Se eu pudesse…

…dar um único conselho a alguém, seria o seguinte:

Nunca confie em palavras,

Em textos,

Em rimas,

Em versos,

Em músicas,

Em declarações de amor.

Confie em atitudes e somente em atitudes. Confie na sua voz interior quando esta suspeita que há algo errado. Repare nos detalhes. Se atitudes e palavras não convergem, acredite nas atitudes. Sempre.

Porque a vida é assim: cheia de gente que promete mundos e fundos, mas que na prática, ou seja, nas atitudes, faz o que é diametralmente oposto a isso.

Já passou por essa situação? Não se culpe por acreditar em quem não merecia crédito algum. Isso é um problema de caráter da outra pessoa, que não tem nada a ver com você.

Não deixe de acreditar no mundo por conta disso, ok? Fica a lição, e todos nós viemos ao mundo para aprender.

Isso não, obrigado

Em 2001 ou 2002 (não lembro ao certo), eu alugava uma vaga de garagem que pertencia a Associação Brasileira de Sommeliers. A vaga ficava no mesmo edifício comercial em que eu trabalhava, e como a empresa para a qual eu trabalhava pagava o aluguel, melhor impossível.

Pelo menos uma vez por mês eu tinha que ir até a sala da ABS para pagar o aluguel e depois pedir o reembolso. Numa dessas, me deparei com um coquetel. Como eu estava de terno, parecia um convidado, mas na realidade eu só estava mesmo é cansado e louco para chegar em casa.

Após efetuar o pagamento, um senhor muito educado que eu não conhecia se aproximou de mim com uma taça de vinho, me oferecendo. Eu disse que estava de estômago vazio (não bebo de estômago vazio), e ele me ofereceu uns canapés. Aceitei. Bem gostosos por sinal.

Conversamos não lembro sobre o que, e ele insistiu para que eu provasse o tal vinho. Provei. Sabe quando você acha algo uma bosta? Pois bem… Ele me perguntou o que eu tinha achado, e eu gentilmente disse que não era exatamente algo que eu consumiria habitualmente. E então, ele soltou a seguinte pérola.

“É que seu paladar ainda não está preparado para apreciar bons vinhos.”

Bebi o que restava na taça para não fazer desfeita, e discretamente fui embora. Comprei uma Coca-Cola em uma lojinha que ficava embaixo do prédio e fui para casa.

No trajeto, pensando sobre o acontecido, aprendi a lição: se eu preciso me preparar ou ser preparado para dizer que uma coisa é boa, essa coisa não serve para mim. Eu tenho meus gostos, meus valores, minha personalidade, meu caráter. E se isso significa que devo caminhar sozinho em determinados momentos, estarei em excelente companhia.