Indo…

Vou de barco

O mar de alguma forma simula

O vai e vem quando estou dentro de ti

E aninhado em teus braços

 

Vou de avião

Para sentir aquele frio na barriga

E ver nas nuvens que vão do magenta ao cinza

Os mil tons de convites que exalam do teu corpo nu

 

Vou de trem

Quer seja em vagarosa e vigorosa Maria Fumaça

Ou um dilacerante e retumbante trem-bala

Dependendo do trajeto, da paisagem, do momento

 

Vou de carro

Para que no meio dos engarrafamentos

Eu sinta e aprecie todo tormento

Das nossas torturas autoinfligidas e para lá de lascivas

 

Vou de bicicleta

Para manter o equilíbrio necessário

E manter-me firme no nosso caminho

Nos momentos de amor cintilados de espinhos

 

Vou a pé

No calor extenuante do verão

Para sentir e ver na alma, no corpo e no coração

O calor que só a tua presença agiganta e agita

 

Mas não vou a lugar algum

Já não preciso mais ir

Preciso mesmo é estar aqui

Onde todos caminhos me levam invariavelmente a ti.

abrac3a7o

Apertem os cintos!

E a comissária de bordo me disse:

“Teríamos que despachar como bagagem

O teu coração

Não cabe nada daquele tamanho

Dentro deste avião.”

 

Ao que respondi:

“Ele é grande – fato

Mas não precisaria sequer embarcar

Ele tem asas, vontade própria e já se foi

Só me pediu para o acompanhar

Acima de tudo, entretanto e contudo

Eu vou com tudo

Pois sem ele

Nem vida em mim há.”

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