Gabarito oficial

Guarde bem, meu amor

Essa coisa toda

Esse emaranhado de razões

Essa miríade de questões

Sentimentos

Momentos

Guarde tudo isso muito bem

 

E não digo isso por mim

É que vejo além

No meio das trevas

Acendo luzes

Brilhos nos olhos também

 

Sei o que quero

Onde quero

E o quanto eu quero

A vida me ensinou a reluzir

A ser porto seguro e farol

De somente um alguém

 

E se parecer tudo perdido

Lembre-se do meu peito amigo

Que sempre serviu de abrigo

Sem mordaças

Sem poréns

 

E que no meio dessa coisa toda

Desabroche uma ciranda leve e solta

Cheia de sorrisos destemidos

Contagiantes

Abraços esfuziantes

Êxtases alucinates

Lascívia torturante

Escaldante

Saudade lascinante

Em frente!

Doravante!

Posto que no calar das perguntas

É que jorram e escorrem

As mais do que óbvias

Respostas.

time-for-answers

Reiniciando

Não fale com o coração

Para quem mal de tá ouvidos

Para quem não escuta

Para quem não tenta ou se ocupa

Em tentar entender

Em tentar sentir

Aquilo que vai muito além das palavras brutas

 

Até porque

Mesmo sem querer

Um dia o vocabulário do coração se acaba

E mudo

Ele se acostuma

E perde aquela necessidade:

Já não tem mais nada a dizer

 

E depois disso tudo

Ele se escuta

E recomeça

Lentamente

A bater.

clarity-of-silence

Deixa eu te contar…

Deixa eu te contar…

Fui embora querendo ficar

Queria voltar

Sei lá!

Cismei com essa coisa de te amar

 

Não largo mais o celular

Que grita

Apita

Crepita

Explicita

Esse vício que virou te amar

 

Mas não é só no celular…

É no corpo

No coração apertado

Nos olhos vidrados

No discurso emocionado

No tesão reprimido

Boca, pescoço

Nuca e ouvidos

Não se trata de castigo

É só essa mania de te amar

 

Amo

 

Já aceitei essa parte

 

Amo

 

Já aceitei essa parte!

 

Sendo coisa, vício ou mania

Se reafirma como poesia

Inspira

Desvela fantasias

No teu amor encontrei alforria

Mas no fundo ainda sou escravo

E ainda assim descarto qualquer agravo

Posto que não quero mais minha alma vazia.

bom-dia

Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

Árvore da vida

Fui ali

Colher os frutos de nossas promessas

Do que prometemos sem prometer

 

Vi a árvore majestosa que plantamos

Mais viva do que nunca

Flores, frutos a nascer

 

E que perfume!

Inebriante, pujante

Dilacerante processo de renascer

 

Frio na barriga

Causa para lá de resolvida

Embora se insista no sobrestamento do viver

 

Sim, a árvore da vida

Cura todas as feridas da lida

É o Norte para onde tudo há de correr

 

E seus frutos

Impávidos, atemporais e resolutos

São a razão e o motivo da própria existência do ser.

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Amor ou morte

Caminhos

Escolhas

Como folhas

Flutuam ao vento

 

E o tempo

Implacável

Indomável

Segue alheio ao teu diferimento

 

Sonhos de uma vida inteira

De uma vida inteira cativos

Resplandescendo a teus pés

E pelos teus pés comedidos

 

Posto que a vida apresenta chances

A tu que tens da vida fugido

Ainda que tenhas decretado a morte

De tudo que ainda há para ser vivido.

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Indigentes

Não

Não foi acidente

Não foi desatino

Do destino

Foi aprendizado

Anseio

Ensino

Que virou ode

Canção

Hino

 

Juntos

Menina

E menino

Adultos

Escancaradamente

Ocultos

Sulcos

No coração

Na alma

Felicidade

Liberdade

Absoluto

Total

Brutal

Descomunal

Indulto

 

Não

Não foi acidente

Foi Deus sendo benevolente

Com os que sentiam fome de amar

E do amor eram indigentes.

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