Succubus

Eu olho para o céu e vejo
No infinito a minha finitude
Perplexidade diante de coisas tão pequenas
Fraqueza, apesar de plena e total saúde.

Nas sombras eu me escondo aturdido
Quero ver o Sol, mas não quero luz
Cruel e real tua atordoante presença
Que mesmo sem ter cor, muito seduz.

Desejar-te é desafiar todas as barreiras
Vencer o tempo, fugir da cruz
Animalizado instinto, puro sentimento
Revelar meu carrasco, sem tirar seu capuz.

Deixar o fogo queimar a carne
Deixar a alma arder em torpor
Trocar o certo pelo incerto atraente
Trocar o vazio pelo anseio, impávido pavor.

Sucubus real, tangível e sedutor
Filha das trevas, suga o sangue de minhas feridas
Cospe em minha face, sem nenhum valor
Prossegue caminhando para sempre sem vida.

Eu olho para o céu e vejo
Fragmentos de mim, totalidade do teu ser
És agora mais forte que antes
Êxtase alucinante, não me perdoo por te querer.

E depois me calo,
O silêncio tem mais à dizer
Fria pele, passa-me teu calor
Já estou morto, muito antes de morrer.

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Na flor da idade

Estão cortando uma árvore em frente a minha casa

Planejamento urbano? Futuro?

Frondosa, com profundas raízes

Indefesa diante do “progresso”

 

Não é bem isso que fazemos com nossos idosos

Quando eles se tornam um empecilho?

Fonte inesgotável de sabedoria

Os afastamos de nossas vidas

 

Dói menos assim, não é mesmo?

Aos poucos, nosso coração se esquece

De quem nos deu sombra, de quem nos fez mingau

De quem nos cuidou e protegeu com sua própria vida

 

Eu sou essa árvore

Eu sou esses idosos

E se algum dia eu for parar em um asilo

(Sente-se melhor se eu chamar de Casa de Repouso?)

Vou ficar tranquilo

Doente ou sadio

Lúcido ou não

Estarei a poucos passos de encontrar a Deus

 

E é por isso que eu sempre digo:

Nasci de cabeça para baixo

Minhas raízes não estão na terra

Estão e crescem em direção ao céu.

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