No tempo certo

Eu cheguei tarde demais até você, porque a vida estava me forjando, me moldando, aparando minhas arestas, tirando faíscas de mim. Demorou um tempo, mas tinha que ser assim. Eu não estava pronto. Agora, sinto que estou.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu tive que aprender como é viver em um mundo de promessas que nunca são cumpridas. Eu estava aprendendo como não se deve fazer e como se sente quem vê morrer as suas expectativas com mentiras à queima-roupa. Precisava aprender para jamais repetir isso.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu tive que entender que a beleza que vem de dentro é muito mais importante do que a de fora. Que o tempo que castiga o corpo é o mesmo tempo que matura e floresce a alma. Que a inteligência e a fluência verbal são qualidades inebriantes. Que a integridade e a leveza da essência são afrodisíacas. Eu precisava ter isso muito claro, transparente dentro de mim. E assim foi.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu estava aprendendo que sexo sem amor e sem intimidade não faz sentido, e que preliminares são as conversas do dia a dia, o companheirismo, o afago, a cumplicidade, o carinho, a presença e que o resultado disso tudo é o tesão, é o sexo. Hoje, eu sei e sinto que precisa ser assim.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava entender que lealdade é condição sine qua non para um relacionamento dar certo. Que a traição, ainda que não descoberta, é o fim de um relacionamento, e que ama de verdade é absolutamente incapaz de trair.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava viver cheio de dinheiro no bolso, perder quase tudo e reconstruir minha vida do zero, para então dar valor ao que de fato importa. Eu precisei perder o que não tinha valor algum para dar valor ao que realmente tem. Sim, estou falando do amor. Dinheiro é meio e não fim.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava entender o que é o amor. O que é amar e ser amado. O quão sublime e verdadeiro é amar por atos muito mais do que por palavras. O que é amar pelo prazer de amar, e amar na certeza de que o amor pode e deve ser infinito na medida em que permaneça recíproco, alimentado por ambos dia após dia.

Eu cheguei tarde demais até você e tudo que eu tenho para oferecer são promessas repetidas, bordões e clichês, que já foram ditos por outros antes de mim.

Eu cheguei tarde demais até você, mas eu cheguei. Perceba minha chegada com todos os seus sentidos. Me sinta! Eu demorei, porque apesar de eu esfar me preparando para você, de alguma forma, você também estava se preparando para mim.

Eu não cheguei tarde e nem você. Tenha certeza disso.

Deus não tem nada a ver com isso!

Não culpe Deus por não fazer a parte que não lhe cabe fazer.

Então, você tem rezado com os joelhos no chão. O que você espera que Deus faça? Que se manifeste fisicamente e resolva os seus problemas? Que diga para os outros o que precisa ser dito? Que termine o que não está dando certo para que algo novo se inicie? Que force você a se amar, a se respeitar, e a dizer não para o que te faz mal?

ISSO CABE A VOCÊ! O trabalho de Deus é inspirar, incomodar, indicar, intuir, esclarecer, guiar… Deus manda a resposta, mas o livre arbítrio é teu. É você quem decide o que fazer com a resposta e não Deus.

“Ah! Mas Deus não está me respondendo…” Não minta para si mesmo, vai… Deus SEMPRE responde. A questão é que muitas vezes a resposta é diferente daquela que você esperava, nem por isso deixa de ser uma resposta divina.

Reze de joelhos no chão se for o caso, mas prepare-se para ouvir o que você não quer ouvir e para ver o que você não quer ver.

Enquanto você fingir que acredita em Deus apenas quando a resposta que recebe bate com a sua vontade, é como se Deus não existisse. E Deus existe SEMPRE!

E aí? Vai continuar fingindo que não recebeu nenhuma resposta?

Nossa Senhora de Fátima – 2021

Ave Maria, cheia de graça, 
O Senhor é convosco, 
Bendita sois vós entre as mulheres 
E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. 
Santa Maria, Mãe de Deus, 
Rogai por nós pecadores, 
Agora e na hora da nossa morte.

Amém!

