Se algum dia eu deixar de te amar

Se algum dia eu deixar de te amar,
Meu grande amor,
Saibas que serás a primeira a saber.

Dói-me pensar nisso,
Mas é porque contigo penso em tudo,
Por mim e por ti.

Se todo este amor que sinto,
Se toda esta paixão que me aquece,
Um dia for embora, acredite:
Eu serei o primeiro a por isso sofrer.

Porque não está e nem nunca esteve
Nos meus planos mais sinceros
Deixar de te amar, de te ter,
Ainda que isto possa acontecer.

E digo essas palavras
Sem antever nada disto!

Não se trata de um aviso ou algo parecido.

É apenas uma declaração de amor invertida,
Dorida…
Sofrida…

Porque no dia em que eu deixar de te amar,
Não serei mais digno de tua presença,
E serei forçado a me retirar da tua vida,
Mas não sem antes me despedir.

Não fugirei do meu dever de dizer
Que não mais te amo.

Não deixarei que saibas por terceiros
O que sinto ou deixei de sentir.

Porque hoje és a minha vida,
E ainda que um dia deixes de sê-la,
Também eu deixarei de ser
A minha parte que só em ti e por ti existe.

Se algum dia eu deixar de te amar,
É porque parte de mim mataram
Ou parte de mim morreu.

Quando… (texto e declamação)

Me procure
Quando o álcool tiver se encarregado
De afogar o teu orgulho,
Quando teu coração falar mais alto
Do que todas as grades a tua volta,
Quando sentir que não há saída
Porque a porta era só de entrada,
Quando a verdade transbordar líquida
Pelas linhas do teu rosto,
Quando teu peito ficar apertado
Pela saudade do que nunca foi pouco,
Quando sentir loucamente minha falta
Por dentro e por fora do teu corpo.

Me procure quando quiser se achar,
Quando resolver viver e ser,
Quando decidir se buscar,
Posto que já estou bem longe
Do quão perto já estive
E sozinho, eu já não sei mais voltar.

Tell Her You Belong to Me – Beth Hart

Eu ouço com frequência que o amor acabou e que as pessoas não se amam mais como antigamente. E invariavelmente me deparo com todos os tipos de declaração de amor. Quer seja na música, na escrita, na pintura, na escultura… O amor existe e está sempre presente. Sempre.

E numa dessas eu descobri que escrevo exatamente por esse motivo: porque o amor existe. E existe mesmo! E dadas as minhas limitações (não sou nada e nem ninguém diante dos grandes que falam de amor), fiz desse blog uma casa para falar de amor. Amor mesmo, de verdade. Com todas as suas complexidades e desafios. Amor real, que é céu e inferno de vez em quando, mas que ainda assim nunca deixa de ser amor.

Acho que essa música resume bem o que é amor, e é algo tão simples que chegar a ser assustador: amar é querer estar junto. Não é forçar a estar junto. É torcer para que o seu querer seja o que o outro também quer. E só isso.

Que o amor guie a sua vida!

P.S.: Vejam a entrada absolutamente triunfal da Beth Hart no vídeo! Que momento! Que momento!

Tell Her You Belong To Me
(Beth Hart)

Tell her you’re mine
That you have been blind
Tell her it’s over
And you belong to me
Tell me to come
And like hell I will run
Back into your arms
‘Cause you belong to me

There’s a river on my skin
There’s a dragon in the dark
Nothing scares me more
Than the silence of your heart

If you wanna hold me
If you wanna know me again
If you wanna love me
Than take me home
I’ve been at the bottom
The deep end of the ocean
Barely surviving by the dark side of her street
Tell her you belong to me

She’ll never kiss you
The way that I miss you
What kind of lies does she tell you
Inside of the dark

She’ll never win
‘Cause I’m not giving in
You are my man
You belong to me

If you wanna hold me
If you wanna know me again
If you wanna love me
Just take me home
I’ve been at the bottom
The deep end of the ocean
Barely surviving by the dark side of her street
Tell her you belong to me

She’ll never win
I’m not giving in
No matter how long
I still be hanging on
Yeah, this kind of love
I’m not giving up
So tell her, tell her
Tell her you were fooling

Yeah
If you wanna hold me
If you wanna know me again
If you wanna love me
Just take me home
I’ve been at the bottom
The deep end of the, the ocean
Barely surviving by the dark side of her street
Tell her you belong to me
Tell her you belong to me
You belong to me
To me

Amar quantas vezes forem necessárias

Fala que não vai amar de novo. Jura que não vai se entregar mais uma vez. Diz que não quer nada sério. Faz promessa e tudo mais. E chega a vida, que não tem nada a ver com isso, e fala assim:

– Parou com a crise existencial? Tá aqui, ó…

E vira adolescente. Solta fogos por dentro. Volta a sonhar. Compra flores e bombons. Faz cartão. Escreve poesia. Faz juras de amor. Se entrega mais uma vez…

É possível viver sem amar? Talvez, mas as melhores histórias são as histórias de amor. Não viver essas histórias, quantas forem necessárias, é um grande desperdício. É deixar um monte de páginas em branco no livro da vida.

