Ele

“And you shook me all night long
Yeah, you shook me all night long…”

AC/DC no máximo no som do carro. Depois de uma sexta-feira típica no trabalho, tudo que passava pela sua cabeça era uma cerveja bem gelada. E sim, ele sabia exatamente onde encontrar essas cervejas e não era em nenhum bar.

O convite na parte da manhã tinha sido claro: cerveja gelada, boa conversa e… Bom, ele sabia como as noites com ela terminavam. Isso o fazia sorrir e ansiar por esses replays, que estavam se tornando cada vez mais frequentes. Tudo sem compromisso. Tudo perfeito. Tudo… Superficial.

Estranhou o seu pensamento. Não estava acostumado com a nova vida. Tinha planos para um futuro que acabou não se contretizando, e apesar da alegria que estava sentindo, sabia muito bem que estava vivendo as consequências de uma decisão, de uma escolha que não foi sua. “Paciência!”, pensou. Ligou o foda-se.

Já chegou na casa dela abrindo uma cerveja. Encurralou-a na parede (enquanto o cachorro dela tentava subir pelas suas pernas), beijou a sua boca, passou as mãos pelo seu corpo, e encheu o ouvido dela sacanagens de todos os tipos. Ela, por sua vez, retribuia da maneira que sabia: simplesmente se entregava e o deixava determinar o ritmo. E assim foram parar embaixo do chuveiro, feito adolescentes no cio, completamente eletrizados.

Chamava a atenção dele a diferença de idade entre os dois: exatos 19 anos e 8 meses. Ela achava o máximo e dizia que a maturidade dele era tudo que ela queria. Ele a achava o máximo e dizia que a inocência dela era tudo que ele queria. Ele não era tão maduro e nem ela era tão inocente. Ambos se completavam de alguma forma e isso que importava: estavam em constante estado de euforia.

Volta e meia, quando estava longe dela, ele se perguntava sobre o futuro. Não queria magoa-la. Não queria ser magoado. Entretanto, diante desses questionamentos, sempre chegava à conclusão de que tudo que ele havia planejado, de uma forma ou de outra, havia transformado em algo diferente. Isso era muito óbvio principalmente em se tratando de sua vida amorosa. Portanto, decidiu não planejar absolutamente mais nada. Decidiu viver dia após dia e isso de fato era tudo que importava. Pelo menos era isso que ele repetia para si mesmo dia e noite, noite e dia.

Lá pelas tantas, decidiram continuar a ver uma série no Netflix: The Crown. Ela ficava impressionada com a beleza e o requinte da monarquia, e ele assustado com os sacrifícios que precisavam ser feitos para manter as aparências. Ele já havia vivido aquilo de alguma forma, e entendia perfeitamente que o preço das aparências pode ser travesseiros cheios de lágrimas. Viam a mesma série por prismas diferentes e isso não os incomodava.

O cachorro incomodava. Latia de madrugada do nada. Estava acostumado a dormir com a dona, e com certeza ficava com ciúmes quando o seu lado da cama estava ocupado. Nesse dia em especial, o cachorro o acordou e ele acabou ficando sem sono. Foi no Facebook, no Instagram, no WhatsApp. Nada de diferente. Tudo tranquilo, tirando um grupo onde se discutia quem era o menos pior: Lula ou Bolsonaro.

Começou a vagar pelos seus emails. Encontrou um cheia de juras de amor. Acabou buscando pelo nome da remetente, e encontrou tantos outros emails cheios de juras de amor. Por algum motivo ainda mantinha esses emails, mantinha também as fotos, as mensagens… Tinha profundo respeito pelo que havia sentido e pelo seu passado. Lembrou-se mais uma vez que estava vivendo as consequências de uma decisão, de uma escolha que não foi sua, e isso de certa forma o acalmava. “Nunca dependeu só de mim. Eu fiz tudo que podia.” Ele tinha certeza absoluta disso.

Acabou adormecendo com o celular nas mãos. Acordou sobressaltado com o despertador que nem era para tocar no sábado. Antes que se desse conta, ela já estava dando bom dia para ele de uma forma para lá de inusitada… E lá foram para o banheiro. Adolescentes no cio. Era sempre assim. Tudo sem compromisso. Tudo perfeito. Tudo… Superficial.

