Elixir da vida

O que eu dou de bom

Sem esperar nada em troca

É que me define

É o que de mim ao outro toca

 

E quando alguém percebe isso

E me sorri com os olhos de volta

Muito mais ainda ao outro toca

Posto que este é o elixir da vida

Quando esta não mais está morta.

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Oração de Paz de São Francisco de Assis

“Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:

consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe.

É perdoando que se é perdoado.

E é morrendo que se vive para a vida eterna.”

Meu Anjo da Guarda

Todo meu 19 de Agosto é dia de reflexão. Meu irmão estaria fazendo 42 anos, mas um câncer o levou quando ela tinha apenas 8 anos de idade. Eu tinha 12 na época.

Falar sobre os 2 anos em que ele ficou doente é algo que não me leva a lugar nenhum. Até porque a ida dele para o céu foi uma libertação. Entretanto, a vida continuou para a minha família, e os efeitos da sua morte prematura ficaram em todos nós.

Lembro que no dia que ele faleceu, 10/11/1984, meu pai e minha mãe disseram que “ele tinha ido para o céu”. E eu respondia: “Não. Meu irmão morreu!” Os eufemismos naquele momento eram detestáveis. Eu queria sentir com toda a intensidade a partida de meu irmão. E foi assim que eu fiz.

Nada foi o mesmo depois disso. Meu pai tentava fingia que nada tinha acontecido, e acabou falecendo aos 61 anos, absorto pelas dores da morte de seus filho. Minha mãe, ainda viva (graças a Deus!), foi pelo caminho contrário. Falava da morte dele com desenvoltura e desapego. Entretanto, suas feições nunca esconderam a dor que ela ainda carrega no peito. Não é para menos: mãe é mãe.

Eu? Sinto a presença de meu irmão todos os dias. No dia de hoje, especificamente, fecho para balanço. Sinto que converso com ele de alguma forma, e aproveito o dia para refletir sobre a vida. Também sinto um turbilhão de sensações: morreu ou foi para o céu? Só sei que de fato ele não está por aqui, mas fui pego de surpresa no dia de hoje.

– Pai, é possível que o nosso anjo da guarda mude durante a vida?
– Não sei, minha filha… Não sei… Mas por que a pergunta?
– É que o Tio Felipe é seu anjo da guarda agora.

Ela com 10 anos… Eu com 46. A abracei e chorei em seus ombros. Minha filha me deu hoje um presente que esperei durante muitos e muitos anos. Consegui finalmente acreditar que meu irmão está vivo e de fato no céu.

Obrigado, Senhor Meu Deus, pelo presente que recebi no dia de hoje! Obrigado por ter me dado uma filha tão maravilhosa! E obrigado a você, Felipe Ottolini, por todos esses anos que me guardou. E que tudo continue assim.

saiba-seu-anjo-da-guarda

Contrapé

A gente é o que é

Porque nosso orgulho

É maior que nossa fé

 

A gente não se fala

A gente deixa

Na esperança de que o outro

Faça o que o que deveria ser feito

 

A gente ignora

A gente some

A gente ama

Mas a gente chora

Porque o eu te amo fica guardado

Escondido na memória

 

A gente só queria que desse tudo certo

Mas a gente se cala

Em prosa e verso

A gente não se comunica

A gente assume que o outro sabe

A gente julga, condena e absolve

A gente é a hipocrisia

A gente é a vida e a morte

 

Mas no fundo

A gente sabe que não é porra nenhuma

Porque quem não sabe pegar uma porra de telefone para dizer que ama

Tem mais é que dormir sozinho, ainda que acompanhado na cama

 

A gente é o que decide que é

E se a gente se nega a ser o que de fato é

A gente vive por aí, em busca do que nos falta

Mas de fato só falta o que dizemos que não faz falta

E a gente vive por aí fodido, mentindo

Culpando a Deus, nossa criação, o universo, o destino

Até que a gente tome uma rasteira

E o tempo pegue a gente no contrapé

E aí vai ser o que é.

Cada vez mais distante

A verdade não me deixa sem chão

Muito pelo contrário:

A verdade me dá asas

E do alto

Eu vejo e me vejo

Cada vez mais distante.

A uma

Ela é aquela, a uma
Que surgiu do nada
E não deixou nada de pé

Ela é a amálgama das minhas facetas
Que eu sequer sabia que existiam
E assim se fez em mim o que é

Ela é o sol e a lua que não nascem ou se põe
Que me ilumina e irradia – de noite, de dia!
É a luz do meu antes displicente ser

Ela é o horizonte que vejo e tenho como certo
Meu ponto de chegada e partida
Em paz comigo mesmo, fez-me renascer

Ela é aquela que me desafia, que critica
Que me faz ter certeza das incertezas
Que me ouve, que não permite que eu me sinta mudo

Ela é aquela que por onde passa
Muda conceitos, corolários, opiniões
E mudou por completo minha visão de mundo

Ela é aquela sem definição
Uma projeção perfeita de mim mesmo
De tudo que mais ardentemente desejo e prezo

Ela é o resultado direto e correto
De longas súplicas que fiz a Deus
E por ela, em reverencial silêncio e de joelhos, eu rezo

Ela é despertares suados de sonhos aflitos
Paisagens paradisíacas e amontoados de livros
É a minha natureza mais abissalmente profunda

Ela é o tudo que dilacera o nada
É o que quiser e o que desejar ser quando quiser
E a sua presença simplesmente transborda, inunda

Ela é a primeira e a última dose
Afrodisíaco dentro e fora de quatro paredes
Real e absolutamente despudorada quimera

Ela é a força que eu não tenho
Não por acaso faço até o impossível
Para ter-me em suas mãos – quem me dera!

Ela é o choro do eu menino assustado
Que se cala com um abraço, com um beijo
E que em seguida sorri com a pureza de uma irresistível criança

Ela é a minha escolhida – impossível resistir a isto!
Por esses e tantos outros motivos
Derradeira bem-aventurada bem-aventurança

Sim, ela é a uma que eu não previa
Aquela que eu sempre quis ter
Sem saber que como ela algo parecido existia
Infinitas possibilidades me fez conhecer

E hoje, agradecido, entorpecido
Torço para que a uma que pela minha vida caminha
Aceite-me para sempre em seus ouvidos
Ouvindo-me dizer: “É minha! É minha!”

E que a uma, de alguma forma
Veja nesse homem para lá de comum
Que mesmo ela sendo a uma
Eu não sou apenas mais um.

A uma, eu sou seu um.

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