Dona das flores

Tu és dona das flores

Que trazes quando chegas

E que deixas quando vais.

És o jardim onde quero ser sepultado,

O cálice que faz-me vivo,

E tudo de melhor que tenho desfrutado.

Tu és a dona das flores,

Que rega-me sem pudores,

E até em teus espinhos

Não sangro: me curo.

Tu és a dona das flores,

Que explodem em uma miríade as cores

No meu coração, na minha alma,

Na terra que ofereço fecunda

Para nossos brotos ainda por nascer.

Meu jardim

Nem sempre recebi de volta

As flores que gentilmente

E com muito amor

Ofereci

 

Mas a questão não é essa

E falo disso com um sorriso aberto

E sem pressa:

Eu preciso oferecer flores

Pois a minha vida é um imenso e inesgotável jardim

E nele planto amores

E colho flores

As mais lindas

As mais diversas

Pois são amores

À beça.

Coveiro de si mesmo

Dizem que há um lugar

Onde a covardia é conhecida

Como uma grande virtude

Este lugar é conhecido

Como Cemitério dos Sonhos Perdidos

 

E ainda dizem que há um lugar

Onde a racionalidade é conhecida

Como a maior das virtudes

Este lugar é conhecido

Como Cemitério dos Amores dos Covardes.

index