3 – Luxúria

Somos eu

Somos você

Muito mais que nós

 

É o que nos agride

É o que nos maltrata

É a falta da pele do outro

É a falta do cheiro e do gosto

 

É a abundância

É a fartura

É a perda da coordenação

É vício e fissura

 

É o toque

É o gesto

É a saliva

É o arrepio

 

É roupa que cai

É o gole que enlouquece

É o despejar de vida

É a láurea de quem não padece

 

É a beira da praia

É a beira da cama

É a beira da loucura

É essa coisa totalmente insana

 

É o despertar

É o dormir

É o comer até o fim

É não deixar ir

 

É destino

É o inteiro e o recorte

É querer mais que querer

É a brisa fraca e o vento forte

 

É o corpo suado

É a alma que sacode

É a arritmia das cores

É o cachorro que ladra e morde

 

É a eternidade

É o viver sem temer a morte

É amor e anistia

É o não precisar de sorte

 

E por fim

É o Sul e o Norte

É os fatos como são

É da felicidade o passaporte

 

Somos eu

Somos você

Muito mais que nós.

luxúria

1 – Gula

2 – Avareza

3 – Luxúria

4 – Ira

5 – Inveja

6 – Preguiça

7 – Orgulho

Peito aberto

És assim:

A última coisa que penso antes de morrer

 

Morro todas as noites

Ressuscito todos os dias

E da gaveta do meu necrotério pessoal

Onde permanecem insepultos

Tanto o bem quanto o mal

Levanto-me e não me encontro

No obituário do jornal

 

E nesse estado de inexistência e torpor

Morto e roto

Liberto do amor

Não sinto tua falta

De fato, nada sinto

Pois lá

Seja lá onde esse lá for

Nem tu nem eu existimos

 

Dia e noite

Noite dia

Vida sem sorte

Abraça-me a morte

Nua e fria!

Esquece-me a vida

Sufocante agonia!

 

Inexistência de tristeza e alegria

Eu diria

Não fosse esse implacável despertador

Que todo santo dia

É meu desfibrilador

E que me lembra de sentir dor

Cirurgia de peito aberto de saudade

Sem nenhuma anestesia.

homem-necroterio-010116

Deferido

Há tempos

Que os ventos

Não conspiravam

Na mesma direção

 

Há tempos

Que as palavras

Algumas vezes duras

Não caiam como benção

 

Há tempos

Que os sonhos

Que deixavam sem dormir

Não traziam consolação

 

Há tempos

Que a saudade

Era desespero

E não consolação

 

Há tempo

Ainda há muito

 

Tempo

 

O tempo do amor

Para nosso contento

Obteve, finalmente

O seu deferimento.

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