Miragens

Os ritos de passagem são necessários.

As lágrimas, o cansaço,

A tristeza, a exaustão,

A dor, a solidão…

Sentir um pouco de tudo vale.

Mas se são ritos de passagem,

É neles que se iniciam novas viagens.

Então, aproveite a paisagem:

É estrada sem retorno

Para longe de falecidas miragens.

Flutuando por aí…

Você me deixou sem chão. Não entendi o que aconteceu. Acho que ainda não entendo. Desisti de entender.

Fiquei esperando uma explicação que nunca veio. No fundo, bem no fundo mesmo, eu tinha a esperança de que algo mudasse, de que algo acontecesse. Nada mudou. Nada aconteceu. A esperança morreu, caducou.

Você me deixou sem chão e durante muitos dias eu tive a sensação de que estava caindo, caindo, e caindo… Até que me dei conta de que mesmo sem chão, mesmo caindo, ainda havia o céu, e em um sopro de lucidez, decidi que faria do céu o meu chão.

Para minha surpresa, parei de cair. Comecei a flutuar nas nuvens das possibilidades, do infinito. O sol lambeu meu rosto e secou minhas lágrimas. Abri o sorriso imenso que trago comigo desde menino. Senti o vento tocando os meus cabelos (o mesmo vento que toca os seus cabelos), e disse um último adeus para a vida e para a realidade que não são mais minhas.

Você me deixou sem chão e com isso eu aprendi a olhar para o céu e a sentir o céu em minha vida. Experimente! É uma sensação incrível!

Obrigado por tudo. Pelo bom e pelo ruim. Vou cuidar da minha vida e flutuar por aí. Adeus.

Desterrados

Será que eu não entendi direito
As faíscas em nossos olhos
As mãos dadas
Os nossos suspiros
As nossas conversas e delírios
Os nossos beijos e abraços
O nosso gozo vitorioso
As batidas de um só coração –
Apenas um só coração –
Que pulsava por nós dois?

Será que eu não entendi direito
Tudo que não precisava de explicação?

Era amor ou não?

Se não era amor
O que era?

Era, era amor!

Era amor
E sinto a dor
Da morte
Do que era

Era amor
E hoje é flor
No jazigo
Que nos desterra.

Em Deus eu confio

Dei-me conta de que quando eu rezava pedindo para que fosse feito o melhor por nós (por ela e por mim), estava pedindo para Deus afasta-la de minha vida. Não havia o tal nós e era justamente isso que eu não entendia, que eu não sabia, que eu desconhecia. Eu era só um ator coadjuvante em um filme de quinta categoria, induzido ao erro 24 horas por dia. Manipulado por completo por uma pessoa que sempre me dizia: “Confia em mim. Me espera. Nós vamos ficar juntos”. E ela falava essas coisas olhando dentro dos meus olhos…

Não nasci para isso! Nasci para ser protagonista da minha própria vida. E por mais que doa perceber que nunca (repito: nunca!) fui nada, absolutamente nada além de uma peça em um jogo perverso sem possíveis vencedores, foi nessa descoberta que encontrei toda a força necessária para seguir adiante.

A verdade liberta. Hoje, eu sou livre. Dou graças a Deus por isso. E sigo em frente de cabeça erguida, com a consciência tranquila, e agradecido pela chance de poder recomeçar mais uma vez.

Em Deus eu confio. Sempre.

Porto seguro

Por que voas, borboleta,
Se ao final
Sei que repousarás
Em meu peito?

É porque meu voo, meu amado,
Aquece a tua alma
E este fogo
Incendeia o nosso leito.

Voa, borboleta…
Voa…
E ao final
Repousa em meu peito.

Aquieta-te, meu amado!
Não há pouso
Ou lugar seguro
Que não seja o nosso leito.

Vim trazer verdades 35

Há uma mensagem poderosa por detrás da forma como as pessoas lhe tratam. Quem ama ou nutre algum tipo de sentimento positivo por você lhe respeita, não mente, não é inconsequente em seus atos e não lhe machuca intencionalmente. Toda pessoa que se coloca em uma situação em que possa lhe perder não merece a sua confiança, a sua presença e muito menos a sua atenção. Quando perceber esse tipo de padrão de comportamento em alguém, aceite como uma libertação de Deus e afaste-se.

Que beijo!

Não me esqueci do nosso último beijo.
Não me esqueci dos nossos beijos.
Não me esqueci de você.

Procuro-o e não o acho
Em outras bocas que sentem
Que não sei o que estou fazendo ali.

Não era a mecânica:
Era a foda no beijo
Ou o beijo que virava foda
Não sei…
Acho que ninguém sabe.

Só sei que toda vez que penso em beijo –
Nos meus sonhos eu ainda te beijo –
Na minha boca só cabe você.

Porquês e poréns

Nada de azar
Nade de sorte

Colheita

Para uns
Beijos da vida
Para outros
Abraços da morte

A semeadura
Nunca abandona
Ou se esquece
De ninguém

E no tempo certo
Todo jardineiro
Que teve tempo
Mais do que suficiente
Para debulhar
Suas sementes
Receberá a sua paga
E vai chama-la de destino
Sem entender seus porquês
E menos ainda os seus poréns.

Entre elas

As pernas dela
Sempre cruzadas
Pura classe
Doce elegância
Que não respeito
Em pensamentos
Em momentos

Vejo me ali
Nas pernas
Entre elas
Percebido
Acolhido
Recebido
Molhado
Vivo

As palavras
Soam como fogo
As reticências
Me torturam
Já não sei
E por isso aceito
A falta do leito
Dos doces peitos
Das pernas
Dela
Só ela

Quem me dera
Fossem só as pernas
Quem me dera
Escutar entre elas
O que há de ser de nós
E ouvir a resposta
A mesa posta
O afinal

Lambuze-me.