A mala

Demorei a desfazer a minha mala, porque eu sabia que desfazê-la era o mesmo que desfazer-me.

Fui tirando as peças de roupa e revivendo histórias, memórias. Deparei-me com porvires que nunca virão e com garrafas de vinho que jamais serão abertas. Brotaram declarações de amor tarja preta, beijos esquecidos e orgasmos retorcidos, sepultados sem choro e nem vela.

No fundo da mala, uma medalha de Nossa Senhora de Fátima e um paninho da minha filha, daqueles que crianças usam para dormir. Toda vez que eu viajava, ela colocava o paninho na minha mala e me dizia: “Leva esse paninho para você não se esquecer de mim!”

Fitei a medalha e levei instintivamente o paninho até meu rosto. Respirei fundo e me dei conta de que tudo que realmente importava na minha vida estava ali. Tudo vivo. Tudo sagrado. Tudo resguardado.

Fiz uma prece e usei o paninho para enxugar algumas lágrimas que insistiram em rolar pela minha face. Agradeci pela minha vida, pela vida da minha filha, pelo que deu certo e até mesmo pelo que deu errado. Simplesmente agradeci. Entreguei-me, por fim, a minha realidade burlesca.

Da alça da mala, retirei a etiqueta da companhia aérea. Lembrei-me do voo turbulento e da volta antecipada. Lembrei-me da turbulência em minha vida, mas voar continuava a ser uma necessidade premente. Não era opção. Era vocação. O próximo destino? Nas mãos de Deus.

Fechei a mala e a guardei em um canto do quarto. Coloquei a medalha na minha carteira e o paninho sobre meu travesseiro. Fui dormir mais tranquilo. Naquele dia, encarei o meu medo e ele covardemente me disse adeus.

Questão de sobrevivência

Nossas taças de vinho
No frio do inverno,
Nossos corpos nus queimando
Feito mil sóis no verão.

O beijo na boca,
A prisão entre as coxas,
O ritmado ir e vir,
O descompassar do coração.

Lençóis ensopados,
Desejos e impropérios,
Lascívia escancarada,
Peças de roupa pelo chão.

A tontura repetida do gozo,
A entrega sem mistérios,
A respiração ofegante,
Nossos fluidos em ebulição.

Se foi esse o dia mais frio do inverno,
Me diga,
Como sobreviveremos ao verão?

Vim trazer verdades 30

O que é defeito aos olhos de uns, é qualidade aos olhos de outros. Seja sempre quem você realmente é, e um dia a vida há de colocar a seu lado quem veja toda a beleza e o encanto da sua singularidade.

Eu quero

Eu quero fazer a diferença na tua vida,
Mas não quero te mudar.

Quero ser o confidente,
O amor, amante, o amigo,
A válvula de escape diante do desastre iminente.

Quero que saibas que vou lavar a louça,
Fazer compras, fazer faxina e cozinhar,
Lavar roupa e passar,
Porque por nós posso fazer
Tudo que for necessário.

Vou trabalhar e trabalhar muito
E ainda que o dinheiro não seja muito,
Entrega e amor nunca irão faltar.

Quero andar de mãos dadas contigo
Nas infindáveis caminhadas da vida,
Onde o caminho tem mais importância que o destino.

Quero que tenhas orgulho de mim,
Do homem que invariavelmente sou
E da mulher que invariavelmente és quando estás comigo.

Mas de tudo que eu quero,
Nada é mais forte do que o te querer
E nesse querer eu realmente me defino:
Te querer é o que eu sou.

E quero que sejamos bem assim normais,
Casuais e sofisticadamente simples,
E que nosso amor seja simplesmente
A coisa mais importante que existe.

Dia do Orgulho LGBTQIA+ – 2021

Dia do Orgulho LGBTQIA+: um dia simbólico diante do preconceito enraizado em nossa sociedade. Deveria ser também Dia da CORAGEM. Coragem de se assumir, de ser aceito e se aceitar, de tentar e de ser feliz. Dia de um monte de gente refletir e pensar: no que eles de fato são diferentes de mim? Não são diferentes, esse é o ponto, mas se a gente simplificar e chegar a conclusão que não precisamos brigar por conta disso, muita gente que se beneficia dessa briga vai ficar incomodada. Sim, há gente que lucra muito com isso!

Ei, você aí! Aproveite esse dia par sair do armário. Saia do closet se preferir. Tá faltando coragem, que você canaliza para a violência e o preconceito? 🤔

P.S.: TODAS as histórias de amor e o amor do qual eu falo nesse blog valem para toda e qualquer pessoa, independentemente de sua sexualidade ou orientação sexual.

Parque da Cidade – Niterói/RJ

Uma subida extenuante (pode ser feita de carro, mas perde e graça) para alcançar esse paraíso com temperatura de 18⁰ C (versus 24⁰ C na beira da praia) e uma vista absolutamente maravilhosa, que seria de 360⁰ não fossem as árvores (e que as árvores continuem por lá).

Mais do que recomendo a visita, quer seja para pular de asa delta/parapente, fazer exercícios/trilhas, tomar uma cerveja, comer no bistrô, passear com as crianças… Enfim… Curtir a vida. É simplesmente sensacional! 🙂

De quebra, fui novamente na Praia de Camboinhas e Deus me deu esses presente: uma coruja fazendo pose para foto!

Foi ou não foi um sábado mais do que abençoado? Obrigado, Deus!!! 🥰🥰🥰

Faith – Bruce Dickinson

É impressionante como as pessoas simplesmente não conhecem músicas e artistas que não sejam mainstream em programas de rádio e televisão.

Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, desenvolveu uma sólida carreira solo durante um determinado período (ainda não está claro se a carreira solo dele acabou, mas fato é que ele voltou para o Iron Maiden). Músicas sensacionais, letras profundas, etc. Resultado: NINGUÉM CONHECE.

Ok… É em inglês. Muita gente vai reclamar que não entende a letra e tal, mas a música é absurdamente sensacional. É só apertar o play. 🙂

You taught me to hate to love you
That’s because you love to hate yourself

Sem comentários… Divirtam-se! A letra está logo abaixo.

Faith, do disco Skunkworks

You knew I wouldn’t go, that’s why you threatened me
Would I stay?
Said I was sick and I’d be alone, said my mind was not my own
I didn’t learn…
You crawled up on your knees, a victim’s pretty-please
Would I stay? Would I stay? And I stayed…

How many more times till I broke down
From that guilty mess?
You taught me to hate to love you
That’s because you love to hate yourself

I wish it had a happy end, like the fairy tales pretend
There can be
But things are not the same when your life love was a game
Of make-believe
You’ve got everything you want, but not everything you need
And it’s true – you receive what you achieve

How many screaming fights, tears of rage, until it ended?
How many more times till I say who I am and don’t pretend?

How many more times till I broke out of that guilty mess?
How many more times till I say who I am and don’t pretend?