Eu rumo

Hoje, reparei nas nuvens

Há tempos não fazia isso

Céu azul de inverno

Nuvens como se fossem de algodão

Sendo levadas pelo vento

 

Deixou-me curioso a sua leveza

Enquanto nuvem, à mercê do vento

Indo como se soubesse a direção

Ignorando sua própria existência

Seu motivo e razão

 

Nuvens claras nos dias de sol

Escuras nos dias de chuva

Livres

Felizes

Indo para não se sabe onde

 

E pensei que eu também gostaria de ser nuvem

Eu queria ir…

Ir…

Mundo afora, sem porque ou motivação

Descobrir aonde o vento faz a curva

E ser insubstancial, nada urgente

No inverno e também no verão

 

Mas há quem nasça para ser nuvem

E há quem nasça para ser vento

 

Eu sou vento!

 

Da brisa suave

Até qualquer grande tormenta

Eu carrego

Eu levo

Eu movo e removo

Eu faço o que tiver que ser feito

Eu simplesmente não me contento.

O Cristianismo, Bolsonaro, a COVID-19 e a HCQ

Quando um cristão deseja que seus inimigos ou algozes vivam por muito tempo, é por dois motivos principais:

1) Para que as suas farsas sejam descobertas;
2) Para que sirvam de exemplo e tenham tempo suficiente para o arrependimento antes da morte.

Ao fazer 2 eletrocardiogramas (ECGs) por dia por conta de estar com a COVID-19 e estar se tratando com HCQ, a farsa bolsonarista se desmonta de uma vez: qual cidadão brasileiro pode fazer 2 ECGs por dia por conta de estar tomando um medicamento, quer seja na rede pública ou privada? Os que estão internados e, ainda assim, nem todos. Qualquer pessoa que conheça minimamente o SUS sabe disso.

Mas a farsa não para por aí… Se é seguro e sendo o Bolsonaro o garoto propaganda da HCQ, por que ele está fazendo esses exames? O discurso dele vale apenas para os outros, ou seja, para nós? Se fosse seguro como ele insiste em dizer, ele simplesmente não faria os exames. Ponto.

Mas a farsa ainda não acaba por aí… É comum os hospitais mandarem os pacientes com suspeita de COVID-19 para casa com a recomendação de retorno apenas em caso de piora. Isso é exatamente o contrário do protocolo que está sendo seguido pelo Bolsonaro diante da doença: ele está sendo tratado precocemente e está sendo monitorado por todo um corpo médico com acesso a equipamentos e insumos de primeira linha (médicos não fazem milagres sem o básico do básico, que muitas vezes falta no SUS).

Enfim… Toda a narrativa sobre o uso seguro da HCQ acabou, quis o destino, pelas mãos de quem mais a defendeu. E justamente por isso é que não temos até hoje um médico como Ministro da Saúde. Médicos não vivem de discursos. Precisam da ciência.

Barstool Warrior – Dream Theater

E eles mais uma vez mandaram bem (para variar)! Letra e música irretocáveis! Os solos melódicos do guitarrista John Petrucci são de babar! 🙂

 

Barstool Warrior

In a dark and lonely corner, all the time in Dark-side inn
Sits a local barstool warrior, talking to his gin
Treating past decisions, he motions for a shot
Is he doomed to be a man this world forgot?
Just a prisoner of the monster on his back

Call it bad luck, call it fate
Call it stuck here the rest of my days
Serves me right, what went wrong
And where do I belong?

In the glow of flashing lights, on the shoulder of the road
Clutching at the bruised and tired skin
She tries to signal danger with anguish in her eyes
Will he see the world of pain she’s in?

Or is it too late?

Was it bad luck, was it fate
Or a past that she couldn’t escape?
It’s not right, something’s wrong
Just where do I belong?

Promises made, crying in vain
All empty, never accepting the blame
And not letting go of the shame
A river of tears, as months turned to years
All wasted on someone not willing to change
Now only a shadow remains

No one can save you
And there’s no one to see
It has been written
You will become all you think, all you feel, all you dream

Now I’m cutting the anchor away
And I won’t look back
I’m starting a new life today
Now I see where I belong

É Deus

Já não carrego mais lembranças

Levo comigo os esquecimentos

Que insistem em dar seus ares

Vez ou outra

 

Ressignifiquei momentos

Bati prosas com o espelho

Guardei meu nariz vermelho

Fugi do circo

 

Ainda carrego certa culpa

De ter gasto tanto tempo

Admitindo o inadmissível

Vivendo a vida sem viver

 

Mas agora, vida afora

Vida aflora dos cacos de outrora

Aos poucos me reconstruindo

E meu restaurador tudo pode:

Ele é Deus.