Viva!

Não há nada

No dia em que eu precisar
Dizer que te amo
Para amar-te
É porque não há mais nada

Meus atos, meus gestos
Minhas declarações e manifestos
Meus poemas e minhas falas
Meus fatos e tudo mais:
Tudo nada!

E assim
Dizer que te amo
Não servirá de nada
Posto que se tudo é nada
Não há mais nada
Para se dizer.

Eu te recomendo

Apesar de a gente não ter dado certo, eu te daria uma carta de recomendação sem pensar duas vezes.

Você foi meu sangue e minha alma, meu amor e minha vida, e foi por tanto tempo…

Como não falar bem de uma das melhores coisas que já me aconteceram?

E não, isso não quer dizer que não mais te amo. Pelo contrário. Quer dizer apenas que te quero feliz, feliz como eu sempre te quis, quando você estava do meu lado. Amar não é isso?

Eu te amo de alguma forma. Em algum tempo e em algum espaço ou lugar. Eu não seria quem eu sou sem você. Eu não seria o que eu sou sem o que nós fomos.

Eu te amo. Saiba disso. Lembre-se sempre disso. É uma verdade eterna e inabalável, inquebrável. Você não é algo do qual eu queira me desfazer. Eu me lembro de você. Eu me lembro de nós. Eu me lembro de tudo. Você não é algo que eu queira ou precise esquecer.

Fica

Não lembro do último toque,
Nem das últimas palavras,
E nem mesmo das datas.
Só lembro das semanas acinzentadas
Que surgiram
E do coração em carne viva
Querendo sair pela boca.

Eu pensei muito no que dizer,
No que confessar
E no que esconder.
Eu pensei muito
E não cheguei à conclusão alguma.

Emudeci.

E hoje mesmo pensei no que diria
Se te visse pela rua,
Se nossos olhares se cruzassem
E nossas almas se flagrassem nuas,
E uma única palavra eu pudesse dizer:

Fica.

E essa palavra diria por mim
Absolutamente tudo.

Rear view of lonely man looking with hope at horizon with sunlight during sunset with effect of light at the end of tunnel

No tempo certo

Eu cheguei tarde demais até você, porque a vida estava me forjando, me moldando, aparando minhas arestas, tirando faíscas de mim. Demorou um tempo, mas tinha que ser assim. Eu não estava pronto. Agora, sinto que estou.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu tive que aprender como é viver em um mundo de promessas que nunca são cumpridas. Eu estava aprendendo como não se deve fazer e como se sente quem vê morrer as suas expectativas com mentiras à queima-roupa. Eu precisava aprender para jamais repetir isso.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu tive que entender que a beleza que vem de dentro é muito mais importante do que a de fora. Que o tempo que castiga o corpo é o mesmo tempo que matura e floresce a alma. Que a inteligência e a fluência verbal são qualidades inebriantes. Que a integridade e a leveza da essência são afrodisíacas. Eu precisava ter isso muito claro, transparente dentro de mim. E assim foi.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu estava aprendendo que sexo sem amor e sem intimidade não faz sentido, e que preliminares são as conversas do dia a dia, o companheirismo, o afago, a cumplicidade, o carinho, a presença e que o resultado disso tudo é o tesão, é o sexo. Hoje, eu sei e sinto que precisa ser assim.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava entender que lealdade é condição sine qua non para um relacionamento dar certo. Que a traição, ainda que não descoberta, é o fim de um relacionamento, e que ama de verdade é absolutamente incapaz de trair.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava viver cheio de dinheiro no bolso, perder quase tudo e reconstruir minha vida do zero, para então dar valor ao que de fato importa. Eu precisei perder o que não tinha valor algum para dar valor ao que realmente tem. Sim, estou falando do amor. Dinheiro é meio e não fim.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava entender o que é o amor. O que é amar e ser amado. O quão sublime e verdadeiro é amar por atos muito mais do que por palavras. O que é amar pelo prazer de amar, e amar na certeza de que o amor pode e deve ser infinito na medida em que permaneça recíproco, alimentado por ambos dia após dia.

Eu cheguei tarde demais até você e tudo que eu tenho para oferecer são promessas repetidas, bordões e clichês, que já foram ditos por outros antes de mim.

Eu cheguei tarde demais até você, mas eu cheguei. Perceba minha chegada com todos os seus sentidos. Me sinta! Eu demorei, porque apesar de eu esfar me preparando para você, de alguma forma, você também estava se preparando para mim.

Eu não cheguei tarde e nem você. Tenha certeza disso.