Liberte-se!

Ninguém gosta de sentir dor, quer seja essa dor física ou psicológica, mental. E na tentativa de não sentirmos, nos deparamos com as frases magistrais do poeta Renato Russo: “E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor” ou mesmo “E o teu medo de ter medo de ter medo…”

Parece um mero jogo poético de palavras, mas não é. Nós fugimos da dor e com isso sentimos mais dor. O meu foco, no caso, são as dores da alma. As físicas, que muitas vezes têm a sua origem na alma, também fazem parte dessa minha análise.

O que nos dizem os amigos? “Ligue o fod****! Desapegue-se! Deixe ir!”, como se fôssemos capazes de, através desse truque, tirar de dentro de nós mesmos algo que está vivo e presente, em todo e qualquer instante, incrustado em nossa alma.

Isso foi verdadeiro para mim durante grande parte de minha vida, até que fui apresentado ao Estoicismo e me dei conta que a dor precisa ser enfrentada, encarada e vivida para que possa ser entendida e dissipada.

Recentemente, ouvi de uma pessoa muito querida que a sua terapeuta disse a ela o seguinte: “Será necessário que você sinta todas essas angústias das quais reclama para que elas se dissipem.” BINGO! É exatamente disso que estou falando.

Sentir significa abraçar a dor, a angústia. Trazer para perto. Olhar de perto. Esses sentimentos não surgem por acaso. São mensagens de Deus, da vida, do Universo, nos chamando para um novo nível de consciência, e a negação desse processo gera apenas o que se pretende evitar sobremaneira: mais dor.

Chame a dor, a angústia, para sentar no seu colo. Converse com ela. Chame-a para um café. Veja o que ela tem a lhe dizer. Olhe-a nos olhos. Faça isso quantas vezes forem necessárias, até que você se torne íntimo dela. E então, você será capaz de transmutar a sua dor em crescimento, em ações, em atitudes. A dor e a angústia permanecerão enquanto não forem abraçadas de uma vez por todas!

Há outras alternativas, claro. O álcool, o “out of sight, out of mind“, a manutenção de comportamentos nocivos, e toda e qualquer outra tentativa vã de fugir do “chamado”. Isso vai apenas adiar o problema e evitar que você alcance o que a vida de fato está tentando fazer você enxergar, sentir. Vai apenas fazer você adiar o inevitável. E quer pior do que descobrir o que era inevitável apenas quando não houver o que possa ser feito?

Portanto, chega de fugas! Chega de inventar desculpas! Chega de fugir de si mesmo! A vida é como ela se apresenta. Se alguma situação se mostra especialmente desafiadora, está nela a sua oportunidade e o caminho para ser o que a vida espera que você seja. Está nela a oportunidade de ser o que você nasceu para ser.

P.S.: A vida só apresenta grandes desafios para quem é capaz de encara-los de frente. E a vida só faz isso para que você tenha o melhor que ela é capaz de oferecer. Agradeça!