Todo amor do mundo

Ousei dizer que da vida já tinha visto de um tudo

Grave erro

Proposital engano

Assisti ao vivo o meu ego em seu enterro

 

Por crer que tinha visto de um tudo, achei que de tudo já sabia

Quanta ousadia!

Hoje sei que não sei mesmo de um tudo

E talvez de um tudo nem queira saber

 

A grande verdade é que não me brutalizei com os anos

Não deixei ir a minha inocência

Dói-me quando vejo a dor de alguém

Ainda que em troca eu só receba intolerância

 

E em cada aprendizado ou reaprendizado

Por mais que as lágrimas jorrem em primeiro plano

No fundo haverá para sempre o meu eu sonhador

Posto que do muito que não sei, sei do amor

E no amor

Eu sei que de um tudo eu amo.

relacionamento-com-deus

Vitimismo: a idiotia em alta

Fiz faculdade de Economia. Sim, Economia é um curso de Humanas. Todo mundo adora falar mal dos cursos de Humanas, provavelmente por conta da maior concentração de “torcedores da esquerda” por metro quadrado. Entretanto, essa é apenas uma visão simplista do problema. Explico.

Quando fiz faculdade, tive contato direto com as definições de liberalismo sob a ótica de Adam Smith. Há material abundante na Internet sobre a “mão invisível”, de maneira que não acho necessário explicar o conceito neste texto. Em resumo, nas palavras do próprio:

Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter. – Adam Smith

A minha vida mudou depois que li isso, e ainda mais quando contrapus as idéias de Smith e Marx. O motivo de eu não gostar de Marx? Em resumo, nas palavras do próprio:

Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Assim todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça. – Karl Marx

Não se trata, portanto, de um debate econômico, mas dos motivos e razões do ser, do existir. Adam Smith conhecia profundamente a essência humana, enquanto Karl Marx parecia apenas um adolescente raivoso, frustrado, incapaz e infeliz.

É importante destacar que tanto Adam Smith quanto Karl Marx e muitos outros são amplamente discutidos nos cursos de Economia (pelo menos nos mais sérios). Então, por que Marx virou uma espécie de guru dos “torcedores de esquerda”?

Eu acredito e vivo em um mundo onde tenho que matar um leão por dia. Meu mundo é de vitórias e derrotas. Não procuro apenas uma suposta estabilidade financeira. Não quero ter mais. Quero ser mais.

Se eu corro riscos? Claro que sim. Não tenho estabilidade alguma, mas as realizações que alcanço são diretamente proporcionais aos riscos aos quais me submeto. E sim, eu sou feliz assim, e acredito que qualquer um pode ser feliz dessa maneira. Basta entender que é preciso estar sempre na “crista da onda”: informado, atualizado, aprendendo, ensinando e se desenvolvendo o tempo todo.

Voltando ao início… Toda vez que vejo alguém defendendo as idéias de Marx, invariavelmente vejo um perdedor de primeira classe. São pessoas que acreditam que o mundo lhes deve alguma coisa, e que todos que são bem sucedidos na vida são opressores e responsáveis diretamente pela vida miserável na qual rastejam.

Portanto, na minha visão, ser de esquerda nada mais é do que ser preguiçoso. É uma declaração de perda total. “Sou nada e não faço nada, mas tenho direito a tudo”. É estar morto em vida.

Não há almoço grátis! A estabilidade de um empregado do setor público é o imposto, melhor dizendo, o confisco por parte do governo de quem está disposto a ser, a viver. Em resumo, quem sustenta quem nada faz é quem faz tudo. Percebem a contradição intrínseca?

Portanto, não tente de maneira alguma culpar os cursos de Humanas por conta do fracasso de toda uma geração. Esse fracasso é vendido como facilidade dentro das faculdades, mas quem recebeu as mínimas informações no maior estilo “World for Dummies”, sabe que esse vitimismo é, acima de tudo, ócio, preguiça e vagabundagem.

Apenas para deixar claro, isso não significa que não devemos ser caridosos. Sem caridade não há salvação. Entretanto, deixando de lado os casos emergenciais (que não são poucos), o que faz mais sentido: dar o peixe ou aprender/ensinar a pescar?

