Por ti

Que não seja contigo

Mas é sempre por ti

É sempre em ti

 

És tudo

 

Absolutamente nada mais –

Posto que não há nada mais –

Cabe em mim

 

Tu me transbordas

És enchente

És vida

És o presente

És o ausente

És o nascer

És o poente

 

És tudo

 

Estás

Invariavelmente

Inexoravelmente

Nos milissegundos do sempre

Aqui.

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Abusado e insolente

Teu segredo

Se revelou de forma veemente

Quando gritou o teu coração

E tentou ignora-lo a tua mente

 

Não seria de mais valor

Ou talvez mais prudente

Deixares de fingir que é dor

O amor que deveras sente?

 

Ah! O amor…

Essa coisa insistente

Que não pede por favor

E que torna o completo carente!

 

Ah! O amor…

Do qual tu foges bravamente

Mesmo sabendo que não há vida

Quando parte de ti está ausente

 

Ah! O amor…

Não, não estás doente

Já que és tão racional

Que reconheças: estás impotente!

 

Ah! O amor…

Que te rendas a este insistente

Que subjuga-te a seus caprichos

Não se trata de mero acidente

 

E que fique claro que sua existência

Não depende do teu aceite

O amor é o amor

Abusado e insolente.

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