Sim, ele gostava de profundidade. Era inegável. Gostava de olhos nos olhos, de declarações românticas. Gostava de achar que tinha muito a perder. Gostava de amar. Essa era a única lacuna que havia em seu peito. Sentia falta de amar. Por mais que negasse, sentia. E quando aceitava esses sentimentos, entendia o porquê de guardar tais mensagens. Eram mensagens de amor, amor que ora lhe faltava. E sim, tinha que ser um grande amor. Será que era só isso ou será que ainda amava? Não quis entrar nessa “areia movediça”. Calou seus pensamentos e sorriu. Felicidade instantânea, real e imaginária ao mesmo tempo.

Tomou café e foi nadar no clube. Foi sozinho. Aproveitou para fazer uma sauna. Encontrou um grupo de amigos fazendo churrasco. Tomou todas. Marcou 300 eventos e se comprometeu a fazer uma porrada de coisas das quais jamais se lembraria. Era esse o objetivo. Quando se deu conta, o clube já estava fechando e seu celular não tinha nenhuma mensagem. Nenhum “Oi! Como você está?”. Só mais um convite para emendar em mais uma noite regada a muita cerveja e sexo. Mais nada. Absolutamente nada. E isso era tudo que lhe faltava.

Ela

Ela acordou cedo como de costume. Seus olhos não disfarçavam a noite mal dormida. Nada que um bom banho, um bom café da manhã e uma boa maquiagem não pudessem resolver. Ela já estava acostumada.

Dormir mal tinha virado rotina. A insônia não aparecia para o mundo, obviamente. Ninguém sabia dela. Para todos os efeitos, ela era uma mulher bem sucedida, livre, desimpedida, com uma carreira brilhante, e cheia de pretendentes de todos os tipos. Todos a queriam e ela sabia muito bem disso. Ela era muito cobiçada e isso de alguma forma a confortava.

Ao chegar no escritório, assinou documentos, reviu planilhas, deu ordens, falou no telefone, fez reuniões presenciais e virtuais… Tudo como de costume. Parou apenas para almoçar um prato fit providenciado pela sua secretária. Pensou até em ir para a academia antes de chegar em casa, mas foi interrompida por um de seus clientes que a convidou para um happy hour. Meio sem saber o que fazer, ela simplesmente aceitou o convite. Afinal de contas, era sexta-feira.

Foram parar em um restaurante suntuoso e ficaram na área do bar. Ele, muito galanteador, ofereceu a ela uma bebida. Ela educadamente recusou. Não era seu perfil beber com clientes e apesar de reconhecer que ele era um homem muito bonito e elegante, manteve-se fiel a seus princípios.

Ele pediu uma cerveja. O barman disse que a cerveja escolhida estava em falta, e ofereceu outra que ele aceitou contrariado, tal como se fosse um especialista no assunto.

Uma long neck em uma garrafa verde foi entregue nas mãos dele. Ela conhecia aquela garrafa. Conhecia aquela marca. Conhecia o gosto, o cheiro. Preferiu afastar esses detalhes de sua cabeça e focar na conversa. “Quem sabe não é a oportunidade de fechar mais algum grande negócio?”, divagou animada.

Então, ele engatou em uma fala cansativa, se vangloriando de seus feitos com a visível intenção de impressiona-la. Ela, por sua vez, não conseguia tirar da sua cabeça as lembranças que estavam associadas aquela cerveja. E ele não a ajudava em nada nesse sentido. A conversa morna embalou o seu cansaço, e mesmo sem se dar conta, ela ficou introspectiva e ausente. Presente fisicamente. Sua alma, nem ela mesma sabia aonde estava.

– Eu não gosto muito dessa cerveja… Prefiro a Stella. Essa aqui é muito forte.

“Não! Essa cerveja não é forte ou mesmo mais forte. Ela só é mais amarga. Inclusive, ela é uma cerveja com menos calorias que as demais.” Mesmo sem estar bebendo, ela começou a lembrar do que tinha aprendido sobre essa cerveja, e os brindes com essa mesma cerveja que a fizeram lembrar de sorrisos, que a fizeram lembrar de conversas… Ele havia ido longe demais mesmo sem ter se dado conta disso. Ele havia disparado nela gatilhos terríveis e insuportáveis.

