O filho de Deus vive!

A cruz está vazia. Não gosto da imagem do Cristo preso nela. Prendeu-se a carne, mas não o espírito do filho de Deus. E hoje, é dia de dizer que o Cristo está vivo, e que deixou mensagens e ensinamentos que perduram.

Nada na vida do Cristo foi por acaso. Do nascimento em uma manjedoura até a sua ressurreição, o Cristo nos ensinou como viver o nosso dia a dia, e não por acaso gosto de me referir a ele como Mestre.

E hoje, no dia de ressurreição do Cristo, eu queria mandar uma mensagem especial aos que sofrem. O Cristo morreu na cruz e dela saiu mais forte do que nunca. E é assim que eu gostaria que cada um de nós encarasse as suas próprias cruzes. Não, Deus não esqueceu de você, assim como não esqueceu de seu filho. A cruz é uma maneira de ensinar, de fortalecer, e de valorizar as bênçãos de Deus em nossas vidas. A cruz é uma prova viva do amor de Deus por nós.

Vai ser fácil? Não. Não foi para o filho de Deus, por que seria fácil para nós? Portanto, aceite a sua cruz, seja ela qual for, como uma forma de libertação. Reflita, analise. Deus está com você muitas vezes apenas esperando um convite para entrar em sua vida, e na maioria das vezes esse caminho só se dá através da cruz. O sofrimento nos faz ver Deus. Eu sei disso. Eu vi Deus assim.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora, sua mãe. Obrigado, meu Deus, por não nos esquecer jamais. Inspirado pela cruz que carregou Jesus, também seremos libertos. Nascemos para ser libertos. Somos também filho de Deus.

AMÉM!

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Succubus

Eu olho para o céu e vejo
No infinito a minha finitude
Perplexidade diante de coisas tão pequenas
Fraqueza, apesar de plena e total saúde.

Nas sombras eu me escondo aturdido
Quero ver o Sol, mas não quero luz
Cruel e real tua atordoante presença
Que mesmo sem ter cor, muito seduz.

Desejar-te é desafiar todas as barreiras
Vencer o tempo, fugir da cruz
Animalizado instinto, puro sentimento
Revelar meu carrasco, sem tirar seu capuz.

Deixar o fogo queimar a carne
Deixar a alma arder em torpor
Trocar o certo pelo incerto atraente
Trocar o vazio pelo anseio, impávido pavor.

Sucubus real, tangível e sedutor
Filha das trevas, suga o sangue de minhas feridas
Cospe em minha face, sem nenhum valor
Prossegue caminhando para sempre sem vida.

Eu olho para o céu e vejo
Fragmentos de mim, totalidade do teu ser
És agora mais forte que antes
Êxtase alucinante, não me perdoo por te querer.

E depois me calo,
O silêncio tem mais à dizer
Fria pele, passa-me teu calor
Já estou morto, muito antes de morrer.

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Adeus

Se tu leres o que escrevo,
Saberás que é para ti
Esse polido e fiel recado,
Notório, mas nunca por mim revelado,
Escrito com o puro sangue
Que jorra de minha cruz sem peso.

Que se diga, portanto, toda verdade,
Este jugo ao qual me submeto,
Esta poesia que canto ardentemente,
No centro de qualquer esquecido coreto,
Faz de meu corpo sacro púlpito,
De onde todos meus pecados confesso.

E se com lágrimas profanas,
Minha dor eu manifesto,
Reservo-me o direito de querer,
Muito mais do que te quero,
Que todos os meus desvairados devaneios,
Por ti e em ti se encerrem.

Não te direi adeus jamais,
Um louco não carece de loucura,
Simplesmente peço que te vás,
E com tua empáfia procure algures,
Outro coração que possas empalar,
E que tua redenção, não obstante, procures.

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Expiação

De joelhos

Minha fraqueza

Meu cansaço

Eu confesso

E rogo por perdão

Do amor em mim

Sempre manifesto

E que agora

Faz tremer

Meu coração

Que deságua

Em sangue

De meus olhos

Funestos

 

Eis-me aqui

Ao léo

Diante deste

Tenebroso

E assombroso

Céu

Firmamento?

Puro tormento

Cilício da alma

Cruz do que sou

Não há nada

Por inteiro

Todo sangue

De mim

Já jorrou

 

E que essa dor

Seja cura

Para meu corpo

Ante a súplica

Que dessa carcaça

Emudecida

E apodrecida

Ainda ferozmente

Urra

E que o amor –

Ora carrasco

Ora salvador –

Purifique a alma

E traga-me a calma

Para acreditar

Ser concebível

Ainda que impossível

Amar sem sentir

Ou sem ser

Pura

E infinita

Dor.

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