COVID-19: ciência, cautela e prudência

Há tempos, li um estudo em que se afirmava categoricamente que canhotos tinham maiores chances de morrer de infarto agudo do miocárdio. Era um estudo sério, feito em uma universidade conceituada. Eu, como canhoto, fiquei assustado. Tempos depois, foram olhar com mais detalhes o grupo que o cientista utilizou para fazer o estudo. Era de uma cidade na Inglaterra (não me lembro ao certo). A média mundial é de 1 canhoto para cada 10 habitantes. Na cidade específica onde foi conduzido o estudo, era algo como 2,5 para cada 10 habitantes. Logo, como ele utilizou uma média ponderada para chegar até os resultados, inferiu que os canhotos tinham mais chances de morrer. Não havia viés político ou algo do tipo. O estudo foi feito através de uma metodologia científica padrão. Entretanto, a amostra (grupo) era “viciado”. Logo, o cientista chegou à conclusões equivocadas.

Fast forward, aqui estamos no presente diante de um inimigo desconhecido. Diversas tentativas para tratar as vítimas do COVID-19 estão caminhando em paralelo. Algumas parecem mais promissoras do que outras. Entretanto, como todos os estudos ainda são extremamente recentes, o passar do tempo é que vai validar a eficácia de cada uma das alternativas. Dito isso, ressalto que, em tempos de “desespero”, tudo vale. Afinal de contas, se a vida já está por ser perdida, que diferença faz?

Há algo que me incomoda, entretanto. Dizem que administrar a cloroquina logo no início da doença evita que pacientes evoluam para um quadro mais grave. Eu entendo e reconheço isso como uma possível verdade. Por outro lado, só para citar um exemplo brasileiro, uma família com 10 pessoas (da minha cidade), sendo a mais idosa com 90 anos, foi infectada pelo COVID-19, não foi tratada com cloroquina, e todo mundo sobreviveu. Então, surge uma pergunta: se a cloroquina tivesse sido ministrada para os 10 membros dessa família logo no início da doença, e os 10 tivessem sobrevivido (como sobreviveram), seria esse caso contabilizado como um êxito do fármaco?

Ciência, cautela e prudência. É tudo que eu peço.

Bônus: vídeo em inglês que ilustra bem o que eu penso, do ano de 2016.