Ela fingiu receber uma ligação e se afastou. Foi para o canto do bar para falar mais à vontade. Retornou em seguida dizendo que tinha recebido um telefonema de uma prima. Falou a primeira coisa que surgiu em sua mente. O homem ainda se ofereceu para leva-la em casa, mas ela recusou a oferta. Ela precisava sair daquele restaurante rapidamente. Ela estava sem ar, sufocada.

Chamou um Uber. Sentiu um aperto no peito, arrepios pelo corpo, e um desconforto inexplicável. Abriu o WhatsApp. Adicionou um novo contato porque ainda se lembrava do número do telefone apesar de ter feito de tudo para esquece-lo. Se deu conta que permanecia bloqueada.

Ainda a caminho de casa, as lágrimas já escorriam pelo seu rosto. O motorista do Uber perguntou se ela estava bem, e ela apenas balançou a cabeça dizendo que sim. Ela sabia que não estava, mas era teimosa demais para admitir aquilo. “Eu estou bem… Só preciso de um bom vinho e de um banho.”

Ao subir no elevador, no espelho reparou na sua maquiagem borrada, nos seus olhos e nariz vermelhos, no rosto inchado. Se perguntou o motivo de estar assim, e muito embora soubesse da resposta, simplesmente se negou a aceita-la.

Abriu a porta de seu apartamento, tirou os sapatos, jogou a bolsa e as chaves sobre a mesa, e foi imediatamente para o bar. Pegou uma garrafa de vinho e uma taça. Abriu a garrafa de maneira atabalhoada e foi para o quarto. Encostou-se na cabeceira da cama, serviu-se com o vinho e depois de um farto gole foi mais uma vez para o WhatsApp. Ela permanecia bloqueada. Ela achava um absurdo estar bloqueada. “Como ele teve a audácia de fazer isso?”, perguntava-se alterada.

Começou a varrer a sua galeria de fotos, seus emails, mensagens arquivadas. Não havia nada. Ela mesma tinha apagado tudo. “Não é possível! Devo ter me esquecido de apagar alguma coisa!”. A ansiedade havia tomado conta dela e ela não conseguia pensar em mais nada de uma forma minimamente ordenada.

Depois de mais alguns goles de vinho, resolveu ir até o Facebook. A foto dele era a mesma de antes, de quando eles estavam juntos, mas ele não era nem mais seu amigo. A mesma coisa no Instagram. Ela o excluiu. Ela o bloqueou. Mas ela queria saber dele. “Sexta-feira… Aonde ele está? Será que está na cama com outra? Será que ele teria a audácia de fazer isso?”

Partiu em busca de um celular antigo. Lá, ela tinha certeza de que havia conversas arquivadas. Colocou o celular para carregar e foi beber mais um pouco de vinho, na esperança de que o álcool fizesse o seu coração bater de maneira compassada. “Preferia cerveja… Sujeito sem classe!”

Ela sabia o motivo de estar bloqueada. Ela tinha iniciado tudo isso. Ela o bloqueou, o excluiu, o afastou. Ela achava que tinha se libertado. “Ele era um escroto previsível. Ele e aquela maldita cerveja que ele bebia!”

Sim, ele era previsível. Era daqueles que tinha a coragem de dizer para Deus e o mundo que beber aquela cerveja ao lado dela era a melhor coisa do mundo. “Maldito! Repugnante! Cretino! Com quantas ele esteve depois que eu o expulsei de casa? Deve estar falando da cerveja com elas… Que ódio!”

O celular antigo deu sinal de vida e ela foi busca-lo na tomada. Derrubou a taça de vinho no chão, que se espatifou deixando um rastro cor de sangue. Cortou-se levemente tentando juntar os cacos. Nem percebeu. Queria mesmo era o celular, e encontrou o que tanto procurava: milhares de mensagens arquivadas. Tediosos “Bom dia!!!”, enervantes “Cadê você?”, insuportáveis “Durma com Deus!” e repetitivos “Eu te amo!”. E na tentativa de dispersar as necessidades represadas, minimizava os feitos dele: “Ele era um babaca repetitivo. Ele dizia essas merdas todos os dias. Insuportavelmente insistente! Inconveniente! Chato!”

E ele a ouvia por horas! Dava as suas opiniões. Nem sempre sabia o que dizer, mas sempre tentava ajudar de alguma forma. Um homem comum, daqueles que acha que a mulher dele é a mulher mais importante do mundo, e que faz de tudo que está a seu alcance para faze-la feliz.

