O Cristianismo, Bolsonaro, a COVID-19 e a HCQ

Quando um cristão deseja que seus inimigos ou algozes vivam por muito tempo, é por dois motivos principais:

1) Para que as suas farsas sejam descobertas;
2) Para que sirvam de exemplo e tenham tempo suficiente para o arrependimento antes da morte.

Ao fazer 2 eletrocardiogramas (ECGs) por dia por conta de estar com a COVID-19 e estar se tratando com HCQ, a farsa bolsonarista se desmonta de uma vez: qual cidadão brasileiro pode fazer 2 ECGs por dia por conta de estar tomando um medicamento, quer seja na rede pública ou privada? Os que estão internados e, ainda assim, nem todos. Qualquer pessoa que conheça minimamente o SUS sabe disso.

Mas a farsa não para por aí… Se é seguro e sendo o Bolsonaro o garoto propaganda da HCQ, por que ele está fazendo esses exames? O discurso dele vale apenas para os outros, ou seja, para nós? Se fosse seguro como ele insiste em dizer, ele simplesmente não faria os exames. Ponto.

Mas a farsa ainda não acaba por aí… É comum os hospitais mandarem os pacientes com suspeita de COVID-19 para casa com a recomendação de retorno apenas em caso de piora. Isso é exatamente o contrário do protocolo que está sendo seguido pelo Bolsonaro diante da doença: ele está sendo tratado precocemente e está sendo monitorado por todo um corpo médico com acesso a equipamentos e insumos de primeira linha (médicos não fazem milagres sem o básico do básico, que muitas vezes falta no SUS).

Enfim… Toda a narrativa sobre o uso seguro da HCQ acabou, quis o destino, pelas mãos de quem mais a defendeu. E justamente por isso é que não temos até hoje um médico como Ministro da Saúde. Médicos não vivem de discursos. Precisam da ciência.