive por aí fodido, mentindo

Culpando a Deus, nossa criação, o universo, o destino

Até que a gente tome uma rasteira

E o tempo pegue a gente no contrapé.

Nunca te esqueci

Que tu lembres sempre

Que nunca te esqueci

Nos altos e baixos

Nos picos e nos vales

Eu estava ali

Nem sempre perfeito

Algumas vezes sem jeito

Mas eu estava ali

Pronto para te escutar

Para te ouvir

É o mínimo que eu poderia fazer

Para mostrar o quanto eu te amava

O quanto eu te desejava

Mais do que todas as outras

Tu eras a única que me importava

Entreguei-me por inteiro

Fiel e verdadeiro

E quando parecia

Que estávamos diante de um espinheiro

Eu te carregava no colo

Para só eu me ferir

Ah! Minha parceira

Minha companheira

Meu par perfeito

Dói ver-te ao longe

Dói não sentir-te aqui

E se o destino assim quiser

Que sejamos homem e mulher

Que tu te lembres sempre

Que nunca te esqueci.

Cambalhotando

Ainda que não saiba onde chegar

Eu ando

 

E vou achando, encontrando

Pedaços, faces de mim

Que eu não conhecia

No frango exposto na padaria

No café do Starbucks

No porteiro que me diz bom dia

Na senhora que eu ajudo na travessia

 

E por mais que nada disso pareça ter sentido

Eu vou, eu acredito

Tudo é tão cheio de cores

Diferentes texturas

Cheiros e sabores

Como posso não fazer parte disso?

 

E que fique claro:

Nada disso que acontece depende de mim

O mundo vai girar até o fim

E não faz diferença

Se estou

Ou se não estou

Faço parte disso tudo

Independentemente do que aconteça

 

Eu ando

Andar eu preciso

Se o mundo é inferno ou paraíso

Eu decido

E pela vida me vou

Sempre

Cambalhotando.

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