Destemendo-me

Longe da presença dos outros

Diante da minha inevitável presença

Tornaram-se inadiáveis os questionamentos

As razões de ser, de viver

 

Quem sou?

Por que sou?

Por quem sou?

Será que sou por mim?

 

E em meio ao bombardeio de perguntas

Jorram aos borbotões as respostas

E sobre elas pairam dúvidas:

Será que eu mesmo as forneci

Ou será que só as repeti

Como tantas outras vezes fiz?

 

Passou da hora de eu mesmo me conhecer

Por mim

Eu devo isso a mim

É corolário para a plenitude da minha vida

 

Prefiro viver cheio de verdadeiras dúvidas

Do que repleto de falsas certezas

Quero as cartas sobre a mesa

Quero os pés no chão

Quero mudar ou formar opinião

Quero transformar os pesos em leveza

E desfazer todas as ilusões

Estoura-las feito bolhas de sabão

 

Não é possível fazer isso sem dor

Sem definitivamente me responsabilizar

Sem aceitar as coisas como são

Sem perdoar-me e sem pedir perdão

 

Não fui nem tão bom e nem tão ruim

Nas mais diversas situações

Eu simplesmente fui o que sabia ser

E toda essa minha derradeira imperfeição

Aqueceu e acendeu meu coração:

Há muito para conhecer

Muito para desaprender

Muito para evoluir

 

Ainda estou em processo

Não cheguei ao fim

Sequer sei se já cheguei ao começo

Mas, hoje, já posso afirmar:

Um dia, eu já temi a solidão

E só a temia por temer-me.

Mexa-se

Quando cheguei ao topo do monte, pude ver montanhas muito maiores por detrás. Não desanimei. Eu só conseguia ver o monte, e foi por isso que decidi subi-lo. Agora, vou subir montanhas, e só vou subi-las porque um dia eu decidi subir o monte. As montanhas eu simplesmente desconhecia.

Amplie seus horizontes. Comece de algum lugar. A vida só se apresenta em toda sua imensidão quando você estiver disposto a buscá-la. Saia da sua zona de conforto, do seu chão. Nada de novo acontece aonde você está. Mexa-se.

Adam Sandler 100% Fresh

Há tempos não rio tanto! Comecei a assistir no Netflix de bobeira, mas o cara é um GÊNIO!

O formato do stand up é completamente inusitado. Nos primeiros instantes, a sensação é que tem tudo para ser um fracasso… Mas não é! Pelo contrário. É muito, muito hilário! Nunca tinha visto nada parecido!

Para quem quer dar umas boas risadas, é mais do que recomendado. Sugiro manter o áudio em inglês (nem sei se tem em outro idioma), e as legendas em inglês também. Há muitos trocadilhos e talvez isso se perca um pouco na tradução para o português.

Divirtam -se!!!

NUNCA

Eu me lembro do quanto era fantástico fazer amor com você.
Você dizia e fazia como se me amasse, e eu a amava integralmente, totalmente –
Parecia que de fato nos amávamos –
E todas as vezes que nos deitávamos era assim.

TODAS

Cada toque meu em seu corpo, por mais safado e absurdo que fosse
Também era sempre um profundo gesto de amor e reverencial respeito.
Fui fiel a você em toda e qualquer circunstância.
Mais do que isso, fui fiel a mim e a meus sentimentos
Você era para mim a personificação do sagrado feminino.

SEMPRE

Mas, se aquela com a qual me deitei tantas vezes era só uma projeção ou espelhamento dos meus desejos,
Uma persona criada para tirar de mim o que eu sou capaz de ser e fazer somente quando amo e acredito que sou amado,
Sou obrigado a reconhecer que eu jamais me deitei ou fiz amor com você.
E as consequências disso são inevitáveis e inadiáveis:
Em tempo algum me teve ou foi por mim amada de verdade: sequer sei quem é você.

NUNCA

Auxílio Emergencial – COVID-19

Auxílio Emergencial. O nome já diz tudo. É para quem ficou sem renda durante a pandemia. Para quem não sabe e nem sequer tem o que fazer. Para quem não tem dinheiro para comprar remédios, comida. Para quem vê a geladeira vazia, as contas chegando, os filhos chorando… Para quem o futuro parece uma agonia.

Causa-me espanto culparem o sistema por conceder benefícios para quem não precisa, muitas vezes até para pessoas empregadas. Causa-me náusea. Causa-me revolta. Desde quando falhas no sistema podem ser responsabilizadas pela desonestidade, pela falta de valores das pessoas? Desde quando falhas no sistema podem ser responsabilizadas pela essência, pelos desvios de caráter, pelo que as pessoas são?

Que Deus tenha piedade dessas pobres almas que não apertam gatilhos de arma alguma, mas que são incapazes de ter compaixão e empatia pelo seu semelhante. Ao usufruirem do auxílio emergencial sem dele de fato precisar, sangue jorra de suas mãos, ainda que essas pessoas se sintam absolvidas pelas suas próprias hipocrisias.

