Clichê

– Ah! Deixa disso… Ainda nem chegamos na metade…

– Você é doido, menino! Já fomos e voltamos esse calçadão duas vezes!

Ser chamado de menino na minha idade é um privilégio. E sim, eu sou viciado em andar. Há dias em que ando 20 Km. Fone de ouvido, músicas escolhidas a dedo no Spotify (do clássico ao metal), e caminhadas que parecem não ter fim. O visual da praia, o sol, o suor, a brisa do mar e até mesmo o cansaço me ajudam a pensar sobre a vida, refletir sobre o passado, encontrar a melhor maneira de viver o presente e planejar o futuro. É sem dúvida alguma um dos maiores prazeres cotidianos.

Deixamos o calçadão e fomos até a casa dela. Antes de subir, pedi ao porteiro a mochila que eu tinha deixado na portaria. “Vim preparado” – afirmei cinicamente. “Cara de pau” – foi a resposta que ela me deu enquanto encarava o porteiro, que fingia que não estava entendendo nada. Confesso que, no fundo eu me sentia orgulhoso de ser chamado de cara de pau. Nas circunstâncias, parecia que a minha cara de pau era realmente muito bem vinda. Era a faísca, talvez a pimenta, que só incendiava ainda mais os nossos encontros despretensiosos e nem por isso menos sôfregos.

Mas ela também tinha as suas armas. Nas audiências, comparecia sempre impecavelmente vestida. Unhas bem feitas com tonalidade discreta, óculos daqueles que parecem não ter armação, maquiagem na medida certa e com o cabelo preso em uma espécie de coque complexo. Cheguei a perguntar o porquê do cabelo preso nas audiências e ela me respondeu de uma maneira que nunca esqueci. Tirou os óculos, soltou o cabelo, olhou no fundo dos meus olhos e disse: “Nos tribunais da vida, aprendi que ser discreta é algo bem vantajoso. No mundo machista em que vivemos, antes de ser mulher, preciso ser uma advogada.” Não a culpo. Ela realmente é daquelas que passa e faz pescoços virarem, ainda mais com os cabelos soltos.

Ela foi tomar banho e eu fui para a varanda ver a rua. Com um copo d’água nas mãos, fiquei admirando o vai e vem das pessoas e dos carros até que, mais uma vez, ela me deu um susto. Era a sua especialidade.

– Vai tomar banho, vai… Há coisas melhores para você ver aqui dentro de casa…

Saí correndo para o chuveiro. Tomei um banho caprichado. Eu sabia o que me esperava. Uma mulher linda e cheirosa, enrolada em uma toalha, me apressando para tomar banho? Certeza não era para vermos uma filme.

– Gosta de morangos?

Foi a pergunta que ouvi ao sair do banho. Eu disse que sim balançando a cabeça, atônito diante do que eu estava presenciando. Ela estava nua, sentada na beirada da cama, comendo morangos. As frutas passeavam pelo seu corpo e terminavam na sua boca. A minha garganta ficou seca. Eu fiquei paralisado e resolvi observar a cena por mais alguns instantes, enquanto as frutas eram literalmente vítimas de abuso: mordidas, lambidas, beijos, chupadas, e passadas com uma sensualidade absurda pelo seu corpo e por entre suas pernas escancaradas. Ela estava toda melada e eu tinha certeza de que os morangos não eram os únicos responsáveis por aquela situação, sobretudo por conta dos seus gemidos e da sua pele completamente arrepiada. O corpo dela brilhava refletindo a meia luz do abajur.

– Vai ficar só vendo?

Eu não respondi. Ela estava gostando do que estava fazendo. Ela estava se exibindo. Sim, era um show privê. Meu. Só meu. Todo meu.

– Agora, você vai ter que vir até aqui… Acabei de perder um morango…

Suas mãos entre as suas cochas indicavam com clareza por onde eu deveria começar a busca. Tive que intervir. Fui obrigado.

Acho que nunca comi tantos morangos na minha vida. Os lençóis manchados, tudo revirado… Havia morangos no meu cabelo, no dela também… Enfim, outro banho se fez necessário. Água morna, novos gostos, novos cheiros… Começamos tudo de novo. Ela era imparável e isso me tornava impossível.

O espumante rosé que eu levei (eu disse que tinha ido preparado) fez aqueles momentos para lá de especiais parecerem clichê. Eu não me importava. Ela também não. Lembramos do filme “Nove e Meia Semanas de Amor”, com a Kim Basinger e o Mickey Rourke, e caímos na gargalhada. Não era muito difícil rir ao lado dela.

Ainda assim, fiquei com fome. Os morangos não foram suficientes. Pensamos em pedir algo, mas acabei lembrando que as vans que vendem lanches haviam voltado a funcionar naquela semana depois da liberação da Prefeitura. Ficaram 5 meses impedidas de trabalhar. Eu entendia os motivos da proibição, mas nem por isso deixava de ser algo trágico.

