Só um café?

Há dias em que adio

E tenho medo…

E ainda assim

Mais do que desejo

Sabes que tenho fé

 

E se não for só um café?

E se forem ruídos

E gemidos

Corpos ardentes

Despidos

Chama que me chama

Almas que se encontram

Que fazem sentido?

 

Insisto!

 

E se não for só um café?

E se for tiramisu

Lambido sobre seu corpo nu?

Diante de seus olhos e cabelos

Os motivos de todos

Os meus infinitos desesperos

E se também for doce

O que transborda do seu corpo

E me lambuza como se fosse –

Como de fato é –

O melhor que a vida já me trouxe?

 

Desisto!

 

Que não seja só um café!

Que seja como Deus quiser

Que no meio do espresso

Seja por nós dois expresso

O inconfesso

O incontroverso

Nosso direito de ter

E de ser

Nosso próprio

E incontido

Universo

 

Almas unidas por um café

Amor

Paixão

Ou simplesmente

Naturalmente

E absurdamente

Vulgar sexo.

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Vomitando sentimentos

Há sentimentos e aspectos do que somos tão profundamente escondidos em nossas almas, que só podem ser compartilhados, quer seja por vontade ou necessidade, através do vômito.

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Na base da força

Só sei do que sentes

Porque entre um orgasmo e outro

Tua mente não faz mais nada

Além de se despir

 

Não que teu corpo nu revele pouco

Mas nunca quis só isso

E sabes bem disso

Pois minha mente para ti está sempre despida

 

O que eu quero tens por dentro

Mistura de perfume e veneno

Que aprendi a degustar, saborear

E que por por mais que eu me acostume

Queima-me sempre –

Onde jaz meu sistema imune?

 

Pudera…

Até eu estava cansado do meu azedume

Eu já não sentia graça como de costume

E tu estavas lá – Onde?

Nem eu sei

Mas me chamavas para voltar

 

E eu vim a força –

Na tua força, já que eu não tinha

Nada além do insuficiente

Para carregar minha carcaça carente –

Ardente, água ardente, aguardente

Sedento por amor, por vida

 

Vivo…

E ainda assim, castigo!

Longe ou perto, tanto faz

Sempre completamente despidos

Corpos e almas unidos

Por alianças e sonhos

Avassaladoramente eternais.

forca-de-vontade

Afasia sentimental

Ando pelas ruas procurando o teu rosto

Tentando sentir o teu perfume

Talvez ouvir a tua voz

Quem sabe?

 

Eu sei

Não estás aqui

Não sei onde estás

Mas isso não encerra minhas buscas

 

Em outros rostos

Em outros perfumes

Em outras vozes

Eu me afundo

E te esqueço

Por não mais que alguns segundos

 

E depois, sinto-me traído

Nem um pouco embevecido

Não houve amor ou prazer

Não houve o que me faz te querer

 

E sigo nesse rotina fatigante

Quem sabe, um dia…

Na esquina da minha teimosia

Eu te encontre?

 

Ou quem sabe um dia

Quando formos apenas almas

Cercados por anjos a baterem palmas

Possamos nos reencontrar e viver

Curados dessa sentimental afasia.

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