Mil sóis

Sinto a tua presença em tudo
No todo
Nas partes

Não caminho mais sozinho
E nem caminho para esquecer
Porque tudo que sei fazer é lembrar

Vivo silêncios ruidosos
De onde brotam infinitas declarações de amor
Desejos e vontades reiteradamente confessos
Saudades que não são doridas
Vida que é viva
E que me faz acreditar
Que minha própria vida
Ficou de pé e pôs-se a andar
A correr
A voar!

Não mais me anseia o futuro –
Estou ocupado demais com o presente –
Estrepitando sentimentos dormentes
Permitindo-me sentir e ir
Sem receio
Sem medo
Imerso em mim
Ardendo feito mil sóis.

De outro mundo

Há tantas poesias e tantas memórias,
Tantas histórias que fazem o fim
Não ter fim.

E eu tinha medo disso.
Medo de ser consumido pelo passado,
Pelas recordações,
Pelos momentos muito mais do que felizes
Que vivemos juntos.

Hoje, não mais.

Aprendi tanta coisa,
Experimentei tanta coisa,
Vivi tanta coisa boa,
Cresci tanto a teu lado…
Como posso ignorar isso?

O fim foi estranho –
Sabemos disso.
Foi um fim sem fim,
E assim, precisei criar um,
E nele você foi abduzida por ETs.

Talvez eles estejam fazendo experimentos
E estudando o seu DNA,
Mas os ETs gostaram tanto de você –
Feito eu –
Que decidiram não te devolver.
Eu também não devolveria,
Confesso.

Talvez você esteja me vendo de onde está,
Mas isso não importa.
A menos que os ETs tenham lavado sua memória,
Sei que lembra das coisas como eu me lembro,
E isso que é o importante:
Mesmo ausente, ser presente na vida de alguém.

Que os ETs cuidem bem de você.
Você merece e sim, eu sei:
Você não é mais do meu mundo.

Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

coracaopaixao

Liberte-se!

Querer ser amado por quem não sabe o que é o amor é uma dolorosa maneira de morrer um pouco todos os dias. No amor não há espaço para amadores e muito menos para quem ama dores. Deixe ficar na sua vida só quem for profissional da área. 🙃🙂😉

Ciclo viciado

Não amo-te apenas quando estou ébrio:
Apenas me eviscero
Diante dos teus olhos
Quando estou

Sou assim

A culpa
É inteiramente tua:
Teus fluidos
É que me embebedam

Releia a poesia
Até nunca chegar ao fim.

Amo te amar

Te amo do jeito mais puro
Do jeito mais sincero
Que se pode amar

Não tenho orgulho
Despi-me do ego
E isso para mim é amar

Não és minha vida –
Eu me basto –
E por isso posso te amar

Eu me ofereço todos os dias
Dou-me em todos os instantes
É dessa forma que sei te amar

E meu amor é atemporal
Não passa e nem vai passar
Essa é a certeza que tenho ao te amar

E se nem tudo é perfeito
Eu erro tentando fazer direito
Aprimorando a maneira de te amar

Sozinho ou na multidão
Há no meu peito um coração
Que só sabe fazer te amar

E te amando eu vou
Oferecendo tudo que sou
Porque assim é o meu amar

E hoje, não poderia ser diferente –
Não sei ser diferente –
Carrego em mim o teu amar

Amo como só eu sei fazer
Nas pequenas coisas, em tudo
Porque tudo é te amar

E se ainda não ficou claro
Repeti amar em todas as estrofes
Para que saibas o quanto amo te amar.

Me convida para dançar?

Eu convido a vida para essa dança

Mas eu mesmo não sei dançar

 

É que vi nessa foto

Nos cabelos grisalhos

Na leveza trazida pelo passar dos anos

A vida em sua excelência

O futuro onde quero chegar

 

Quero ser a melhor versão de mim mesmo

E se no caminho eu me atrapalhar

Ou mesmo me cansar

Me faz um favor, vida

Me convida para dançar?

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A voz do coração

Há poesia em tudo

E se tudo já é uma poesia

Deve o poeta ficar mudo?

 

Não que me falte vocabulário

Mas como definir em palavras

O sorriso de uma criança

A leveza de uma bailarina

O vôo de um pássaro

O cheiro de uma rosa

A graça de uma joaninha

As nuvens

O céu

O vento

O mar

O amar

A vida…

 

Eu contemplo

E quando ouso escrever

É só para mostrar

Do que meu coração é feito

 

Tentar redefinir o perfeito?

Lamento

Mas nem de longe eu tento.

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