– Bora comer um cachorro quente podrão? – sugeri, eufórico.

E lá fomos nós. Salsicha, milho, ervilha, uva passa, azeitona verde, ovo de codorna, maionese, mostarda, ketchup, batata palha e queijo ralado. Cada cachorro quente era literalmente uma bomba calórica absurdamente gostosa! Quando terminamos, demos uma volta no quarteirão para fazer a digestão e voltamos para a casa dela.

– Amanhã eu acordo cedo. Você fica? – disse ela com os olhos pregados, visivelmente cansada.

– Já passamos dessa fase, né? Sei que você quer dormir… Vou para casa terminar de ver uma série no Netflix. Se eu aguentar, claro… Você acabou comigo – ao ouvir isso, a sua fisionomia mudou: debochada, sorridente e vitoriosa, e assim disse tudo que precisava ser dito.

Ela me deu um beijo e esperou eu entrar no elevador. Aguardou eu chegar em casa e mandar uma mensagem dizendo que tinha chegado bem. Dormiu logo em seguida. E eu fui escrever… Melhor assim para não deixar de registrar nenhum detalhe.

Happy Song (John Petrucci) + Scotty Doesn’t Know (Lustra) + EuroTrip

Muita gente me pergunta de onde eu tiro as músicas que eu ouço. Sorte? Saio ouvindo qualquer coisa e separo o que eu gosto? Um pouco de tudo isso. Vou usar um exemplo de ontem.

John Petrucci, guitarrista do Dream Theater, lançou um novo álbum solo cujo título é Terminal Velocity (fiz um post sobre a música homônima). Passei grande parte do fim de semana ouvindo as novas músicas. Algumas delas eu descobri que eram de fato antigas, mas nunca lançadas oficialmente. A que eu mais gostei? Happy Song. A música é realmente feliz e me deixa alegre. Muito, muito fod*!

Passeando pelo YouTube, li um comentário de um usuário dizendo que parte da música do Petrucci lembrava uma música chamada Scotty Doesn’t Know da banda Lustra, que faz parte da trilha sonora do filme EuroTrip (2004), com participação especial do Matt Damon. Realmente, um dos riffs utilizados pelo Petrucci é da música Scotty Doesn’t Know. Inquestionável.

E é assim que eu vou descobrindo música atrás de música. É uma jornada. Tem que gostar da coisa. Eu curto muito! 😉

Abaixo, as duas músicas e a cena do filme. A letra da música Scotty Doesn’t Know é absurdamente engraçada e me pegou completamente de surpresa! Punk Rock com muito, muito deboche!

Divirtam-se! 🙂

Instrumental
Música com a letra
Cena do filme

A (falta de) lógica das massas bolsonaristas

A lógica das massas bolsonaristas é perversa e agressiva para qualquer pessoa com um QI mediano.

A mesma pessoa que diz que não há pandemia, diz que o vírus é chinês. Essa mesma pessoa diz ainda que a cloroquina é a cura. Sim, a cura para a doença que não existe. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que reclama do “médico da emissora” convocando as pessoas para serem mesárias, dando a entender que se importa com o distanciamento social, culpa prefeitos e governadores por conta das restrições impostas para atingir esse objetivo. E mais… Finge não saber que o Bolsonaro sempre foi abertamente contra o distanciamento social. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que culpa o Mandetta por no início da pandemia dizer para as pessoas só irem para o hospital em caso de falta de ar, finge não saber que o nosso sistema de saúde é e continua sendo extremamente precário, e que a contaminação seria muito maior se toda e qualquer pessoa com eventuais sintomas de uma doença desconhecida fosse parar nos hospitais. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que cobra rigor no combate à corrupção, assiste em silêncio ao desmonte da Lava Jato e não se incomoda, de forma alguma, com os eventuais ilícitos cometidos pelo PR e sua família, além do uso indevido da PGR e da AGU como escritório de advocacia. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que achincalha a Camila Pitanga e seu filho diante de eventuais fraudes nos exames que os diagnosticaram com malária, insiste na confidencialidade médico/paciente quando o paciente é o Bolsonaro. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que aplaudiu o veto do aumento do funcionalismo público federal, se calou quando os militares, que nada mais são do que funcionários públicos federais, receberam aumento. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que fala de ditadura do STF no caso da Saúde especificamente, jamais abriu a CF e leu os Art. 196, 197, 198, 199 e 200. Culpa o STF por não deixar o Bolsonaro agir, sendo que o próprio PR jamais quis agir, até mesmo por conta de não reconhecer a existência da doença e muito menos da pandemia, ao ponto de ser capaz de deixar o Ministério da Saúde nas mãos de um “interino permanente” sem nenhuma experiência para ocupar o cargo. Querem mais um pouco?

Já chega. São tantas inconsistências… Dá até cansaço falar sobre cada uma delas.