Hoje é o seu dia! Obrigado por tudo, minha mãe! Muito, muito obrigado! Nós bem sabemos do tanto que Deus tem feito em minha e por minha vida! 🌹🌹🌹

Dia das Mães – 2021

Nenhuma mãe é perfeita, mas ser um filho ingrato e abandonar a sua mãe por qualquer motivo que seja é injustificável.

Pega o telefone. Vai lá e dá um abraço. Compre flores. Se ela já se foi, faça uma prece. Aceite-a. Sinta-a. Ela é sua mãe e nada no mundo será capaz de mudar isso. É uma lei da natureza, de Deus.

E seja filho no dia a dia. Todos os dias. Sempre. Honre o seu passado e a sua história. É o mínimo que você pode fazer por quem lhe deu a vida.

Feliz Dia das Mães para todas as mães do mundo!

Lágrimas e Deus

Eu aprendi que todas as vezes em que as lágrimas rolavam fartas em meu rosto, eu me conectava com Deus.

Depois, eu aprendi que as lágrimas que rolavam fartas em meu rosto eram uma maneira da qual Deus se utilizava para se conectar comigo.

Mais tarde, aprendi que se eu me mantivesse em conexão constante com Deus, as lágrimas que rolavam fartas em meu rosto sequer eram necessárias.

E foi aí que eu entendi tudo. Foi aí que eu entendi o quanto era, é e sempre será importante e fundamental a minha conexão com Deus.

Deus me livrou das lágrimas através das lágrimas. Ele tudo pode. Ele é Deus.

Creche Aquarela Berçário – Luto

Não sei o que dizer de um “ser humano” que invade uma creche e mata duas adultas e três crianças. Dezoito anos e cinco homicídios nas costas… Vítima da sociedade ou um psicopata que nem merecia estar vivo?

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/05/homem-mata-ao-menos-5-pessoas-em-ataque-a-escola-infantil-no-oeste-de-sc.shtml

Pelo que sei, a professora morreu como uma heroína tentando evitar que outras crianças fossem mortas. Diante de tamanha covardia, a grande verdade é que não havia muito o que pudesse ser feito. Um ato bárbaro, sem perdão. Nunca a violência será uma resposta. NUNCA!

Que Deus receba todas essas almas de braços abertos. Luto.

Paulo Gustavo – Luto

“Amar é ação. Amar é arte.” – Paulo Gustavo

Meu conterrâneo… O final do primeiro filme foi no Campo de São Bento. Você ia na padaria que eu tanto amo. Você estudou no mesmo colégio que eu. Dona Hermínia mora pertinho aqui de casa! Quem te deixou ir assim? Como assim? Por quê?

Um abraço fraterno para o seu companheiro e para a sua família. Você era alegria e a alegria nunca morre. Obrigado por tudo! Mesmo assim, tá doendo, cara… Tá doendo.

Minha filha: “Grande parte das pessoas que está lamentando a morte do Paulo Gustavo sai com os amigos e vai para festas clandestinas, matando pessoas que nunca aparecerão na TV.”

Eu: “Se você acha que o Paulo Gustavo merecia morrer “por não ter encontrado Jesus”, a única coisa que você me diz é que você muito menos.”

Alice

Eram umas 4 horas da manhã. Eu tinha acabado de deixar a Alice na casa dos parentes. A nossa noite tinha sido para lá de especial. Eu estava feliz e ela também. O ano era 1995.

Eu estava voltando do Rio para Niterói dirigindo. Sempre gostei de dirigir na Ponte durante a noite. Não lembro qual rádio eu estava ouvindo, mas me lembro bem da música: “See you on the other side”, do Ozzy Osbourne. Até achei estranho ouvir a tal música na rádio, mas achei que era um presente de Deus ou algo assim. Apenas a senti e continuei a admirar a paisagem. Eu dirigia devagar. Eu queria que aquilo tudo que eu estava sentindo durasse para sempre.

