Pôr do Sol

Sentar ao meu lado

Que eu saiba

Nunca foi pecado

Para falar de poesia

De fotografia

Da vida

Do dia-a-dia

Ou para ficarmos calados

 

Nunca nos faltou assunto

Nunca

E mesmo assim esse silêncio

Essa distância

Essa falta de abundância

Do básico

Algo quase afásico

Algo que não é nosso

Essa coisa, esse troço

Nunca foi assim

 

Ainda me flagro

Conversando com seu cheiro

Com seu toque

E acredite…

Quando me toca

Ainda sinto aquele choque

É como se fosse ontem…

É como se fosse…

É como se não tivesse fim

 

E nada há de apagar

O que foi sentido

O que foi falado

O que foi ouvido

O que foi feito e desfeito

Com a sensação platônica

Do mais que perfeito

 

Não é pretério

Ou finada

A falta que trago meu peito

Como se fosse ontem…

Como se fosse…

E se fosse, seria

Mais do que já é

Mais do que sempre

Renascida

Sobrevivida

A cada sol poente.

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Ávida vida

A culpa nunca é minha

É da vida

Não é das escolhas que fiz

Ou das que não fiz

É da vida

 

Não trabalho com o que gosto?

É a vida

Deixei passar meu grande amor?

É a vida

Estou fora de forma?

É a vida

 

E de fato a vida não se importa

Com o que penso dela

Do que a culpo

Porque ela é, de fato e de direito

A vida

 

Tão poderosa, maleável

Ao ponto de ser o que eu quero

O que eu permito que ela seja

Mesmo que eu só me dê conta disso

Quando estiver perto do fim

Ou bem longe do começo

 

E nesse darradeiro momento

Creio que não me servirá de consolo

Ou amenizará meu sofrimento

Culpar a vida pela vida

Que não vivi.

 

Foi-se

Perdeu-se

A culpa toda é só minha

Faltou avidez

Na minha vida.

a-vida-e-de-quem

Anagnórise – Redenção

Parte V

 

Razão e coração discutem

Soberbos de seus motivos

Dependendo do ângulo que se olha

Tudo parece relativo

 

Já não havia mais lágrimas

Para chorar

Discursos ou palavras

Para dizer

Restou a lógica ilógica

A razão irracional

Mas o sentimento…

Este permanece como tal

 

E no anseio por respostas

Afastam-se deliberadamente

Como se distância importasse

Para dois corações que se sentem

 

Não há mágoa ou raiva

Apenas uma grande frustração

Por saber que se pode muito mais

Por saber o quanto é ineficaz

Tentar controlar o incontrolável

Tentar viver a mentira

Tentar encontrar motivos

Que transformem amor em ira!

 

Faltou dizer ao tal casal

Que mesmo não sendo

Vive e sente como tal

Que o amor não é uma escolha

Que não morre se repreendido

Que não desaparece se econdido

Pelo contrário!

Ele contra-ataca

É guerreiro tenaz

Presente de Deus

Que a Deus satisfaz

É o amor que nos escolhe

Nada mais

 

E com a alma dorida

E nas mãos o coração

Navegam pela cidade

Em busca de solidão

 

Mas que inimigo é este

Que só bençãos trás?

Responda-me se for capaz

De raciocinar para mentir

 

Que inimigo é este

Que feito fogo nos consome?

Apogeu da mulher e do homem

Que se escolheram para sentir

 

E já conformados

Fracos

Desiludidos

Guiados por anjos

Transbordam grande grito!

E se livram de orgulhos

Barulhos

Entulhos

Ferrolhos

Alhos

Bugalhos

E aceitam-se, sim!

Não há como decretar o fim

Do que só tem começo

 

E sem saber o que dizer

Abraçam-se

Enlaçam-se

Amassam-se

E sentem a dimensão

Do que fugiram até então

E na profusão

De todo tipo de sentimento

Consentem-se

Permitem-se

Por Deus!

Magnânimo coração

Ponderada

Empoderada

Multisciente razão!

Entendam-se agora

Eis que chegou a hora!

Abrem-se as cortinas

Estão neles

As luzes da ribalta

 

E trocam lágrimas

Beijos

Confessam e realizam

Desejos

E humildente

Reconhecem:

Coração e razão

Não competem

Completam-se

A paz

A felicidade

Se faz sentir

Juntos

Aquecem-se

 

E emocionam

O tal anjo

Que sem querer

Por breve período

Os invejou

Este casal se merece

Dos filhos seus

Deus não se esquece

Missão cumprida

O amor promovido

Ao mais alto grau

Da escala Richter

Sem causar nenhum

Tipo de destruição

Só amor

Amor…

Amor…

Sem fim…

Enfim…

Foi encontrada a razão

Dentro do coração

Há de fato razão

Nas coisas do coração.

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