Eu me tenho

E eis que de repente,

Tudo ficou menos urgente.

 

Bateu uma preguiça…

 

Achei que fosse falta de café,

Mas descobri que era o tal do amor próprio.

 

Estou no aqui,

No agora,

E depois de muito tempo,

Sem nenhuma pressa.

 

Faltam-me coisas

E disso eu bem sei,

Mas eu tenho tanto…

 

Antes de apagar das luzes

E fechar a porta,

Olho-me no espelho

E sorrio:

Eu me tenho.

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Júlia e Eu (piloto)

A primeira vez que fui à praia com a Júlia, fiquei bem tenso. Afinal de contas, ela tinha vinte e seis, gostava de malhar, e lá estava eu com aquela barriguinha de chopp. Para piorar um pouco, vi que os amigos dela, em sua grande maioria, também eram da dita geração saúde.
 
– Esse aqui é meu namorado. – disse ela.
 
E os amigos e amigas dela, um a um, vieram falar comigo. Quando dei por mim, não parecia sequer haver algum tipo de diferença de idade. Estavamos todos no mesmo barco, rindo e comendo açaí (odeio açaí!). Meus 46 anos não eram importantes ali.
 
Mas algo me consumia… Até então, não éramos namorados. Nunca havíamos conversado sobre isso. Pensei em perguntar o porquê, mas não achei necessário. Ela tinha me assumido na frente de todos os amigos. No mínimo, ela queria que eu me sentisse bem ali. Ela se importava comigo.
 
E eu a via conversando com os amigos. Ela usava um óculos bonito, estava bem bronzeada, e o vento ajudava com o movimento dos cabelos. Era como se eu estivesse hipnotizado. Não era como se: eu estava.
 
Em certo momento, ela disse que andaria com as amigas pela areia, rente ao mar. “Será que ela vai com essa bunda de fora? Lógico que vão olhar!” E ela foi com a bunda exposta ao tempo. O corpo dela chamava a atenção, mas engoli as emoções daquele instante. Como é mesmo que dizem? Eu precisava ser maduro.
 
E depois de uns 15 minutos, Júlia voltou com um milho cozido. Ofereceu-me e tal. Não aguentei.
 
– Não gostei de você andando como a bunda de fora… – disse eu olhando para o mar
– Como assim? – disse ela com ar de reprovação. Parecia que estava furiosa.
– Sei lá, eu… – ela se levantou e se afastou, deixando o milho nas minhas mãos. Naquele momento, o milho se transformou em um pepino para mim, claro.
 
Paramos de nos falar ali na praia. Ela me fitava distante. Aliás, não dava para saber ao certo. Malditos óculos escuros!
 
E o fim de tarde foi chegando… Fomos até o carro, e ela ficou parada do lado de fora, como se esperasse alguma coisa. Quando abri o vidro para perguntar o que era…
 
– Que eu saiba, é um hábito seu abrir a porta para eu entrar. – disse ela com evidente sarcasmo em sua voz.
 
Saí do carro, abri a porta, e ela me agradeceu. Júlia ligou o rádio em uma estação aleatória. Fomos mudos até a casa dela.
 
Estacionamos o carro e subimos. Ela abriu a porta, e imediatamente após entrarmos, ela me jogou contra a parede com força e me beijou profundamente.
 
– NUNCA MAIS desconfie da minha lealdade. NUNCA! NUNCA te dei motivos para isso. – disse ela com o dedo em riste, enquanto discretamente me guiava para o banheiro.
 
– Olha, eu queria dizer… – e não consegui continuar a frase. Ela me empurrou para dentro do box. Ficou nua. Ligou o chuveiro.
 
– Agora, me fode! – disse ela de maneira bem resoluta.
 
Obviamente, obedeci.

Não vou passar

A tempestade vai passar

 

Eu não

 

Não sou passageiro

Não sou

E não vim

De passagem

 

Sou atemporal

O infinito

No infinitivo

 

E ante o rugido

E o clarão dos trovões

Dou passagem

 

E é nesse ponto que a vida se engana:

Quando acredita que me conjuga.

Processo civil e criminal – Escola MV1 – Icaraí – Niterói/RJ – Status

Alguns pais do MV1 estão levando adiante uma informação incorreta. Uma verdadeira fake news. Portanto, preciso prestar alguns esclarecimentos.

Processo criminal: Nem chegou a virar um processo propriamente dito. O MV1, o diretor, a coordenadora e a professora foram até a delegacia noticiar o suposto crime, mas o prazo para dar prosseguimento ao processo já passou. Na prática, o processo decaiu. Ganhei por W.O.

Processo civil: Ainda em andamento. O MV1, o diretor, a coordenadora e a professora entraram com uma ação pedindo R$88.000,00 de indenização por danos morais, e os meus advogados reconviram, ou seja, estão processando o MV1 de volta, alegando que as verdadeiras vítimas do dano foram a minha filha e eu. Estamos pedindo R$40.000,00: R$20.000,00 para a minha filha e R$20.000,00 para a Sociedade Viva Cazuza. Abri mão de minha parte em função da Sociedade Viva Cazuza, só para deixar claro. Sim, isso é um compromisso público que assumi há tempos.

Então, se alguém disser que eu “perdi o processo”, saibam que isso é MENTIRA. Sequer houve a primeira audiência do processo civil!

Desafio qualquer pessoa ou instituição a provar o contrário do que estou dizendo.