Um belo vestido

Um belo vestido

Uma bela festa

A melhor bebida

A melhor comida

 

Um coração rouco

De tanto gritar por socorro

Um coração morto

Apesar de ainda vivo

 

Esconda-se no perfume, na maquilagem

No sorriso plástico, no corpo perfeito

Esconda-se, não deixe que eu ache

Para que se desnude sem rodeios

 

E por fim, quando o cansaço chegar

Sozinha ou acompanhada

Em todo e qualquer lugar

Um nome e um amor que consome

Que chegou sem pressa e sem avisar

E sem permissão ou consentimento

Decidiu que vai ficar.

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Ninguém

Quando eu era criança

Eu tinha medo de dizer as coisas

E agora que não tenho mais medo

Não há ouvidos para ouvi-las

 

Ninguém me ouve

Gritar não adianta

Ninguém me ouve

Ninguém

 

Talvez virar adulto seja isso

Ou talvez o mundo seja

Bem pior do que pode

Imaginar uma criança

 

Ninguém me ouve

Ninguém

 

Fui criança

Fui esperança

 

Ninguém me ouve

Ninguém

 

A solidão acompanhada

É a mais dura pena

Que pode ser imposta

A um ser humano

 

Quando ninguém me ouve

Eu me torno ninguém

Nem eu me ouço

Ninguém.

alone