Eu venci o meu passado

Eu passei grande parte de minha vida tentando entender alguns sentimentos e reações que eu tinha. Li livros de autoajuda, rezei fervorosamente, mas foi só na terapia, com a ajuda de uma analista, que eu comecei a me entender.

Quando eu tinha 10 anos, minha família descobriu que meu irmão, Felipe Ottolini, tinha um câncer gravíssimo no cérebro. Só havia um tomógrafo em todo o estado do Rio de Janeiro, e somente quando foi realizado o exame, que era uma fortuna na época, é que descobrimos do que se tratava.

Entre idas e vindas, cirurgias, tratamentos (convencionais e alternativos), foram 2 anos até que o sofrimento de meu irmão acabasse. Sim, ele faleceu. Foi um guerreiro, que me ensinou muito sobre força, resignação, e fé. Ele só tinha 8 anos quando ele foi embora, e eu 12.

Lembro-me de minha mãe chegando para mim e dizendo:

– Fábio, eu não cumpri o que prometi. Não consegui trazer o seu irmão de volta para casa.

Obviamente, nunca culpei a minha mãe pela doença do meu irmão. Ela e meu pai fizeram TUDO que era possível para salva-lo, mas não deu… Não era essa a vontade de Deus. E por mais que eu aceitasse, nunca tive a exata noção do que aqueles 2 anos haviam causado em minha vida.

Eu fiquei com dificuldades de acreditar nas pessoas. Implorava para que ficassem perto de mim. Eu temia novos “abandonos”.

E cheguei assim na minha vida adulta, muitas vezes transferindo para as pessoas esse meu medo, essa minha carência, que sempre foi destinada justamente às pessoas que mais amei e amo na vida.

E na terapia, depois de muito esforço de minha parte, acabei entendendo o quanto isso havia me prejudicado… Não só pela minha carência, mas pela minha vulnerabilidade diante da vontade dos outros, diante da possibilidade de perder quem eu amo.

Algumas pessoas me entenderam. Outras não. Não era de propósito. Nunca foi. Era o meu inconsciente em ação. Era a criança de 10 anos que estava perdendo o seu irmão e que não queria de maneira alguma que isso acontecesse.

Hoje, consciente do problema, muita coisa mudou em minha vida. Eu não posso (e nem quero) controlar quem vai e quem fica. As pessoas estão livres, sempre livres, e eu também. E isso me deixou mais forte do que nunca!

O outro lado da moeda é que a doença do meu irmão também serviu para desenvolver muitas de minhas qualidades. Eu amo de verdade. Eu vivo o dia de hoje como se pudesse ser o último. Não deixo para amanhã os beijos e abraços que posso dar hoje. Dou valor aos pequenos detalhes. Eu sou leal. Eu sou sincero. Amo distribuir sorrisos. Amo cuidar das pessoas. Preocupo-me genuinamente com elas. Amo a vida. Amo viver. Amo estar vivo. Amo e sirvo a Deus.

E agora, com 47 anos, me dei conta de que nem todo mundo é capaz de entender ou me perdoar pelo que eventualmente fiz. Nunca fiz algum tipo de maldade. Jamais seria capaz disso. No caso, perdoar a minha imaturidade e até mesmo a minha ansiedade diante de determinadas situações, diante de males que eventualmente causei sem me dar conta disso, é uma questão de querer. E não… Não se trata de acreditar em minhas palavras, mas de perceber, de dar uma chance, de ver o quanto eu mudei.

Não posso mudar o passado. Ninguém pode. Só que posso mudar o futuro, e foi esse o futuro que escolhi para mim. Amo mais do que nunca, principalmente a mim mesmo, e descobri que eu e minha fé em Deus me bastam. Se eu quero companhia? Claro que sim! E vou amar como nunca, porque hoje eu sou como nunca antes fui.

Graças a minha terapia e a minha fé em Deus, hoje eu sou um homem diferente, e sinto no meu coração um desejo enorme de viver a vida em toda a sua intensidade nesse novo nível de consciência. Eu venci (e ainda estou vencendo) o meu passado. Estou livre de minhas “âncoras emocionais”.

