Punas-me!

Silêncio…

Só consigo sentir os teus gemidos
Tuas coxas selaram meus ouvidos

Falar eu não consigo
E ainda assim com fúria te bendigo

Por que fazes isso comigo?

Teu ventre é um perigo
Mereço de fato este castigo?

Mereço
E pior do que isso:
Quero sempre mais

Punas-me!

Nocturne No. 20 C-Sharp Minor – Chopin

Essa noite, ouvi essa música tomando um “scotch” e dando umas baforadas em um charuto. Fez-me esquecer que eu estava nesse planeta por alguns instantes. Recomendo a experiência. Vou repeti-la. 🙂

Vim trazer verdades 18

– Nossa… Você me enlouquece, me deixa sem ar… Fico até com a sensação de que vou desmaiar… Nunca senti as coisas que sinto com você… Pode estar certo disso!

Qualquer homem com um mínimo de experiência ouve essas frases com cautela. Podem ser ditas apenas para deixar o homem feliz. Por outro lado, fazer amor é muito mais do que uma coisa carnal. Quando há amor, carinho, confiança, cumplicidade, intimidade, entrega e coisas do tipo, a coisa toda acontece em outro patamar. E sim, eu também sentia o que ela sentia, e achava tudo entre nós muito natural diante do amor que sentíamos um pelo outro.

Como era muito frequente ouvi-la dizer essas coisas (todas as vezes), um dia eu resolvi falar mais sobre o assunto.

– Da maneira que você fala, parece até que tenho algum tipo de super poder. Não tenho. E te digo mais… Tudo que acontece entre a gente, que de fato é maravilhoso, é algo só nosso, que já existia em você, que já existia em mim. O amor que sentimos um pelo outro faz as coisas acontecerem dessa forma.

– Mas se já existia, por que demorou tanto tempo na minha vida para eu sentir algo assim? Nunca senti nada nem perto disso… Tudo é novidade… Tenho vontade de fazer coisas que nunca pensei que fosse fazer nada vida…

– Eu acredito – retruquei – até porque eu também sinto isso. Sinto exatamente a mesma coisa. Aliás, andei pensando sobre esse assunto esses dias e encontrei a resposta. De nada adianta um homem ter uma Ferrari se não souber como pilota-la.

– Não entendi… O que você quer dizer com isso? – ela era pura curiosidade ao fazer essa pergunta. Chegou a se afastar de mim e a me encarar para fazê-la.

– Você é uma Ferrari. Só faltava encontrar o piloto certo.

Ela me encarou por alguns segundos, e me beijou profundamente. E mais uma vez, foi tudo como nunca, como era sempre entre a gente.

Decreto

Revogo todas as músicas que dediquei a você

Decerto, haverá (ou já há) quem verdadeiramente as mereça

Abro mão de todas que a mim foram dedicadas por você. Puro protocolo.

Publique-se. Revoguem-se todas as merdas anteriores.

Foge não!

Vem cá…
Senta aqui…
Não fuja mais de mim!

Estou pronto!

Me conta tudo que eu nunca quis ouvir
Me deixa te sentir por completo
Em todas as partes do meu corpo
Em todas as minhas células
Pulsando pelas minhas veias
Não tenha dó de mim!

Cansei de te evitar
Cansei!

Vem cá, verdade…
De verdade:
Foge não!

A Love Bizarre – Michael Hedges & Prince + Sheila E.

Conheci essa música através do mestre Michael Hedges. Sempre fui apaixonado pela letra e pelo fato dele transformar o violão em um instrumento também percussivo, passando pelas praias do New Age. Depois, descobri a versão original, que é do Prince e da Sheila E., que são de fato os compositores (dois MONSTROS por sinal).

Duas versões, dois absurdos, e dois mundos completamente diferentes. O melhor deles? Não faço a menor ideia e essa é a melhor parte. 🙂

Letra logo após os vídeos.

The moon up above, it shines down upon our skin
Whispering words that scream of outrageous sin
We all want the stuff that’s found in our wildest dreams
It gets kinda rough in the back of our limousine

That’s what we are, we all want a love bizarre
That’s what we are, we all want a love bizarre

A strawberry mind, a body that’s built for two
A kiss on the spine, we do things we never do
Swallow the pride and joy of the ivory tower

We’ll dance on the roof, make love on a bed of flower
That’s what we are, we all want a love bizarre

The moon up above, it shines on upon our skin
Whispering words that scream of outrageous sin
We all want the stuff that’s found in our wildest dreams
It gets kinda rough in the back of our limousine

That’s what we are, we all want a love bizarre
That’s what we are, we all want a love bizarre

NUNCA

Eu me lembro do quanto era fantástico fazer amor com você
Você dizia e fazia que me amava, e eu a amava integralmente, totalmente –
Parecia que de fato nos amávamos –
E todas as vezes que nos deitávamos era assim

TODAS

Cada toque meu em seu corpo, por mais safado e absurdo que fosse
Também era sempre um profundo gesto de amor e reverencial respeito
Fui fiel a você em toda e qualquer circunstância
Mais do que isso, fui fiel a mim e a meus sentimentos
Você era para mim a personificação do sagrado feminino

SEMPRE

Mas, se aquela com a qual me deitei tantas vezes era só uma projeção ou espelhamento dos meus desejos
Uma persona criada para tirar de mim o que eu sou capaz de ser e fazer somente quando amo e acredito que sou amado
Sou obrigado a reconhecer que eu jamais me deitei ou fiz amor com você
E as consequências disso são inevitáveis e inadiáveis:
Em tempo algum me teve ou foi por mim amada de verdade: sequer sei quem é você

NUNCA.