Anagnórise – Face a Face

Parte I

 

Politomia: palavras, sentimentos, indagações

Pilares de sustentação do porvir

 

No vôo torto daqueles

Que querem

Que desejam

Que perguntam

Que questionam…

 

Buscam-se

Acham-se

Perdem-se

Encontram-se

Tocam-se

Devoram-se

Repelem-se

Atraem-se

Riem

Choram

Lamentam

Contemplam

É chegado o derradeiro

Momento

 

Não há fuga possível

Não há clemência

Não há coup de grâce

Há confronto

Há enfrentamento

Há tempestade

Há tormento!

 

Tudo acontece tão rápido

Ao ponto do futuro

Já ter se passado

As palavras

Os sentimentos

As indgações

Inundam

Fervilham

Borbulham

E aumentam!

 

São muitas

Todas as coisas

São brutas

Precisam de luz

Feito mariposas

E rodopiam

Pois eis que não havia

Plano de vôo algum!

 

Os cheiros

Os gostos

A textura

O calor

O suor –

DESEJOS –

Tudo desesperador!

Tudo queima!

Tudo tem rubor!

 

Tortura

Comichão

Sem nenhum pudor

A culpa

A desculpa

Longa metragem

Insuportável terror!

 

E nessa politomia

De vidas nada vazias

Chega o sono…

E vai-se logo em seguida

Medo da noite

Brutal açoite

Nenhuma alforria!

 

O teto não fornece respostas

E nem mesmo poesias

Logo logo chegam

Os primeiros sinais do dia

Que iluminam

A cama vazia

Abarrotada de

100 milhões

De tons cinzentos

Sem nenhuma anestesia.

casaval1

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