Diálogo com Deus

– Então, Senhor… Aqui estou eu, novamente, pedindo por…
– Eu sei pelo que está pedindo. E está pedindo há tempos!
– O Senhor fala comigo?
– Sempre. O problema é que, na maioria das vezes, você não me escuta.
– Como assim?
– Você pediu, rezou, implorou, se ajoelhou… Eu vi isso tudo. Cada palavra. Cada gesto. Cada intenção.
– E ainda assim eu não consegui o que queria…
– Você acha que eu sou uma espécie de restaurante “self service”, onde você pode pegar o que quer e ignorar o que não lhe apetece?
– Não é isso, Senhor… É que…
– Eu sei o que você quer. Esqueceu que eu sou onisciente? Também sou onipresente e onipotente. Espero que se lembre de tudo que leu e ouviu a meu respeito…
– Eu sei, eu sei, mas…
– Mas você está achando que é Deus! E não… Deus sou eu! E sou seu único Deus! Seu salvador! Sei que você acredita nisso!
– Sim, Senhor… Eu creio!
– Então, pare de fingir que é Deus!
– Como assim???
– Eu sei de tudo, meu filho. De tudo. E quero fazer umas perguntas… São perguntas retóricas, para deixar bem claro. Só que você está empacado feito uma mula e resolvi ajudar de forma mais direta.
– Ajude-me, então, Senhor! Diga-me o que fazer para conseguir que…
– Chega dessa ladainha! Eu disse que sei de tudo! Onde está a sua fé?
– Está aqui, nessa nossa conversa…
– E não está nas suas atitudes e nos seus pensamentos? Não está na sua maneira de olhar o futuro? Que fé é essa?
– …
– O que você gostaria de ter, de viver, vem do fundo do seu coração?
– Sim, Senhor, e eu sei que o Senhor sabe disso.
– Você fez tudo que estava a seu alcance para conseguir o que queria?
– Fiz sim… Na verdade, acho que tentei fazer até o impossível… Talvez mais do que eu deveria ter feito…
– Entendeu o problema?
– Não… O Senhor poderia elaborar um pouco mais?
– Eu estive contigo em TODA a sua jornada. Em cada passo, em todos os momentos. Eu conheço seu coração. Sei que há verdade e bondade no seu pedido, mas eu, como seu Deus, tenho o direito de nega-lo ou oferece-lo no momento em que EU julgar oportuno. Entendeu agora? Lembra do que falei sobre “self service”?
– …
– Eu ouvi conversas que você não ouviu! Eu vi coisas que você não viu! Eu conheço inimigos que você não conhece! Eu sei de coisas que você não sabe! Por que eu, como SEU PAI, daria a você, MEU FILHO, menos do que merece ou precisa?
– Mas, Pai… Eu preciso disso! Eu mereço isso!
– Você precisa de tudo que vier em meu nome e no tempo que EU achar adequado. Eu sou o senhor do seu destino. Eu sou a verdade e a vida. Há batalhas que só eu posso travar por você. Há portas que só eu posso abrir por você. E eu sei o que é melhor para você! Por que é tão difícil aceitar isso?
– Mas…
– Chega de mas! Chega! Você fez a sua parte e eu sei disso. Será que não percebe que é isso o que realmente importa? Chegou o momento de você descansar…
– Morrer?
– Vida eterna, se esqueceu? Mas nem é disso que estou falando. Você fez o plantio… É chegado o momento da colheita.
– Quer dizer que eu vou conseguir que…
– Não ponha palavras na minha boca! Eu disse que é chegado o momento da colheita.
– …
– Você não sabe o que é melhor para você. Eu sei! Descanse sabendo que seu Deus ouviu as suas preces! Mas eu não vou te dar o que você me pediu… Eu vou dar MUITO MAIS do que me pediu! Só espero que esteja pronto para receber o que vou dar…
– Como assim?
– Estou preparando você há tempos! Não se deu conta disso? Que tipo de pai deixa seu filho sofrer se não for por um bom motivo?
– Me preparar?
– Como você pode reconhecer a luz se nunca viu a escuridão? Eu quero que, no futuro, lembre-se dos seus dias de luta com muito orgulho, porque não há NADA que aconteça em sua vida que não esteja nos MEUS planos. Você é uma OBRA DE DEUS! Levante a sua cabeça! Olhe para o futuro! Não olhe para o passado que não é para lá que você vai! O que tiver que ser, será!
– Não adianta discutir com o Senhor, né?
– Não.
– Pois bem… Mas será que…
– CHEGA!!!
– Ok. Que assim seja!
– Até que enfim!

Guthrie Govan – Regret #9 – Guitar Solo

Sem dúvida alguma, Guthrie Govan é um guitarrista especial. Diria que é uma espécie de mago das guitarras, que faz com que o instrumento se transforme em uma perfeita extensão de seu corpo.

Esse solo em especial merece destaque. Que David Gilmour (Pink Floyd) é um excelente guitarrista, todo mundo sabe. De alguma forma, entretanto, Guthrie conseguiu entrar na “vibe” do David Gilmour. O resultado é assustador e arrasador! Puro feeling no meio de vibratos, bendings, hammer ons e pull offs de todos os tipos! É ver e ouvir para crer!

Inside your insides

I am present
But I am not public

I am here and there
Everywhere
Present
But not public

Memories
Dreams
Stories
Shivers
Chills
Fevers
Always present
But not public

You see, my darling
This is how it goes:
I don’t have to be public
To be present
And being present
Deep inside
Your insides
Requires much more depth
Than being public.

Volta e meia

Perdão:
É aquilo que fui capaz de lhe dar
Sem você ter sido capaz de pedir

E fiz isso por mim:
Para que minhas memórias –
Nossas histórias –
Me invadam
E me façam sorrir
Coisa que volta e meia
Acontece
Sem querer
Ou pedir

Não
Eu não fui um erro
Não

Em silêncio
Pergunte de mim
Para o seu coração

Você sabe disso
E talvez justamente por isso
É que tenha tanto medo –
Tanto receio –
De sentir
E para si mesma pedir
Perdão

A vida segue
E o que é
Prossegue
Longe do toque
Dos dedos
Impresso na alma
E talvez
Mais vivo que nunca
Na negação

Volta e meia…
Volta e meia…
Volta e meia…

Café com você

Quando tudo isso passar –
Seja lá o que tiver que passar –
A primeira coisa que vou querer
É tomar um café com você

E que seja com bolo de fubá
Cheio de erva doce
Para a gente aproveitar
Tudo que a gente sempre negou
Mas que a vida sempre quis que fosse.