Tenham honra! Tenham dignidade, bolsonaristas! Vocês são relativistas sem nenhum compromisso moral com o que falam, muito menos com a verdade. Falam porque falam. Falam porque não pensam sobre o que falam. Falam porque são gado. Nada além de gado. Repetem… Repetem… Repetem… Foram adestrados, e são ocos e cansativos.

P.S.: Não pense que as pessoas não percebem o seu nível de idiotia. Elas percebem. Só querem preservar a amizade ou laços familiares. Não tenha dúvida, entretanto, que seu problema cognitivo ou desvio de caráter foi devidamente notado.

John Petrucci – Terminal Velocity (Official Video)

Eu estou sem palavras diante deste vídeo!!! John Petrucci (guitarra) e Mike Portnoy (bateria, ex membro do Dream Theater) juntos novamente, ainda que somente em uma música? E essa vibe de Surf Music? E o Mestre Yoda assistindo tudo? Na boa… SENSACIONAL! IMPERDÍVEL!

P.S.: Bem que eles poderiam convidar o LaBrie, o Myung e o Rudess para formar uma espécie de Dream Theater Tribute Band. Aposto que seria muito parecido com o Dream Theater Original. 😛

Lavar louça é um vício!

Lavar louça é um vício. Lavei 2 pratos e meia dúzia de talheres e pensei: “Meu Deus! Nesse frio, como isso é prazeroso!” A minha ideia era ir de casa em casa na minha rua me oferecendo para lavar louça! Mas aí, lembrei da pandemia… Achei melhor só lavar a louça aqui de casa mesmo. Eu queria ajudar as pessoas, mas não vai dar… Sintam as suas louças lavadas! Lavem suas louças pensando em mim! 😁

Pesquisa reversa de imagens no Google

Sabe a pessoa que te adicionou e você suspeita que é fake? Sabe a foto de 2012 que sua tia do WhatsApp insiste que foi tirada no final de semana passado? Pois bem:

https://support.google.com/websearch/answer/1325808?co=GENIE.Platform%3DAndroid&hl=PT

Usem sem moderação. Já descobri coisas incríveis sobre determinadas pessoas, supostas viagens, e coisas do tipo. Descobrir a origem das fotos é algo realmente bem interessante. 🙂

Curiosamente, o Facebook marcou esse meu post como SPAM. Não há interesse em divulgar a verdade sobre as coisas nas redes sociais?

Como há mentirosos no Facebook!

Isso não, obrigado

Em 2001 ou 2002 (não lembro ao certo), eu alugava uma vaga de garagem que pertencia a Associação Brasileira de Sommeliers. A vaga ficava no mesmo edifício comercial em que eu trabalhava, e como a empresa para a qual eu trabalhava pagava o aluguel, melhor impossível.

Pelo menos uma vez por mês eu tinha que ir até a sala da ABS para pagar o aluguel e depois pedir o reembolso. Numa dessas, me deparei com um coquetel. Como eu estava de terno, parecia um convidado, mas na realidade eu só estava mesmo é cansado e louco para chegar em casa.

Após efetuar o pagamento, um senhor muito educado que eu não conhecia se aproximou de mim com uma taça de vinho, me oferecendo. Eu disse que estava de estômago vazio (não bebo de estômago vazio), e ele me ofereceu uns canapés. Aceitei. Bem gostosos por sinal.

Conversamos não lembro sobre o que, e ele insistiu para que eu provasse o tal vinho. Provei. Sabe quando você acha algo uma bosta? Pois bem… Ele me perguntou o que eu tinha achado, e eu gentilmente disse que não era exatamente algo que eu consumiria habitualmente. E então, ele soltou a seguinte pérola.

“É que seu paladar ainda não está preparado para apreciar bons vinhos.”

Bebi o que restava na taça para não fazer desfeita, e discretamente fui embora. Comprei uma Coca-Cola em uma lojinha que ficava embaixo do prédio e fui-me embora.

No trajeto, pensando sobre o acontecido, aprendi a lição: se eu preciso me preparar ou ser preparado para dizer que uma coisa é boa, essa coisa não serve para mim. Eu tenho meus gostos, meus valores, minha personalidade, meu caráter. E se isso significa que devo caminhar sozinho em determinados momentos, estarei em excelente companhia.

A coisa mais linda

De todas as coisas lindas da vida –
E na vida não faltam coisas lindas –
A vida é sempre das coisas a mais linda.

Ora feliz, ora triste
Ora crente, ora descrente
Tudo permanece, tudo existe
Tudo permeia, tudo insiste
Tudo é porque é
Tudo é vivo
Tudo pulsa
Tudo.

Tenho medo de perder a vida
Não porque tenho medo da morte,
Mas porque há muita sorte
Em se poder ter a vida.

Que os sorrisos invadam!
Que as lágrimas corram soltas!
Pois tudo é parte das coisas lindas
E do privilégio que é poder achar que são lindas
As coisa mais lindas que são a própria vida.

As Sem-Razões do Amor – Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

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Drummond sendo Drummond: MESTRE!