Dona das flores

Tu és dona das flores

Que trazes quando chegas

E que deixas quando vais.

És o jardim onde quero ser sepultado,

O cálice que faz-me vivo,

E tudo de melhor que tenho desfrutado.

Tu és a dona das flores,

Que rega-me sem pudores,

E até em teus espinhos

Não sangro: me curo.

Tu és a dona das flores,

Que explodem em uma miríade as cores

No meu coração, na minha alma,

Na terra que ofereço fecunda

Para nossos brotos ainda por nascer.

Beijo a flor

Bem na flor eu vi

Um beija-flor

Ele a acaricia

Língua em frisson

Fervor

 

Ela não reclama

Ele volta sempre

Ela o espera

Receptiva

Sorridente

 

Cheirosa

Amarela ou rosa

Todas as cores

Pra lá de graciosa

 

Relação sincera

Do beija-flor com a flor

Existem porque se completam

Diga instinto – eu digo amor

 

Até porque ele volta sempre

Entre tantas

Vôo certeiro

Para a mesma flor.

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Um lugar qualquer em qualquer lugar

Viajar para um lugar distante, novo

Não de alma; só de corpo

É como rever o que nunca fui visto

E achar novidade no que parecia morto

 

Como turista acidental de mim mesmo

Descobri que até onde a paz parece estar escondida

Também há milagres, cores e sabores:

Um viva para a minha despretensiosa e corriqueira vida!

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