Ela se lembrava das ligações dele. Algumas ela nem atendia. Ela sabia que ele ligaria de novo. Ela achava que ele era uma espécie de cão adestrado. E lá estavam as ligações perdidas dele no celular antigo. Eles deviam se falar umas dez vezes por dia. Era tudo insuportavelmente previsível. Era tudo… Um saco!

E ela encontrou uma foto dos dois. Uma que ela curiosamente se esqueceu de apagar. Ele nem era tão bonito, mas era bom de papo. Ela nem se reconheceu na foto. Estampava um sorriso enorme e estava com uma porcaria de um copo de cerveja em sua frente em um boteco, comendo carne de sol com aipim. Logo ela, a que não bebe cerveja. “Que foto é essa? Por que nela eu pareço estar tão feliz? Por que não estou assim agora?”

E voltou para as redes sociais no seu telefone atual. Foi no Facebook de amigos dele para ver se encontrava algum vestígio. Qualquer coisa que fosse! Queria saber se ele estava vivo! Nada! Até porque ela mesma excluiu todos os amigos dele. Ela fez questão de apagar todo e qualquer vestígio da passagem dele na sua vida.

Ela levou sua mão até a boca como que se estivesse assustada com o seu choque de realidade. Sentiu o gosto de sangue, e foi então que se deu conta de que havia cortado o dedo nos cacos da taça. Começou a beber o vinho direto da garrafa. Sentiu calores. Ficou nua. Ficou com raiva. Ficou excitada. Gozou pensando nele. Uma, duas, três vezes. “Por quê? Por que ainda lembro de você? Por que ainda sinto as suas mãos no meu corpo e desejo você dentro de mim? Por quê? Filho da puta! Desgraçado!”

Embriagada, pensou em ligar para ele. Desistiu. Já era tarde. Sem saber o que fazer, ajoelhou-se no chão, ainda nua, ainda encharcada, e começou a rezar desesperada. Lembrou-se de Deus. Sentiu-se ridícula. Finalmente, sentiu-se. Era exatamente disso que precisava.

Foi até o banheiro tomar um banho sentindo como que se uma lança atravessasse seu peito, vivendo a plenitude do futuro que criou para si mesma. Viu-se sozinha como nunca havia se visto. Tentou lembrar o porquê de tê-lo mandado embora. Não conseguiu. Lembrou-se apenas de todos os motivos que não havia visto ou se negado a ver para nunca tê-lo deixado ir, e do quanto ele pediu inúmeras vezes para ficar. Ele a amava profundamente e sempre fez questão de deixar isso claro em atitudes e palavras.

Repetiu seu nome em voz alta. Lembrou-se de como ele a chamava e do dialeto que a intimidade entre os dois havia criado. Ouviu perfeitamente a voz dele chamando seu nome e confessou para si mesma: “Eu o mandei embora porque eu o amava. Ele me deixava vulnerável. Eu ainda o amo enlouquecidamente. Só sei disso e de mais nada.”

E foi dormir. Dormiu bem. Dormiu abraçada com a verdade. Depois de muito tempo, dormiu finalmente bem acompanhada.

Minha comida

Eu tenho sonhos imensos
Desejos que nunca acabam
Vontades que nunca passam
A todo e qualquer momento

Se eu invento?
Não preciso e nem tento

A culpa é toda tua
Que o tempo todo desfilas nua
Na lascívia inexorável do meu pensamento

És da minha alma alimento
E eu te devoro
A todo e qualquer momento.

(im)Perfeição

Procuro um ponto
Um momento no horizonte

Onde as minhas chatices
Sejam vistas como bem menores
Do que tudo de bom que sei oferecer

Onde as palavras de amor que eu disse
Reverberem nas centenas de poemas de amor
Que eu já tantas vezes escrevi

Onde minhas atitudes coadunem minhas palavras
E que sejam inventadas todas as palavras
Necessárias para explicar o que só sei viver e sou

Onde a minha insistência e paciência
Sejam vistas e acolhidas como saudade
Com a vontade de estar, de acolher, de aceitar, de querer

Onde o meu esforço, as minhas lutas
Sejam sinais de que quero ser melhor
E não de que eu ainda não sou bom