Coração tranquilo

É fácil

Olhar para o outro

Julgá-lo e condená-lo

Sem sequer ouvi-lo

 

É fácil

Ser injusto

Fechar os olhos e ouvidos

Ignorar sentimentos e distorcer sentidos

 

É fácil

Dar as costas

Ignorar os fatos

Distorcer o passado que já serviu de abrigo

 

É fácil

Sempre será mais fácil

Eximir-se de culpa

Ferir quem já está mais do que ferido

 

Mas o tempo tudo mostra

E revelar-se-ão as respostas

As intenções e as propostas

Do fundo de um coração tranquilo

 

Se a cruz for ter amado –

Em nome de Deus, ter amado –

Ainda que o amor seja negado

Permanece vivo, sagrado e sossegado

Nos feitos e atos de um coração tranquilo.

Educação no Brasil

Pouco se fala da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio no Brasil. Por algum motivo, o foco do governo atual e dos anteriores estava/está no ensino superior, que é a ponta do iceberg.

Atacar o sintoma e não a causa não me parece ser algo inteligente. São 3 anos de educação infantil (sem contar com os anos de berçário), 9 anos de ensino fundamental, e 3 anos de ensino médio, para um total de 16 anos (pelo menos), e a “culpa” está no ensino superior, sobretudo nos cursos de Ciências Humanas?

Ainda mais curioso é que esses 16 anos que antecedem ao curso superior são justamente os anos onde se formam os valores do indivíduo, bem como a maneira como ele vê e se relaciona com o mundo e com seus semelhantes. Acima de tudo, é nesse período que se desenvolve a moral e o caráter do indivíduo, ou seja, a sua capacidade de diferenciar intenções, decisões e ações entre aquelas que lhe são distinguidas como próprias e as que são impróprias, e, em última análise, a própria capacidade do indivíduo de diferenciar o bem do mal.

Sim, grande parte desses 16 anos são passados na escola, mas cabe lembrar que não é responsabilidade da escola educar as crianças, mas sim escolarizá-las. O filósofo Mario Sergio Cortella faz uma distinção clara entre educar e escolarizar, sendo a escolarização apenas parte do educar, que na sua totalidade é de responsabilidade dos pais.

Dito isso, parece não restar dúvida que cabe aos pais uma participação ativa na educação de seus filhos que, repito, não é de responsabilidade da escola. Pelo contrário. E assim sendo, me pergunto: quantos pais de fato se interessam pela escolarização de seus filhos? Quantos pais tentam entender as propostas pedagógicas das instituições em que seus filhos estão matriculados, para verificar se os valores da escola estão alinhados com os valores da sua célula familiar? Pela minha experiência, digo que são poucos, realmente poucos. Enfim.

Em suma, creio que o papel dos pais precisa ser repensado, pois é justamente na sua ausência que se proliferam ideias diversas, quer seja para o bem ou para o mal. Não faz sentido esperar frutos bons de árvore podre, assim como não faz sentido confundir sintoma com causa.

A prioridade do Ministério da Educação não deve ser os cursos superiores, mas todo o longo percurso que os antecede. Enquanto não admitirmos que falhamos sistematicamente enquanto país e pais nesse sentido, jamais veremos qualquer progresso ou equiparação com o mundo desenvolvido.

Destemendo-me

Longe da presença dos outros

Diante da minha inevitável presença

Tornaram-se inadiáveis os questionamentos

As razões de ser, de viver

 

Quem sou?

Por que sou?

Por quem sou?

Será que sou por mim?

 

E em meio ao bombardeio de perguntas

Jorram aos borbotões as respostas

E sobre elas pairam dúvidas:

Será que eu mesmo as forneci

Ou será que só as repeti

Como tantas outras vezes fiz?

 

Passou da hora de eu mesmo me conhecer

Por mim

Eu devo isso a mim

É corolário para a plenitude da minha vida

 

Prefiro viver cheio de verdadeiras dúvidas

Do que repleto de falsas certezas

Quero as cartas sobre a mesa

Quero os pés no chão

Quero mudar ou formar opinião

Quero transformar os pesos em leveza

E desfazer todas as ilusões

Estoura-las feito bolhas de sabão

 

Não é possível fazer isso sem dor

Sem definitivamente me responsabilizar

Sem aceitar as coisas como são

Sem perdoar-me e sem pedir perdão

 

Não fui nem tão bom e nem tão ruim

Nas mais diversas situações

Eu simplesmente fui o que sabia ser

E toda essa minha derradeira imperfeição

Aqueceu e acendeu meu coração:

Há muito para conhecer

Muito para desaprender

Muito para evoluir

 

Ainda estou em processo

Não cheguei ao fim

Sequer sei se já cheguei ao começo

Mas, hoje, já posso afirmar:

Um dia, eu já temi a solidão

E só a temia por temer-me.