O problema do Brasil são os brasileiros e não tem sistema que conserte isso.

Preciso da minha solidão

Olhei pela janela – a mesma de todos os dias – e agradeci. Nunca estar vivo significou tanto para mim.

Abracei minha filha, minha mãe. As lágrimas escorriam sem nenhum controle. Eu não sabia o que dizer. Não sabia o que sentir, muito embora eu sentisse muito. Eu tinha em mim todos os sentimentos do mundo.

Meus amigos me ligavam, atônitos, tentando entender o que havia acontecido. Eu não conseguia contar, não conseguia explicar, porque contar era reviver, e reviver fazia meu coração disparar. Reviver era quase como quase morrer de novo e eu não queria mais isso para mim.

Enquanto uma xícara de café reanimava meu corpo, um filme se passava em minha mente. Lembranças do que foi indo de encontro a tudo que realmente é. Lembranças do que fui indo de encontro ao que realmente sou. Era como se fossem dois eus perdidos e entrelaçados, difusos, atordoados. Era como se eu tivesse perdido tudo e ao mesmo tempo não tivesse perdido nada. O real e o imaginário juntos, nus, completamente despedaçados.

Havia um senso de que tudo precisava mudar e de que era necessário deixar muita coisa ir. Eu precisava mudar. Eu precisava ir. Eu só não sabia o que mudar ou mesmo como mudar, e muito menos para onde ir. De nada eu sabia. Eu não me reconheci.

As palavras que ouvi a meu respeito não ecoavam dentro de mim, mas nem por isso deixavam de ter importância. Até porque a questão não eram apenas as palavras, mas quem as disse e porque as disse. Palavras que iam na contramão de tudo que já havia sido anteriormente dito, vivido e sentido. Palavras. Simplesmente palavras. Palavras com a intenção de se eximir.

Eu errei. Fui induzido ao erro. Agi tendo como base tudo o que eu tinha como verdade. E essa verdade foi construída olhos nos olhos, em conversas intermináveis, em conversas que nunca pensei que chegariam ao fim. A verdade foi construída em uma trama interminável de mentiras que eu aceitei, que eu permiti, que eu vivi.

Foi duro. É duro. A realidade é lancinante. Acordar dói. Dormir também. Fazer algo dói. Não fazer nada também. Existir dói, mas eu sei que eu preciso, mais do que nunca, existir. Não há outra possibilidade. Existir e resistir é a minha grande razão.

E em meio a reuniões de trabalho, onde tudo precisava parecer perfeito, eu olhava para o chão cabisbaixo, tomado por imensa vergonha, desiludido com a minha pretensão e crença infinita de que eu poderia de fato ser ou mesmo estar feliz. Tudo que fiz foi absolutamente em vão.

E diante de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria, deixei meus joelhos tocarem no chão. Não me ajoelhei apenas por respeito, mas por pura exaustão. Não sabia o que pedir. Não imaginava como começar qualquer oração. E acabei por implorar por piedade, pedir e oferecer perdão, e agradecer pelas bênçãos recebidas até então.

E diante deste texto que ora escrevo, sem qualquer motivo especial ou mesmo razão, declaro-me impotente e ao mesmo tempo inocente, muito embora eu ainda esteja dentro de uma prisão.

Nada que o tempo não cure, eu bem sei, mas é assim que me sinto no agora, diante da imensidão de incertezas, de sonhos reduzidos a infinitas farpas e cacos de vidro espalhados pelo chão.

Esse sou eu hoje. Amanhã serei outro qualquer. Melhor do que hoje, por certo. Preciso fazer as pazes com a minha solidão. Preciso aprender a ficar com o nada. Preciso enfrentar o mundo e me enfrentar. Eu simplesmente preciso, muito embora não saiba exatamente do que e muito menos o porquê. Eu só preciso.

Chegamos aos 1.000 posts!!!

Sim, chegamos. Não cheguei até aqui sozinho. Essa aqui é a minha segunda casa, e tive a ajuda de muita gente para chegar até esse número, que apesar de ser só um número, também é bastante emblemático. É parte de mim e da minha vida. Um registro das minhas crenças e das minhas percepções do mundo.

Meu muito obrigado a todos que, de alguma forma, inspiraram, viveram e dividiram comigo os momentos que me fizeram gerar tanta coisa bonita! Algumas tristes, é bem verdade, mas todas sempre cheias de amor e verdade. Não há uma única palavra nesse blog que não tenha sido de fato sentida e de alguma forma vivenciada.

Aos meu leitores/seguidores, um agradecimento especial. O carinho e as inúmeras mensagens que chegam são sempre recebidas com muito entusiasmo e felicidade. Esse blog é de vocês também! Espero que tenha levado e que continue levando palavras de conforto e encorajamento, além de inspirações de todos os tipos. Em última análise, que esse blog seja algo que acrescente alguma coisa na vida de todos vocês.

MUITO OBRIGADO!

P.S.: Esse post é 0 1.001. Rs.