Quanto vale um abraço?

A roupa nova
O carro importado
A viagem para a Europa
A próxima mansão pós moderna…

Ficou tudo para depois

Precisou um vírus
Parar o mundo
Para pararmos
Para ver
Que parados
Nada temos
E sequer
Conseguimos ser!

Só precisamos de um abraço
Um abraço…
Que nos devolva os laços
E o prazer de poder viver
Sem de quase nada precisar
E ao mesmo tempo –
De volta –
Nos ter.

Meio besta

Eu te tinha
Não, tu não eras minha
Mas eras dona do meu coração

As risadas que dávamos juntos
A tua implicância
A tua maneira de me fazer rir…

Eu te achava linda…
Mas eu era imaturo e não entendia
Que eras bem mais do que aquecia meus sentidos

Hoje, só de reconhecer isso
Já sinto algum tipo de alívio:
Fazer as pazes com o passado é imperativo

O café está de pé
A churrascaria vegana também
E tudo mais o que quiseres

A vida apronta –
Ela não vem pronta –
E confesso:

Eu era meio besta.

Em busca da verdade

O amor não é a foto no Instagram

É o que faz a foto precisar existir

Não é a mensagem do WhatsApp

Mas a vontade de enviar a mensagem

Não é o coração do Facebook

Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela

 

O amor é sempre causa

Nunca consequência

 

Nunca vi um amor sobreviver só de palavras

De declarações

Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes

Monumentais

O amor se retroalimenta de coisas pequenas

Da intimidade, da cumplicidade

Da atenção aos mínimos detalhes

Da generosidade e da sinceridade

Da desavença e do entendimento

Do perdão, da compreensão

 

O amor é pai de tudo que é bom

De tudo que na vida faz genuína diferença

 

E eu, como aprendiz de poeta

Digo que o amor não está nas minhas poesias

Mas no que não mostro

Aceito e sinto

Para mim, o amor é invisível

Mas eu sei

E como sei!

Que ele de fato existe

 

O amor é minha única verdade

E em busca da verdade eu sigo.

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És tudo que me cinge

Hoje
Meu amor, minha vida
Calhou de me dar a vontade
De escrever uma despedida
Que depois de duas garrafas de vinho
Parece-me a única avenida
Ainda que seja um beco sem saída
Ou trilhos que levam-me ao nada

Há 3 meses não ouço de ti
Há 3 meses não toco tua pele
Há 3 meses não sei de nós
Há 3 meses…
E parece-me toda uma vida
Dada com os burros n’água

E nesse turbilhão de saudades
Nessas pequenas e diárias eternidades
Por uma última vez
Venho aqui dizer que te amo
E que te amarei para sempre
Todos os dias
Até mesmo nos dias
Em que eu não amar-te-ei:
Dias que não existem

Ad infinitum
Esta, pois, é a minha vontade
Mantém-se a minha doce santidade
Na presença que não se materializa
E que me estrangula de tanta saudade
Esvai-se a minha sanidade
No perfume que deixaste
Em tudo por aqui
E que todos os dias
Pelo vento confirmas e trazes

Amor meu
Onde estão os olhos teus?
Que tanto me iluminavam
Que tanto me diziam
A tua voz que me sorria
O que sem dizer, dizias…

Eu não sei
E de tanto não saber
De mim mesmo estou farto

Dei-te meu mundo
Cada e todo segundo
O que em mim há de mais fecundo
De mais profundo
Se foi…
E sequer sei para onde
Eu mesmo me fui:
Meu destino é ignorado

Não sinto-me sozinho –
Por certo –
Estás sempre por perto! –
E em meu peito
O coração sempre aberto
Clama por teu nome
Que não repetirei aqui
Em memória do que não foi vivido
Em nome do respeito e do zelo
Que sempre nutri e nutro por ti

Hoje
Meu amor, minha vida
É só um dia qualquer
Onde eu homem
E tu que eras
Para ser minha mulher
Não se encontram
E nesse eterno não encontrar
Hoje, morri de saudades
E ainda assim estou aqui
Absorto em minhas flexuosidades

Erguerei outras taças
Farei outros brindes
Conhecerei outras pessoas
Mas, hoje
Tudo que me cinge
Tem o teu nome
E é em memória de ti
Por si
Em dó
Por todas as notas
Que por nós são
Uma única melodia
E só

E a minha faina
É todos os dias –
Mentir
E fingir que nunca –
Profunda e absolutamente –
Eu te conheci
Mas de fato conheço-te…
E conheço-te
Porque vivo-te
E de ti nunca me esqueci.

Praia de Icaraí – Niterói/RJ – Brasil

COVID-19: ciência, cautela e prudência

Há tempos, li um estudo em que se afirmava categoricamente que canhotos tinham maiores chances de morrer de infarto agudo do miocárdio. Era um estudo sério, feito em uma universidade conceituada. Eu, como canhoto, fiquei assustado. Tempos depois, foram olhar com mais detalhes o grupo que o cientista utilizou para fazer o estudo. Era de uma cidade na Inglaterra (não me lembro ao certo). A média mundial é de 1 canhoto para cada 10 habitantes. Na cidade específica onde foi conduzido o estudo, era algo como 2,5 para cada 10 habitantes. Logo, como ele utilizou uma média ponderada para chegar até os resultados, inferiu que os canhotos tinham mais chances de morrer. Não havia viés político ou algo do tipo. O estudo foi feito através de uma metodologia científica padrão. Entretanto, a amostra (grupo) era “viciado”. Logo, o cientista chegou à conclusões equivocadas.

Fast forward, aqui estamos no presente diante de um inimigo desconhecido. Diversas tentativas para tratar as vítimas do COVID-19 estão caminhando em paralelo. Algumas parecem mais promissoras do que outras. Entretanto, como todos os estudos ainda são extremamente recentes, o passar do tempo é que vai validar a eficácia de cada uma das alternativas. Dito isso, ressalto que, em tempos de “desespero”, tudo vale. Afinal de contas, se a vida já está por ser perdida, que diferença faz?

Há algo que me incomoda, entretanto. Dizem que administrar a cloroquina logo no início da doença evita que pacientes evoluam para um quadro mais grave. Eu entendo e reconheço isso como uma possível verdade. Por outro lado, só para citar um exemplo brasileiro, uma família com 10 pessoas (da minha cidade), sendo a mais idosa com 90 anos, foi infectada pelo COVID-19, não foi tratada com cloroquina, e todo mundo sobreviveu. Então, surge uma pergunta: se a cloroquina tivesse sido ministrada para os 10 membros dessa família logo no início da doença, e os 10 tivessem sobrevivido (como sobreviveram), seria esse caso contabilizado como um êxito do fármaco?

Ciência, cautela e prudência. É tudo que eu peço.

Bônus: vídeo em inglês que ilustra bem o que eu penso, do ano de 2016.