Pense nisso. Sua vida depende apenas de você. Se for para ser um inconformado, seja com você mesmo.

vitima

Poesias para dummies

De vez em quando, alguém me faz uma pergunta que me deixa sem chão. Em geral, são perguntas sobre algo que eu disse que faria ou sentia nas minhas poesias.

Vamos começar pelo básico: a leitura da poesia Autopsicografia, de Fernando Pessoa. Insisto… Continue somente APÓS ler esta poesia.

Talvez você já tenha entendido o porque de eu pedir para que lesse a poesia. De qualquer maneira, faço questão de explicar: O POETA É UM EXAGERADO! Já imaginaram como seria uma poesia sem esses toques sutis (ou não) de exagero, sem certa dramatização? Poesia não é notícia de jornal! Ela tem que causar impacto. Tem que ser como um soco no estômago. Então, é um lugar para não se medir palavras. Vida real? Tudo bem diferente…

Um exemplo? Uma poesia de minha autoria: Desista! Novamente, insisto que continue a leitura somente APÓS ler esta poesia.

Pois bem… Alguém realmente acredita que o sujeito desta poesia seja um stalker? Que tipo de pessoa consegue viver em uma corda bamba para sempre, sendo humilhado, ofendido, preterido, etc.? E é justamente nesse momento que as pessoas se perdem ao ler as poesias. Sendo um exagero, está mais do que na cara que o conteúdo da poesia quer mostrar tão somente a determinação do sujeito em estar com sua amada. Só isso. Nada mais. É um exagero da verdade com o objetivo de mostrar uma intenção, e não um plano macabro que será levado a cabo de qualquer jeito.

Na vida real, eu sou uma pessoa… Real! Uma pessoa que ama, que é amada, e que sabe muito bem o momento de tirar o seu time de campo quando necessário. É certo que luto por aquilo em que acredito, mas se a resposta final for um não, por exemplo, é não e fim de papo! Não vai ter barraco, ligações de madrugada, porres, etc. Pode haver tristeza, algum sofrimento, e sentimentos correlatos que todos sabem que são passageiros, mas loucuras? A vida real é bem diferente da vida poética. Bem diferente.

Quem gostaria de ter a seu lado uma pessoa indecisa, por exemplo, para o resto da vida? Quem ama e de fato sabe o que é o amor, também sabe que o amor precisa ser recíproco para funcionar. Até porque quando se insiste no amor não correspondido, a pessoa começa a ficar insuportável, se justificando demais, perdendo a sua própria naturalidade, o que só dá mais motivos para que a outra parte se afaste. Em suma, a pessoa deixa de ser ela mesma. O resto é pura poesia. Não serei hipócrita ao ponto de dizer que se o amor é seu, deve deixa-lo livre e blá, blá, blá… É preciso deixar claro que ama, que quer estar perto e tal, mas até para isso existe um limite. Reciprocidade é a palavra-chave. E quando existe a tal reciprocidade, NÃO EXISTE NADA E NEM NENHUM OBSTÁCULO que consigam acabar com esse amor. Sim, é simples assim.

Acho importante as pessoas terem isso em mente ao lerem as minhas poesias. Amar é uma coisa. Ser masoquista é outra. A vida real é uma coisa. A vida poética é outra. Para amar alguém é preciso, antes de mais nada, ter amor próprio, autoestima. É preciso reconhecer o seu próprio valor e esperar de quem você ama nada menos do que o tratamento, o respeito e a cumplicidade de quem de fato também ama (reciprocidade, certo?). E saber também até onde ir, mantendo a cordialidade e a serenidade, tendo a certeza de que a vida é uma fonte de infinitas possibilidades. Afinal de contas, não é possível prever o amanhã, e todos são absolutamente livres para fazerem suas próprias escolhas. E sim… Livres e obrigados a conviver com as consequências destas mesmas escolhas. Acreditar na vida e no futuro é algo absolutamente fundamental. É preciso ter fé.

poema-e-poesia-qual-a-diferenca