Quero com você me despir

Há noites em que você me chama

E o fogo que arde em seu corpo

Em sua cama

Queira você ou não

Chegam até mim

 

Já respiramos um dentro do outro

Não há limites

Nada de esquisitices

Amor visceral

Que de nós flui

E que nos faz sorrir

E outras coisas mais

 

Confesso que sinto sua falta

Do seu perfume

Do seu hálito com alucinante

De todos os nossos cheiros

De todos os nossos gostos

Que valem mais que diamantes

Que fluem –

E como fluem! –

E nos afogam

Morremos em nossos braços

Por alguns instantes.

 

Aliás, você não é mais uma

E por mais tenham existido algumas –

Meu passado eu não renego –

Você é e desde sempre foi

A única de qual não quero

Jamais me despedir

 

No máximo –

Que fique perfeitamente claro –

Quero com você me despir.

tesao

Adormecido

Acordei mais cedo que meu sonho

E ele permaneceu em minha cama

Adormecido…

 

Talvez um dia acorde

Talvez não

Talvez acorde e ainda seja sonho

Talvez não.

E se…

E se você fosse

Deixada aos terrores da noite

Sem nada entender

Em uma encruzilhada da vida?

 

E se suas respostas

Virassem perguntas

E não houvesse ninguém

Sequer para ouvi-las?

 

E se aquele delicioso vinho

Suave e inebriante

Ficasse seco de repente

E tivesse que bebê-lo sozinha?

 

E se a cama vazia

Seca, inerte e nua

Com lençóis gélidos

Fosse unicamente sua?

 

E se suas lágrimas

Alcançassem o chão

Formando imensas poças

Antes que alguém tentasse entendê-las?

 

E se o seu grito dorido

Vomitado do peito

Fosse ignorado

Ou mesmo esquecido?

 

E se o seu nome

Repetido tantas vezes

Em tantos tons e texturas

Fosse completamente esquecido?

 

E se…

Você pudesse evitar tudo isso?

E se…

 

Eu não sei

Nem você

Espero que jamais saibamos

Espero que seja só um

E se.

gregos3

Revirada

Se eu durmo bem ou mal

A cama acorda revirada

 

Acalma-te alma

Tudo não és cama!

Não podes aquietar-te

Durante a madrugada?

 

Eu sei, não é fácil

Conviver com uma vida revirada.

cama desfeita

 

Anagnórise – Entreato

“Sem Parte” ou “O Todo”

 

Quando se tocam

Já não são mais um

Já não sabem quem são

São um único corpo

E um único coração

Que pulsa

Que contrai-se

Contorce-se

Ao som da TV

Que não se sabe

Porque está ligada

 

Não é fuga

Da realidade

É realidade

Nua e crua

É verdade

Ele e ela

Sombras nuas

E em cada toque

A sedução

Se seduz

Se entrega

E o puro prazer

Alcança:

Há esperança

 

Há ritmo

Há dança

Entre gemidos e sussuros

O travesseiro esconde

O rosto

Que desfigura-se

De prazer

E com a cama inundada

Vão de puta a fada

De cavalheiro a canalha

Tudo em busca

Do prazer

Da paixão

Do amor

Do ser

Da felicidade

Do viver

 

E oferecem-se

Querem mais!

Querem sentir nos ouvidos

As sacanagens que irão

Fazer

Ter

Ser

Beber

Sorver

Cada gota

Feito loucos

Extravagâncias que poucos

Conhecem ou irão

Conhecer

 

Tem cheiro do quê?

Vinho, queijo

Fluidos

Sexo

Sexo

Sexo

Tem nexo

É o mais puro reflexo

Do que são

Do que plantaram

Do que um dia

Colherão

 

E tudo isso se baseia

No respeito

No amor

Não faz sentido

Se assim não for

Não se consegue com outros

Só se forem os dois

Pelos dois

Feito em um

Juntos

 

E 110% unidos

Bombardeiam-se

Os sentidos

O gozo tonteia

Desnorteia

Pausa…

Deixam o fôlego renascer!

 

E depois disso

Nada foi ou jamais será

Como antes

Quem com o prazer

Consegue juntar o amor

Fica imortal

Não sente dor

Viciado

E como faz bem esse

Vício!

Não é sacrifício:

É amor!

Entendam…

Aceitem, por favor!

 

E mesmo sendo carnal

É espiritual

São almas que se acodem

E o eterno amor elas descobrem

Não se separam

Não há como

Nem mesmo durante o sono…

Que sono?

São a soma de tudo

Ao ponto de se tornar nulo

O direito de adormecer

 

Sim…

E ainda que o tempo se vá

O que foi para sempre será

Gravado por dentro

Não é tormento

É alento

Não é areia

Para ser levada pelo

Vento

É amor

É para agora

Para ontem

Hoje

Amanhã

Todo momento

 

Nos amamos

Confesso-te

Confessa-me

Do que somos

Nós dois precisamos

Esse fluido vital

Nos faz vivos

Precisamos e merecemos

Viver.

entreato

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Anagnórise – In Vino Veritas

Parte II

 

Na exaustão do resguardo

A língua pulsa distônica

Já não é mais vontade –

É necessidade –

Ainda mais depois

Do incêndio na cama

Sem nenhuma

Absolutamete nenhuma

Fogueira de vaidades

 

Não há engano!

É tudo

Certo

Correto

Direto

Deram-se

Fizeram-se

Homem e mulher

E não há como negar

Que em nenhuma aula de Química

Ensina-se que esta pode ser

Tão descomunalmente inebriante

 

Não há controle!

Náufragos na imensidão

Do encontro

Dos abraços

Dos beijos

Da fúria

Da devassidão

E na alma o fogo

O êxtase do perfeito

Da retomada dos direitos

De serem o que poucos

Algum dia serão

 

Não há fórmulas!

Limites

Convites

Apenas corpos e almas

Abertos

Na espera do que lhes falta

Do que preenche

Do que quando está ausente

Deixando a vida incompleta

Fazendo do corpo e da alma

Portas que precisam ser

Abertas

 

E diante de goles fartos de vinho

O preciso é confesso

Réu orgulhoso, manifesto

Culpado até a última gota

De seu mais puro sangue

Que no corpo ainda resta

Culpado…

E absolutamente

Ferozmente

Apaixonadamente

Honesto

 

Juíza funesta, razão!

Peste!

Ousas tentar destruir

O que foi construído

Por que precisava existir?

Achas que é deus

Ou queres que o próprio Deus

Chicoteie-te até a morte?

Estás com sorte…

Há perdão

Há paciência

Há verdade

Há coração…

 

Coração?

Sei que disso tu

Nada entendes

Ouças-me bem:

Razão, o coração

É a soma de todos

Os teus medos

E já que não tem mais segredos

Mais um gole, então

Em tua homenagem

Agora que sabes a verdade

Cala-te, insignificante bordão

Estás lidando com um homem de fé

Que libertar-se-á de qualquer prisão!

casaval2

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