Feliz Aniversário, meu irmão!

Meu irmão estaria fazendo 44 anos hoje. Se foi cedo, quando tinha apenas 8 anos (e eu 12). Ele sabe que tempo é distância são nada entre nós. Feliz Aniversário, Felipe Ottolini! ❤❤❤

Água

O dia nublado não me impediu de andar. O suor escorria pela minha face e fazia com que meus olhos queimassem como se estivessem literalmente em chamas. Sede. Máscara. Quiosques fechados. O calçadão da Praia de Icaraí definitivamente havia mudado. “Até quando? Será que algum dia tudo será como antes?”, eu me perguntava, e entretido nessas e em outras tantas perguntas, muitas delas sem resposta, eu continuava a andar.

Sem me dar conta, percorri 12 Km. Andar é meu vício. Acabei ficando com sede. Eu precisava beber alguma coisa. Água de coco era o meu desejo, mas onde comprar? Fui até uma lanchonete só para me dar conta que havia esquecido meu cartão de crédito em casa. “Merda!”, pensei. E agora?

O prédio dela era do outro lado da rua, mas aparecer sem avisar parecia arriscado. Resolvi usar meu telefone celular para cumprir o seu propósito original: telefonar.

– Sabe o que é? Estou com sede e em frente a sua casa. Esqueci meu cartão de crédito em casa… – disse eu meio sem jeito, só para ser interrompido.

– O velho golpe do cartão de crédito… Deixa de frescura e sobe! – disse ela às gargalhadas. Não me contive e ri também. Inevitável.

Entrei no elevador e me dei conta que, além de tudo, estava completamente descabelado, mas enfim… Já não tinha mais jeito. Eu precisava mesmo era de algo para beber e com certeza também de um banho! Tinha me esquecido desse “detalhe”.

Toquei a campainha e esperei um pouco. Nada dela atender. Toquei de novo, e percebi que a porta estava entreaberta. Novamente me flagrei no ritual do tirar o tênis, tirar a máscara, passar álcool em gel nas mãos, deixar o álcool em gel cair no chão, deixar o telefone cair no chão, passar álcool em nas mãos novamente… Essa pandemia realmente tinha deixado o básico do elementar muito mais difícil.

Entrei procurando-a. Ela me deu um susto! Estava atrás da porta, sorrindo, enrolada em uma toalha branca.

– Eu estava indo tomar banho quando você me ligou. Está aqui sua água. – disse-me ela com um sorriso aberto, enquanto estendia sua mão para me oferecer um copo cheio de água gelada. Uma mulher linda, me oferecendo um copo de água enrolada na toalha… Miragem no meio do deserto? Não. Era real. Estava acontecendo.

– Não quero atrapalhar… Vá lá tomar seu banho. – falei enquanto mirava o teto, completamente maravilhado com o prazer de um simples copo d’água.

E, de repente, ela cutucou minhas costas. Não disse nenhuma palavra. Apenas me cutucou. E quanto eu me virei para trás, não havia mais toalha. Ela estava nua. O sorriso continuava estampado em seu rosto. Apenas me estendeu a mão e disse:

– Estranha coincidência… Parece que você também está precisando de um banho! – e foi me guiando até o banheiro, enquanto eu reparava nas suas curvas. Havia um gingado, um algo diferente. Ela é muito sensual. Eu tenho certeza de que ela tem certeza disso.

Fui me despindo sem pressa. Ela dentro do box, de porta aberta, já com parte do corpo molhado, e eu em busca de uma pasta de dentes ou algo assim. Havia Listerine em cima da pia! Minha salvação! Ela riu alto com meu gesto inusitado.

– Sempre pensando nos detalhes… – ela me disse ao me puxar para dentro do box.

– Mas não são os detalhes que fazem toda a diferença? – respondi já com minhas mãos passeando pelo seu corpo. A resposta dela foi breve e veio no pé do meu ouvido, quase que como uma confissão:

– Safado…

O banho não foi muito rápido. Até porque começou como banho e virou algo mais. Muito mais. E continuou no quarto, o que eventualmente nos levou de volta para o banheiro, para só então irmos para a sala. Terminei como cheguei: com sede. Tive que pedir outro copo d’água.

Decidimos também pedir uma pizza. Eu efetuei o pedido por um aplicativo. Obviamente, a sacana teve que me perguntar se eu iria dizer novamente que esqueci o cartão de crédito em casa para ela pagar a pizza… Tivemos uma crise de risos. Foi difícil, mas conseguimos escolher a pizza: Zucchine.