Vida, aí vou eu! 🙂

(im)Perfeição

Procuro um ponto
Um momento no horizonte

Onde as minhas chatices
Sejam vistas como bem menores
Do que tudo de bom que sei oferecer

Onde as palavras de amor que eu disse
Reverberem nas centenas de poemas de amor
Que eu já tantas vezes escrevi

Onde minhas atitudes coadunem minhas palavras
E que sejam inventadas todas as palavras
Necessárias para explicar o que só sei viver e sou

Onde a minha insistência e paciência
Sejam vistas e acolhidas como saudade
Com a vontade de estar, de acolher, de aceitar, de querer

Onde o meu esforço, as minhas lutas
Sejam sinais de que quero ser melhor
E não de que eu ainda não sou bom

Onde os meus passos em falso
Sejam vistos como tentativas de acertos
Por mim e por tudo ao meu redor

Onde a minha bondade não seja questionável
Ou vista como permissividade
Mas como lealdade eterna e puro querer

Onde a minha fiel sinceridade
Seja vista como motivo de encanto
Posto que nada é maior do que o amor que carrego em mim

Onde as minhas noites de sono
Antecedam dias de lindas surpresas
De paz, de virtude, de reciprocidade, de empatia

Onde minhas preces façam sentido
Para que meu corpo todo seja ouvidos
Para as palavras de Deus

Procuro um ponto
Um momento no horizonte
Onde o amor que transborda de mim
Desague no peito
De quem quer tudo que eu já sou
E de tudo que ainda há de ser melhor em mim.

Eu sou só um ser humano
Tentando ser melhor todos os dias
Eu sou só um ser humano
Que mesmo imperfeito –
E deveras verdadeiro –
É feito do mais puro amor e alegria.

Hoje, já sou melhor que ontem

Já sou melhor do que quando comecei
A sentir e escrever essa imperfeita –
E deveras verdadeira –
Poesia.

Ser pai é ser feliz!

Eu vejo muita gente falando da responsabilidade associada à parternidade, que de fato é muito grande. Afinal de contas, você se torna responsável direto por um indivíduo que literalmente precisa de você para viver, para sobreviver. Só que para mim, ser pai é bem mais do que isso: ser pai é ser feliz!

Quando eu vejo a minha filha crescendo, se tornando uma moça, e ainda assim me tendo como referência e me considerando seu grande amigo, tudo faz sentido. Ela é um pedaço de mim que vai adiante e que espero que seja uma melhor versão de mim.

Percebem o poder disso? Não é o poder sobre a criança! Pelo contrário! É o poder de dar poder para a minha filha, de maneira que ela seja independente, confiante e muito, muito feliz. Não é só sobre dizer sim e comprar comida ou roupas. É sobre dizer o não e ser firme na transmissão de valores, idéias e pensamentos. Não é educa-la para ser como eu, mas para que ela tenha todos os mecanismos necessários para se desenvolver e ser um indivíduo único, pleno e consciente de suas capacidades e limitações.

Se isso é fácil? Claro que não! Aliás, é bem difícil. É preciso passar adiante a minha melhor parte. É preciso não errar onde eventualmente meus pais, tentando acertar, erraram comigo. E aí está um ponto chave: eu precisei me conhecer profundamente para melhor lidar com a minha filha, o que equivale a dizer que a minha filha me fez um homem melhor.

E que fique claro que não faço isso pelas luzes da ribalta. Pouco me importa o que acham do que estou fazendo. Já fiz inúmeros sacrifícios por minha filha. Já fui julgado e condenado por esses sacrifícios. Só que isso não importa… Eu sou pai para a minha filha e desde que ela veja em mim um porto seguro, todo e qualquer sacrifício valeu e vale a pena.

Hoje é Dia dos Pais. Dia que eu conquistei e conquisto todos os dias. Minha filha, logo antes de dormir, me desejou um Feliz Dia dos Pais. Não é preciso ganhar um presente ou algo assim. A vida dela é o meu presente e a felicidade dela o meu maior triunfo.

Muito obrigado, minha querida Sophia! Já são 11 anos comemorando essa data! E que Deus me permita comemorar muitas datas como essa com você. Eu me orgulho muito de você e VOCÊ ME FAZ FELIZ.

A escolha certa

Mesmo não sabendo quem eu era
Deixei de sê-lo
E não mais sendo
Acabei sendo o que eu não era
Mas que de fato eu sou –
Sempre fui

As respostas só surgiram
Quando desisti de buscar por elas
E assim acabei descobrindo que as perguntas
Sequer eram para ser aquelas!

E quando chegou a hora –
Sem pressa ou demora –
Perguntas e respostas se esvaíram
E restou apenas o aqui
O agora
O afinal

Tanto tempo me perdi
Nos excessos
Do passado
Do futuro
Que eu não me via bem ali
Ao alcance de mim
Embora cercado por muros
Que eu mesmo ergui!

E disso tudo fica a lição
Da vida que hoje vivo
Por conta da que antes não vivi:
Em dado momento –
Meu e somente meu momento –
Eu fiz uma escolha
E dela não me arrependi
Eu escolhi –
E todos os dias escolho –
O eu que eu conheci.