Onde os meus passos em falso
Sejam vistos como tentativas de acertos
Por mim e por tudo ao meu redor

Onde a minha bondade não seja questionável
Ou vista como permissividade
Mas como lealdade eterna e puro querer

Onde a minha fiel sinceridade
Seja vista como motivo de encanto
Posto que nada é maior do que o amor que carrego em mim

Onde as minhas noites de sono
Antecedam dias de lindas surpresas
De paz, de virtude, de reciprocidade, de empatia

Onde minhas preces façam sentido
Para que meu corpo todo seja ouvidos
Para as palavras de Deus

Procuro um ponto
Um momento no horizonte
Onde o amor que transborda de mim
Desague no peito
De quem quer tudo que eu já sou
E de tudo que ainda há de ser melhor em mim.

Eu sou só um ser humano
Tentando ser melhor todos os dias
Eu sou só um ser humano
Que mesmo imperfeito –
E deveras verdadeiro –
É feito do mais puro amor e alegria.

Hoje, já sou melhor que ontem

Já sou melhor do que quando comecei
A sentir e escrever essa imperfeita –
E deveras verdadeira –
Poesia.

Inexclicáveis

De todos os clicks e likes que já recebi

Quantos tantos outros deixei de receber

Por serem inexclicáveis?

Quantos foram sorrisos?

Quantos foram saudade?

Quantos foram desejos?

Quantos foram vontades?

Quantos foram orgasmos?

Quantos foram queijos e vinhos?

Quantos foram café?

Quantos foram eus desobrigados?

Quantos foram paixão?

Quantos transbordaram?

Quantos foram o infinito?

Quantos foram liberdade?

Quantos foram amor?

Quantos ainda hoje são

Quantos simplesmente são

Independentemente do que se diz que é?

Quantos…

Quantos…….

Quantos………….

Tudo é tão inexplicável

E a vida assim

Seguindo

Morrendo

E vivendo

Em verdades

Inexclicáveis.

Marco zero

E pensar que eu só queria

Saber se você me lia

Pois em cada gota de tinta

Estava um pedaço de mim

 

E pensar que eu só queria

Nas noites tão vazias

Um beijo de boa noite

Um alento para a saudade que há em mim

 

E pensar que eu só queria

Contar o passar dos dias

Para aquecê-la em meus braços

Para tê-la em mim

 

E pensar que eu só queria

Que em minha cama vazia

Repousassem seus medos e sonhos

Para que você pudesse vivê-los em mim

 

E pensar que eu só queria

Ouvir e ser ouvido

Em prosa e poesia

Para fazê-la lembrar de mim

 

E pensar que eu só queria

O que ainda quero

Nosso amor, nosso marco zero

Laços sem fronteiras

Amor

Puro e retumbante

Amor desconcertante

Sem fim.

Quero com você me despir

Há noites em que você me chama

E o fogo que arde em seu corpo

Em sua cama

Queira você ou não

Chega até mim

 

Já respiramos um dentro do outro

Não há limites

Nada de esquisitices

Amor visceral

Que de nós flui

E que nos faz sorrir

E outras coisas mais

 

Confesso que sinto sua falta

Do seu perfume

Do seu hálito com alucinante

De todos os nossos cheiros

De todos os nossos gostos

Que valem mais que diamantes

Que fluem –

E como fluem! –

E nos afogam

Morremos em nossos braços

Por alguns instantes.

 

Aliás, você não é mais uma

E por mais tenham existido algumas –

Meu passado eu não renego –

Você é e desde sempre foi

A única de qual não quero

Jamais me despedir

 

No máximo –

Que fique perfeitamente claro –

Quero com você me despir.

tesao

Daqui a 10 anos

Daqui a 10 anos

Não quero estar onde estou

Onde estive

Quero-me para mim

E somente por mim

Já que sou o maior presente da minha vida

 

Daqui a 10 anos

Quero ter sentido

E sido muito mais

Posto que a vida é fugaz

E sei que somente depois da morte

Haverá algum tipo de paz

 

Daqui a 10 anos…

 

Dez anos?

Dez anos é tempo demais

Melhor deixar logo tudo para trás

E recomeçar hoje

Agora

Sem demora

Já está mais do que na hora

De viver de dentro para fora.

hoje-resolvi-pensar

Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.