Arrumamos a mesa (mentira – ela arrumou), e foi o tempo certinho da pizza chegar. Falamos sobre a vida, sobre alguns de seus processos, sobre minha vida louca de consultor, e não pude deixar de perceber o quão atenta ela estava ao que eu dizia. Ela fazia questão de ouvir palavra por palavra. E eu pagava na mesma moeda, claro, até porque ela realmente falava coisas muito interessantes. Não era um favor ouvi-la. Ela é uma especialista na sua área de atuação.

– Escuta… Você me diverte, sabia? Você vai do papo descontraído ao sério em segundos… Me olha nos olhos. Fala com desenvoltura. Você é bem diferente do que se encontra no mercado… – disse ela com um sorriso disfarçado.

– Sinceramente? Há muitos como eu. É só saber onde procurar… – disse eu diante de tantos elogios explícitos, quase que sem graça.

– Esse tipo de coisa a gente não procura. A gente simplesmente acha. – E me deu uma piscada enquanto se levantava para levar os pratos até a pia, usando apenas uma camiseta branca de algodão. Básica. Chique. Na dela.

Fiz questão de lavar os pratos (odeio lavar louça!). Fomos para o sofá. Barriga cheia, uma brisa agradável. Ela queria terminar de ver Dark, e eu já tinha desistido da série há tempos! Não disse isso, claro. Apenas adormeci na base do cafuné.

Antes de ir embora, tomamos um café. Ela acabou confessando que Dark a estava deixando entediada, mas que “iria ver até o final para poder criticar com propriedade”.

Perguntei se ela queria mais pizza. Eu queria. Enquanto eu esperava o Uber, peguei mais uma fatia com uma toalha de papel. Antes de sair, dei um abraço demorado e um beijo nela, e perguntei:

– Se eu tiver sede novamente, sem cartão de crédito, perto de sua casa, posso voltar outro dia?

– Sede ou fome. Eu sou muito caridosa! – e explodimos em uma gargalhada que ecoou pelos corredores do edifício.

É Deus – declamada por Michele Cruz

O que faz um artista não é a sua própria arte, mas a percepção que as pessoas têm dele. Toda vez que a Michele declama uma poesia minha, eu me sinto ainda mais no direito de me chamar de artista. Gosto do ritmo, da cadência que ela usa. Enfim… Ela também é uma artista. Sugiro que conheçam o trabalho dela no Instagram (link abaixo). 🙂

Poesia original: https://agorababou.com/2020/07/03/e-deus/

Hearts Breaking Even – Bon Jovi

Algumas músicas passam por mim desapercebidas, e depois de anos eu me dou conta da sua existência beleza por mera obra do acaso. Esse é um clássico exemplo. Bon Jovi realmente é o rei das baladas e a letra dessa música é um primor! Foge bastante do lugar comum “eu morreria por você”.
Nota 1000! Letra loga abaixo.

Hearts Breaking Even

It’s been a cold, cold, cold, cold night tonight
And I can’t get you off my mind
God knows I’ve tried
Did I throw away the best part of my life
When I cut you off, did I cut myself with the same damn knife
Hide my tears in the pouring rain, had my share of hurt and pain
Don’t say my name, run away, cause it’s all in vain

My heart’s breaking even, now there’s no use we even try
Hey I cried, Yeah I lied, Hell I almost died
Both got our reasons, let’s just fold the cards and say good-bye
It’s all right, just two hearts breaking even tonight

It’s been a long, long, long, long, long time
Since I’ve had your love here in my hands
We didn’t understand it, we couldn’t understand it
But, nothing’s fair in love and hate
You lay it all down and walk away , before it’s too late
We danced all night as the music played
The sheets got tangled in the mess we made
There in the stains , we remain,
No one left to blame

My heart’s breaking even, now there’s no use we even try
Hey I cried, Yeah I lied, Hell I almost died
Both got our reasons, let’s just fold the cards and say good-bye
It’s all right, just two hearts breaking even tonight

Go on, get on with your life, Yeah – I’ll get on with mine
Broken hearts can’t call the cops, yeah it’s the perfect crime
Twisting and turning the night keeps me yearning
I’m burning alive
I’m paying the price again
But I’ll see the light again

My heart’s breaking even, now there’s no use we even try
Hey I cried, Yeah I lied, Hell I almost died
Both got our reasons, let’s just fold the cards and say good-bye
It’s alright, just two hearts breaking even tonight

Oh I’m going, gonna walk out the door
Saying you don’t care for me anymore
That’s alright, just two hearts breaking even tonight

De outro mundo

Há tantas poesias e tantas memórias,
Tantas histórias que fazem o fim
Não ter fim.

E eu tinha medo disso.
Medo de ser consumido pelo passado,
Pelas recordações,
Pelos momentos muito mais do que felizes
Que vivemos juntos.

Hoje, não mais.

Aprendi tanta coisa,
Experimentei tanta coisa,
Vivi tanta coisa boa,
Cresci tanto a teu lado…
Como posso ignorar isso?

