Expiação

De joelhos

Minha fraqueza

Meu cansaço

Eu confesso

E rogo por perdão

Do amor em mim

Sempre manifesto

E que agora

Faz tremer

Meu coração

Que deságua

Em sangue

De meus olhos

Funestos

 

Eis-me aqui

Ao léo

Diante deste

Tenebroso

E assombroso

Céu

Firmamento?

Puro tormento

Cilício da alma

Cruz do que sou

Não há nada

Por inteiro

Todo sangue

De mim

Já jorrou

 

E que essa dor

Seja cura

Para meu corpo

Ante a súplica

Que dessa carcaça

Emudecida

E apodrecida

Ainda ferozmente

Urra

E que o amor –

Ora carrasco

Ora salvador –

Purifique a alma

E traga-me a calma

Para acreditar

Ser concebível

Ainda que impossível

Amar sem sentir

Ou sem ser

Pura

E infinita

Dor.

rose-at-night-0

Anagnórise – Entreato

“Sem Parte” ou “O Todo”

 

Quando se tocam

Já não são mais um

Já não sabem quem são

São um único corpo

E um único coração

Que pulsa

Que contrai-se

Contorce-se

Ao som da TV

Que não se sabe

Porque está ligada

 

Não é fuga

Da realidade

É realidade

Nua e crua

É verdade

Ele e ela

Sombras nuas

E em cada toque

A sedução

Se seduz

Se entrega

E o puro prazer

Alcança:

Há esperança

 

Há ritmo

Há dança

Entre gemidos e sussuros

O travesseiro esconde

O rosto

Que desfigura-se

De prazer

E com a cama inundada

Vão de puta a fada

De cavalheiro a canalha

Tudo em busca

Do prazer

Da paixão

Do amor

Do ser

Da felicidade

Do viver

 

E oferecem-se

Querem mais!

Querem sentir nos ouvidos

As sacanagens que irão

Fazer

Ter

Ser

Beber

Sorver

Cada gota

Feito loucos

Extravagâncias que poucos

Conhecem ou irão

Conhecer

 

Tem cheiro do quê?

Vinho, queijo

Fluidos

Sexo

Sexo

Sexo

Tem nexo

É o mais puro reflexo

Do que são

Do que plantaram

Do que um dia

Colherão

 

E tudo isso se baseia

No respeito

No amor

Não faz sentido

Se assim não for

Não se consegue com outros

Só se forem os dois

Pelos dois

Feito em um

Juntos

 

E 110% unidos

Bombardeiam-se

Os sentidos

O gozo tonteia

Desnorteia

Pausa…

Deixam o fôlego renascer!

 

E depois disso

Nada foi ou jamais será

Como antes

Quem com o prazer

Consegue juntar o amor

Fica imortal

Não sente dor

Viciado

E como faz bem esse

Vício!

Não é sacrifício:

É amor!

Entendam…

Aceitem, por favor!

 

E mesmo sendo carnal

É espiritual

São almas que se acodem

E o eterno amor elas descobrem

Não se separam

Não há como

Nem mesmo durante o sono…

Que sono?

São a soma de tudo

Ao ponto de se tornar nulo

O direito de adormecer

 

Sim…

E ainda que o tempo se vá

O que foi para sempre será

Gravado por dentro

Não é tormento

É alento

Não é areia

Para ser levada pelo

Vento

É amor

É para agora

Para ontem

Hoje

Amanhã

Todo momento

 

Nos amamos

Confesso-te

Confessa-me

Do que somos

Nós dois precisamos

Esse fluido vital

Nos faz vivos

Precisamos e merecemos

Viver.

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