Diálogo com Deus

– Então, Senhor… Aqui estou eu, novamente, pedindo por…
– Eu sei pelo que está pedindo. E está pedindo há tempos!
– O Senhor fala comigo?
– Sempre. O problema é que, na maioria das vezes, você não me escuta.
– Como assim?
– Você pediu, rezou, implorou, se ajoelhou… Eu vi isso tudo. Cada palavra. Cada gesto. Cada intenção.
– E ainda assim eu não consegui o que queria…
– Você acha que eu sou uma espécie de restaurante “self service”, onde você pode pegar o que quer e ignorar o que não lhe apetece?
– Não é isso, Senhor… É que…
– Eu sei o que você quer. Esqueceu que eu sou onisciente? Também sou onipresente e onipotente. Espero que se lembre de tudo que leu e ouviu a meu respeito…
– Eu sei, eu sei, mas…
– Mas você está achando que é Deus! E não… Deus sou eu! E sou seu único Deus! Seu salvador! Sei que você acredita nisso!
– Sim, Senhor… Eu creio!
– Então, pare de fingir que é Deus!
– Como assim???
– Eu sei de tudo, meu filho. De tudo. E quero fazer umas perguntas… São perguntas retóricas, para deixar bem claro. Só que você está empacado feito uma mula e resolvi ajudar de forma mais direta.
– Ajude-me, então, Senhor! Diga-me o que fazer para conseguir que…
– Chega dessa ladainha! Eu disse que sei de tudo! Onde está a sua fé?
– Está aqui, nessa nossa conversa…
– E não está nas suas atitudes e nos seus pensamentos? Não está na sua maneira de olhar o futuro? Que fé é essa?
– …
– O que você gostaria de ter, de viver, vem do fundo do seu coração?
– Sim, Senhor, e eu sei que o Senhor sabe disso.
– Você fez tudo que estava a seu alcance para conseguir o que queria?
– Fiz sim… Na verdade, acho que tentei fazer até o impossível… Talvez mais do que eu deveria ter feito…
– Entendeu o problema?
– Não… O Senhor poderia elaborar um pouco mais?
– Eu estive contigo em TODA a sua jornada. Em cada passo, em todos os momentos. Eu conheço seu coração. Sei que há verdade e bondade no seu pedido, mas eu, como seu Deus, tenho o direito de nega-lo ou oferece-lo no momento em que EU julgar oportuno. Entendeu agora? Lembra do que falei sobre “self service”?
– …
– Eu ouvi conversas que você não ouviu! Eu vi coisas que você não viu! Eu conheço inimigos que você não conhece! Eu sei de coisas que você não sabe! Por que eu, como SEU PAI, daria a você, MEU FILHO, menos do que merece ou precisa?
– Mas, Pai… Eu preciso disso! Eu mereço isso!
– Você precisa de tudo que vier em meu nome e no tempo que EU achar adequado. Eu sou o senhor do seu destino. Eu sou a verdade e a vida. Há batalhas que só eu posso travar por você. Há portas que só eu posso abrir por você. E eu sei o que é melhor para você! Por que é tão difícil aceitar isso?
– Mas…
– Chega de mas! Chega! Você fez a sua parte e eu sei disso. Será que não percebe que é isso o que realmente importa? Chegou o momento de você descansar…
– Morrer?
– Vida eterna, se esqueceu? Mas nem é disso que estou falando. Você fez o plantio… É chegado o momento da colheita.
– Quer dizer que eu vou conseguir que…
– Não ponha palavras na minha boca! Eu disse que é chegado o momento da colheita.
– …
– Você não sabe o que é melhor para você. Eu sei! Descanse sabendo que seu Deus ouviu as suas preces! Mas eu não vou te dar o que você me pediu… Eu vou dar MUITO MAIS do que me pediu! Só espero que esteja pronto para receber o que vou dar…
– Como assim?
– Estou preparando você há tempos! Não se deu conta disso? Que tipo de pai deixa seu filho sofrer se não for por um bom motivo?
– Me preparar?
– Como você pode reconhecer a luz se nunca viu a escuridão? Eu quero que, no futuro, lembre-se dos seus dias de luta com muito orgulho, porque não há NADA que aconteça em sua vida que não esteja nos MEUS planos. Você é uma OBRA DE DEUS! Levante a sua cabeça! Olhe para o futuro! Não olhe para o passado que não é para lá que você vai! O que tiver que ser, será!
– Não adianta discutir com o Senhor, né?
– Não.
– Pois bem… Mas será que…
– CHEGA!!!
– Ok. Que assim seja!
– Até que enfim!