O fim foi estranho –
Sabemos disso.
Foi um fim sem fim,
E assim, precisei criar um,
E nele você foi abduzida por ETs.

Talvez eles estejam fazendo experimentos
E estudando o seu DNA,
Mas os ETs gostaram tanto de você –
Feito eu –
Que decidiram não te devolver.
Eu também não devolveria,
Confesso.

Talvez você esteja me vendo de onde está,
Mas isso não importa.
A menos que os ETs tenham lavado sua memória,
Sei que lembra das coisas como eu me lembro,
E isso que é o importante:
Mesmo ausente, ser presente na vida de alguém.

Que os ETs cuidem bem de você.
Você merece e sim, eu sei:
Você não é mais do meu mundo.

agorababou.com – OBRIGADO!

Ontem, o blog agorababou.com superou todas as visitas recebidas em 2019. Isso tem a ver com o meu trabalho e com o conteúdo que posto por aqui, mas também tem a ver com a pandemia e o distanciamento social. É a parte triste desses números, mas é a verdade.

De qualquer maneira, eu queria agradecer a todos que por aqui passam, quer seja acidentalmente ou com freqüência. Muitas vezes recebo comentários e até mesmo e-mails que sequer torno públicos, mas que mostram o quanto o que eu escrevo toca as pessoas nos mais variados aspectos, sendo que esse sempre foi o objetivo do meu blog. Chacoalhar as pessoas. Mostrar como eu enxergo o mundo.

Nesse sentido, o meu blog também é muitas vezes meu amigo e meu confidente. Através dele, sou capaz de estruturar meus pensamentos e entender melhor as coisas que eu sinto. O meu blog é humano, cheio de falhas e defeitos, mas cheio de sinceridade e de amor. Eu escrevo porque eu preciso escrever, e é um prazer saber que isso é apreciado por todos que me acompanham nessa jornada.

Meus sinceros agradecimentos! Muito, muito obrigado! Que Deus nos abençoe!

Lagunitas

O sábado chegou leve depois de uma noite muito bem dormida: quase 12 horas de sono sem nenhum pit stop. Há tempos um sábado não chegava com um compromisso para a noite. E não, não era uma festa infantil como de costume. Era um encontro para o qual eu havia sido convidado. Algo pessoal e intransferível. Eu já estava desacostumado e só de pensar nisso eu sorria… Meu coração acelerava!

Mandei uma mensagem para ela pelo Telegram dando bom dia. Perguntei se eu deveria levar algo para o nosso encontro à noite e a resposta foi firme: “Não. Você é meu convidado. Você vem, né?” Tudo que fui capaz de dizer foi um “Óbvio!”, que foi respondido com um emoji de sorriso. Eu consegui vê-la sorrindo do outro lado da tela. Eu também sorri.

Por algum motivo, ainda assim eu sentia que tinha que levar alguma coisa para o nosso encontro. Eu não sabia exatamente o quê. Perto da casa dela, havia um quiosque que vendia flores. Comprei um buquê bem colorido de flores do campo. Gosto de rosas, mas me pareciam muito formais para o momento. Eu queria algo bem informal e flores do campo sempre me passaram essa sensação. Eu precisava compartilhar a minha alegria.

19:55. Eu estava cinco minutos adiantado. Puxei conversa com o porteiro. Dei boa noite para um casal de idosos, e exatamente às 20:00 pedi para que minha presença fosse anunciada. Ele sorriu e disse para eu subir. Não dava mais para fugir, pensei eu, e também pensei que tudo que eu não queria era fugir. Eu sentia frio na barriga. Estava parecendo um adolescente. Mais um motivo para me fazer sorrir.

Não precisei tocar a campainha. A porta já estava entreaberta. Eu ofereci as flores a ela, ou melhor, pedi para segura-las porque eu tinha que tirar os sapatos, tirar a máscara, passar álcool em gel… Coisas da pandemia.

– São para você – disse eu enquanto entrava só de meias sala adentro para abraça-la. Abraço daqueles de urso, sem pressa. Sem nenhuma pressa. Tempo suficiente para o perfume dela ficar em mim. Nada doce. No ponto. Na medida. Aliás, ela é toda na medida, mas ninguém precisa saber disso. Só eu.

A cozinha era do tipo americana, e me sentei em um banco que me fazia sentir em um bar (saudades disso!!!). Ela preparava algo para comermos enquanto falávamos sobre a nossa semana. Antes que eu me desse conta, ela me ofereceu um copo de cerveja. Um copo apropriado para uma IPA. E o cheiro também também era de uma IPA. A temperatura perfeita. Como assim?