A Alice morava em Goiânia/GO. Vinha para o Rio de 15 em 15 dias com os pais. Eles não sabiam que a gente se encontrava. Ela dizia que saía com as amigas, mas lá estava eu religiosamente buscando-a. Carro emprestado por um amigo. Eu mal tinha dinheiro para a gasolina, mas dava meu jeito digitando textos, programando… Eu fazia um pouco de tudo para poder comer uma pizza com a Alice, tomar um sorvete e coisas do tipo. Acima de tudo, eu gostava muito da companhia dela e achava o seu sotaque delicioso, envolvente, diferente.

Eu não tinha celular e nem ela. Ela tinha o número da minha casa e eu tinha o número da casa dela. Apesar disso, eu nunca tinha ligado para a sua casa. Afinal de contas, os pais não sabiam e era algo que eu respeitava. Era sempre a Alice que me ligava (e tenho certeza que os pais dela deveriam se tocar das fortunas gastas com o DDD).

Quando chegava de volta em Goiânia, a Alice me ligava. Algumas vezes era só para dizer que tinha chegado bem. Coisa de minutos. E naquela segunda-feira, ela não me ligou. Somos “criaturas de hábitos” e aquilo me deixou de orelhas em pé. Preferi ignorar. Me ligaria mais tarde. Certeza.

A segunda-feira foi embora sem nenhum telefonema. Tive dificuldades para dormir e ao mesmo tempo a certeza de que ela me ligaria no dia seguinte. E ela não ligou. Cheguei até a testar o meu telefone para ver se estava funcionando e de fato estava. Pensei em ligar para a casa dela e me lembrei de seus pais. Lembrei do nosso beijo de despedida e tive a certeza de que não havia nada de errado entre nós. Havia de fato algo de errado, só que eu não sabia o que era.

Não dormi de terça para quarta-feira. Antes do meio dia da quarta, resolvi ligar para a casa dela. Pensei nos pais e resolvi ligar mesmo assim. Sei lá… Eu diria que era um amigo ou algo do tipo.

– Bom dia! Eu poderia falar com a Alice, por favor?

Uma voz masculina me respondeu.

– É o Fábio quem está falando?

Eu estremeci. Não sabia o que dizer ao certo.

– Sim, sou eu. É o pai dela quem está falando?

Silêncio do outro lado da linha. Ouvi um suspiro profundo.

– Sim, Fábio. Sou eu… Ela me falou de vocês durante o voo de volta para Goiânia.

– Olha… O senhor me desculpe… Eu queria contar, mas ela achou melhor deixar para depois…

Novo silêncio, até que a voz embargada de um homem me respondeu.

– Ela faleceu, Fábio. Morreu em um acidente de carro terrível enquanto ia para a faculdade.

Eu explodi em lágrimas. Não era possível! Será que eu tinha ligado para o número errado? Será que estávamos falando da mesma Alice?

– Eu ia te ligar para dar a notícia, mas imagino que saiba o quanto está sendo difícil para nós lidar com isso tudo…

Eu não conseguia dizer nada. Só chorava… E ele complementou.

– Ela tinha dito que queria se mudar para o Rio… Que queria continuar os estudos aí… Ela me disse que estava apaixonada… E era por você, Fábio. E eu não te conheço, rapaz… Mas saiba que ela se foi assim, com você no coração…

Não lembro do que falamos depois disso. Nada. Nem uma palavra. Sei que desliguei o telefone e fui para a rua. Enchi a cara. Nem sei como cheguei em casa. Só sabia que a Alice tinha ido embora.

E então me lembrei da música e a música se tornou uma prece. E a Alice sabe, onde quer que ela esteja, que mais de 25 anos depois não há uma única vez em que eu ouça essa música sem lembrar dela, sem lembrar de nós, e novamente explodir em lágrimas.

Não sei se daria certo. Éramos muito jovens, mas também era fato que estávamos apaixonados. E foi com a Alice que eu aprendi que tudo que importa é o hoje, porque o amanhã de fato pode não existir.

Dedico essa música a ela e peço a quem me lê: ame como se fosse o último dia, porque de fato pode ser.

I will see you on the other side, Alice.