Quase, de Sarah Westphal

Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase! É o quase que me incomoda, que me entristece, que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando… Fazendo que planejando… Vivendo que esperando… Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Duna, de Frank Herbert

Nenhum livro me impressionou tanto em se tratando de uma obra de ficção científica quanto Duna, de 1965. Lembro-me da velocidade com a qual eu devorava as páginas, tal como se fossem obstáculos me impedindo de descobrir a verdade, de entender e praticamente vivenciar o universo de Duna. Um mundo incrível, denso, que justamente por isso fez o livros ser o mais vendido do gênero de todos os tempos.

Depois, veio a música do Iron Maiden em 1983 (To tame a land, do álbum Piece of Mind), seguida do filme Duna em 1984, que contou até com a participação do Sting (The Police). Ambas as obras fazendo jus à majestral e épica obra de Frank Herbert. Ambas as obras imperdíveis.

Em dezembro de 2020, ao que tudo indica, será lançada uma nova versão do filme, que espero ser tão impressionante quanto o original. Por ora, entretanto, fiquem com a música do Iron Maiden, vejam o filme antigo e, obviamente, leiam o livro! É uma experiência única!

P.S.: O vídeo não oficial da música do Iron Maiden conta com cenas do filme de 1984. Casamento perfeito!

Câncer de Mama Masculino

Um dia, eu estava andando na praia e senti que meu mamilo esquerdo estava mais sensível do que o normal. Cheguei em casa e fiz um autoexame. Para minha surpresa, havia um nódulo bem abaixo do meu mamilo.

Fui na Internet procurar sobre o assunto. Minha tia por parte de pai morreu de câncer de mama. Sei que o assunto não é brincadeira. Eu já sabia que homens também poderiam ter câncer de mama, mas ali estava eu preocupado, meio que sem saber o que fazer, até porque era domingo.

No dia seguinte, corri para um mastologista. Ele me examinou e disse que não parecia ser câncer, mas algo conhecido como ginecomastia. Pediu uma mamografia e uma ultrassonografia para fechar o diagnóstico.

E lá fui eu fazer os exames. Vi-me diante de um monte de mulheres com possíveis problemas muito mais graves nas mamas. Sei que o câncer de mama masculino corresponde a cerca de 1% dos casos, mas e se eu fosse um desses 1%? Passava de tudo na minha cabeça. Era algo que realmente estava mexendo comigo.

Fiz a mamografia primeiro, e logo depois a ultrassonografia. A mamografia é um exame desconfortável, digamos assim. E eu pensando nas mulheres lá fora, esperando para passar pelo mesmo que eu. Lembrei das estatísticas e tal, e achei que Deus queria me mostrar alguma coisa. Eu ainda não estava certo do quê.

Da mamografia, fui direto para a ultrassonografia. A médica fez o exame e pediu para ver a mamografia. Com firmeza, me disse que era a tal ginecomastia. Alívio total, mas na minha cabeça só se passava como poderia ser se a médica tivesse dito que era algo mais grave…

Voltei ao consultório do médico e ele me disse que eu poderia tomar um remédio ou tirar o nódulo fora. “Vamos tirar isso agora!”, disse eu. E marcamos a cirurgia.

Fiz os exames pré-operatórios e marcamos a cirurgia. No hospital, lembro-me de brincar com as enfermeiras que se preparavam para as cirurgias da parte da tarde. Eram quatro salas de cirurgia. Havia eu e mais três cesáreas (sim, eu operei em um hospital maternidade). E para não perder o bom humor, falei em alto e bom som: “Só para deixar claro, o meu caso não é cesárea, tá?” Risadas sem fim, até que o anestesista me apagou.

Fiz a cirurgia e tal. Acordei ainda no centro cirúrgico. Muito louco da anestesia, querendo falar com todo mundo. Fui para o quarto ficar em observação e acabei voltando para casa durante a noite, na companhia de minha mãe (que ficou lá o tempo todo), e resolvi andar pela rua para o efeito da anestesia passar (coisa que o médico disse para eu não fazer).

Foram 15 dias com os pontos. Depois, a espera pelo resultado da biópsia. Quase 30 dias no total. Realmente, um lipoma (descobri isso faz uns 30 minutos). Nada demais. Eu estava livre!

E durante esse tempo todo, entre o descobrir o nódulo e receber o resultado da biópsia, eu fiquei tentando entender o que Deus estava querendo me mostrar, e isso ficou claro:

1 – Homens: essa doença não é apenas de mulheres. Há câncer de mama masculino! Portanto, façam o autoexame e procurem ajuda o mais rapidamente que puderem caso encontrem algo diferente nas suas mamas.

2 – Mulheres (e essa foi a parte mais importante): eu vivi de maneira rasa o que vocês vivem ou podem viver com 99% de chances a mais do que eu. Queria deixar clara aqui a minha admiração e carinho pela sua força, pela sua luta, na certeza de que começar a lutar contra a essa doença terrível o quanto antes é a melhor maneira de prevenir problemas mais graves. Façam o autoexame! Cuidem-se! E recebam o meu apoio incondicional. ❤

Maiores informações no INCA.