– Esqueceu que estou no seu Instagram? Lagunitas! – disse ela enquanto me mostrava a garrafa meio que fazendo pose de modelo. Eu decidi parar de sorrir de vez em quando e ficar só em um sorriso contínuo. Eu também estava recebendo flores naquele momento. Certeza.

– Mas vem cá… Esse encontro não era para ser sem álcool? Pelo menos foi essa a impressão que eu fiquei… – perguntei.

– Deixa de ser bobo, vai… O problema era a Tequila. Hoje, você vai de cerveja e eu vou de vinho. Assim, não vamos poder culpar a bebida por qualquer coisa que aconteça… – disse ela com a cara mais cínica do mundo.

Não me aguentei. Levantei rapidamente e a segurei pela cintura. A beijei com fúria. Ela merecia. Eu também. Ela tentou dizer algo. Eu a calei com beijos e a fui conduzindo até o sofá.

– Mas eu ainda não terminei a tábua de frios… – disse ela, com a respiração ofegante.

– E por que não podemos começar pela sobremesa? – retruquei.

E ela se entregou por completo. Eu também. Viramos um só de todos os jeitos e formas. De vários jeitos e formas. O perfume dela virou o meu perfume. O meu perfume virou o perfume dela. As roupas ficaram pelo chão. Os nossos desejos no corpo um do outro. Incrível. Inesquecível. Maduro. Safado. Quente. Suado. Sem pressa.

– E a tal tábua de frios? Bateu uma fome… – perguntei depois de um tempo. Eu tinha perdido a noção do tempo, inclusive.

– Fique aqui… Deixa que eu vou buscar. – ela me disse com os olhos brilhando, absolutamente radiante. A silhueta de seu corpo nu caminhando até a cozinha era deslumbrante. Simplesmente deliciosa.

– Você está me acostumando mal, sabia?

– Estou conseguindo atingir o meu objetivo, então! – disse ela em tom provocador.

Mais uma cerveja, mais uma taça de vinho. A conversa corria leve e solta. Piadas provocantes e pausas… Longas pausas onde as bocas se ocupavam com assuntos mais carnais e de forma alguma menos importantes. Era uma troca intensa de palavras, fluidos, energia, vida. Tudo muito real e intenso. Todos os sentidos mais do que aguçados.

Só depois de muito tempo me dei conta que havia uma playlist tocando. Anos 1980. The Smiths, The Police, The Cure, The Cult, Aerosmith, Bon Jovi. Tudo de bom. Tudo muito, muito bom. Cheguei a pensar que havia algo errado de tão perfeito que tudo estava, mas de dentro de mim surgiu uma voz muito contundente que acabou com todas as minhas dúvidas: “eu mereço”. E é verdade. Eu reconheço. Eu mereço.

Ela adormeceu nos meus braços e então dei-me conta de que já era Dias dos Pais. Peguei o telefone para enviar uma mensagem para a minha filha dizendo que eu chegaria mais tarde, mas ela interveio.

– Fica? – disse ela com um olhar irrecusável.

E eu fiquei (que sofrimento ficar!). Avisei a minha filha que chegaria pela manhã. Respondi a um inquérito antes de desligar o telefone (a relação da minha filha comigo é algo maravilhoso!), que terminou com um emocionante “Feliz Dia dos Pais!”

O dia começou como a noite terminou. Creio que não preciso entrar em detalhes. Ganhei uma escova de dentes e uma toalha. Tomamos café juntos. Ela foi visitar os pais. Eu fui me encontrar com a minha filha. Por volta das 16h00, uma mensagem no meu Telegram: “Feliz Dia dos Pais! Final de semana que vem tem mais!”. Nos falamos por 5 minutos ao telefone. Eu liguei. Ela precisava saber o quanto estava me fazendo feliz.

Dá para ser melhor do que isso? Não sei. Farei de tudo para descobrir. Prometo. Prometo para mim mesmo.

Dia dos Pais – 2020

Nesse dia tão especial para mim, por conta das circunstâncias, gostaria apenas de fazer um pedido.

Vamos rezar pelos pais que perderam seus filhos, e pelos filhos que perderam seus pais por conta dessa maldita pandemia. Ontem, chegamos a 100.000 mortos no Brasil. É tudo muito triste, muito duro. São famílias despedaçadas, cheias de dor, ainda sem entender ao certo o que está acontecendo. É um momento único para o nosso mundo, um momento de mudanças e transformações, ainda que eu perceba com clareza que grande parte da humanidade ainda não tenha se atentado para isso, o que só torna as coisas ainda piores.

Agradeçam a Deus por estarem vivos. Agradeçam a Deus pela vida de seus pais e de seus filhos. E lembre-se daqueles que não tiveram a mesma sorte. Hoje, eu quero honrar os que se foram. Só isso.

Que Deus nos abençoe.