A escolha certa

Mesmo não sabendo quem eu era
Deixei de sê-lo
E não mais sendo
Acabei sendo o que eu não era
Mas que de fato eu sou –
Sempre fui

As respostas só surgiram
Quando desisti de buscar por elas
E assim acabei descobrindo que as perguntas
Sequer eram para ser aquelas!

E quando chegou a hora –
Sem pressa ou demora –
Perguntas e respostas se esvaíram
E restou apenas o aqui
O agora
O afinal

Tanto tempo me perdi
Nos excessos
Do passado
Do futuro
Que eu não me via bem ali
Ao alcance de mim
Embora cercado por muros
Que eu mesmo ergui!

E disso tudo fica a lição
Da vida que hoje vivo
Por conta da que antes não vivi:
Em dado momento –
Meu e somente meu momento –
Eu fiz uma escolha
E dela não me arrependi
Eu escolhi –
E todos os dias escolho –
O eu que eu conheci.

Indigentes

Não

Não foi acidente

Não foi desatino

Do destino

Foi aprendizado

Anseio

Ensino

Que virou ode

Canção

Hino

 

Juntos

Menina

E menino

Adultos

Escancaradamente

Ocultos

Sulcos

No coração

Na alma

Felicidade

Liberdade

Absoluto

Total

Brutal

Descomunal

Indulto

 

Não

Não foi acidente

Foi Deus sendo benevolente

Com os que sentiam fome de amar

E do amor eram indigentes.

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Absortos ou loucos

Já não há mais dúvida

E tenho medo da certeza:

Não quero só tua beleza

Quero-te toda, na cama e no chão

Se nem eu mesmo sei explicar

Como podes insinuar

Que na complexidade do meu pensar

Não sei o que de fato sinto?

Rasgas meu coração quando duvidas

Do que é tão óbvio e certeiro

O que tenho de mais verdadeiro

E que carrego sempre comigo

Escarras no nosso amor

Como se este fosse uma calçada qualquer

Somos homem e mulher – sabes disso!

E é prudente que nenhum de nós se pise

Impávido e colossal amor

Incêndio que nunca se extingue

Que o destino de nós não se vingue

Por sermos tão absortos… Ou loucos.

loucura

Estou te esperando

Mais uma noite de verão,
De música, alegria e festa,
E eis que, mais do que de repente,
Um sonho, um desejo latente,
Toma conta de mim,
Da minha loucura,
E cura todas as minhas moléstias.

Invade-me uma grande luz,
E no meio de toda a multidão,
Uma grande certeza em meu coração:
Para cada amor que morre,
Um maior ainda nasce,
E seu tamanho fica evidente em minha face,
No sorriso que esbanjo, feito criança.

Ah! dona de minhas esperanças,
Onde estás agora?
Será que a nossa definitiva hora
Ainda está por chegar?
Teu maior dom é fazer com que minha espera
Seja descanso, cor, brilho – quem me dera!
Te ter aqui, agora, afinal.

Não me culpes por perceber
O que não perceberam antes,
Nos teus olhos de diamante,
O valor da minha vida,
E de tudo que eu sempre quis,
Meu Deus, como estou feliz!
Parece que vivo em um conto de fadas.

E a festa continua,
Se estende por além desta noite.
Só quero me livrar do grande açoite,
Que é viver longe das tuas risadas,
Dos teus feitiços, minha fada,
Minha fantasia, meu corpo,
Minha alma, meu destino,
Sem te ter, sou quase nada.

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