Vim trazer verdades 32

Troquei o “pelo amor de Deus” por “graças a Deus” e muita coisa mudou em minha vida.

Se é Deus quem está no controle, que assim seja. Ele sempre sabe o que é melhor para mim.

A mala

Demorei a desfazer a minha mala, porque eu sabia que desfazê-la era o mesmo que desfazer-me.

Fui tirando as peças de roupa e revivendo histórias, memórias. Deparei-me com porvires que nunca virão e com garrafas de vinho que jamais serão abertas. Brotaram declarações de amor tarja preta, beijos esquecidos e orgasmos retorcidos, sepultados sem choro e nem vela.

No fundo da mala, uma medalha de Nossa Senhora de Fátima e um paninho da minha filha, daqueles que crianças usam para dormir. Toda vez que eu viajava, ela colocava o paninho na minha mala e me dizia: “Leva esse paninho para você não se esquecer de mim!”

Fitei a medalha e levei instintivamente o paninho até meu rosto. Respirei fundo e me dei conta de que tudo que realmente importava na minha vida estava ali. Tudo vivo. Tudo sagrado. Tudo resguardado.

Fiz uma prece e usei o paninho para enxugar algumas lágrimas que insistiram em rolar pela minha face. Agradeci pela minha vida, pela vida da minha filha, pelo que deu certo e até mesmo pelo que deu errado. Simplesmente agradeci. Entreguei-me, por fim, a minha realidade burlesca.

Da alça da mala, retirei a etiqueta da companhia aérea. Lembrei-me do voo turbulento e da volta antecipada. Lembrei-me da turbulência em minha vida, mas voar continuava a ser uma necessidade premente. Não era opção. Era vocação. O próximo destino? Nas mãos de Deus.

Fechei a mala e a guardei em um canto do quarto. Coloquei a medalha na minha carteira e o paninho sobre meu travesseiro. Fui dormir mais tranquilo. Naquele dia, encarei o meu medo e ele covardemente me disse adeus.

Parque da Cidade – Niterói/RJ

Uma subida extenuante (pode ser feita de carro, mas perde e graça) para alcançar esse paraíso com temperatura de 18⁰ C (versus 24⁰ C na beira da praia) e uma vista absolutamente maravilhosa, que seria de 360⁰ não fossem as árvores (e que as árvores continuem por lá).

Mais do que recomendo a visita, quer seja para pular de asa delta/parapente, fazer exercícios/trilhas, tomar uma cerveja, comer no bistrô, passear com as crianças… Enfim… Curtir a vida. É simplesmente sensacional! 🙂

De quebra, fui novamente na Praia de Camboinhas e Deus me deu esses presente: uma coruja fazendo pose para foto!

Foi ou não foi um sábado mais do que abençoado? Obrigado, Deus!!! 🥰🥰🥰

Pegadas no céu

Eu até me via
Do teu lado no altar
Agradecendo a Deus por tudo
Indo de encontro ao mundo
Sem precisar sair do lugar

E os meus versos repetidos
Repeti-los-ia todos os dias
Porque não eram só versos
Eram orações e preces
Agradecimentos e euforias

Havia verdade nos fartos goles
Paixão nas inesquecíveis garfadas
Desejos confessos com os olhos
Declarações em todos os gestos
Afagos entre almas apaixonadas

E nas areias vida afora
Nas pegadas que deixamos no céu
Conversas que transbordam a memória
Muitas, todas inesquecíveis histórias
De um amor que foi tudo, menos vão.

Deus não tem nada a ver com isso!

Não culpe Deus por não fazer a parte que não lhe cabe fazer.

Então, você tem rezado com os joelhos no chão. O que você espera que Deus faça? Que se manifeste fisicamente e resolva os seus problemas? Que diga para os outros o que precisa ser dito? Que termine o que não está dando certo para que algo novo se inicie? Que force você a se amar, a se respeitar, e a dizer não para o que te faz mal?

ISSO CABE A VOCÊ! O trabalho de Deus é inspirar, incomodar, indicar, intuir, esclarecer, guiar… Deus manda a resposta, mas o livre arbítrio é teu. É você quem decide o que fazer com a resposta e não Deus.

“Ah! Mas Deus não está me respondendo…” Não minta para si mesmo, vai… Deus SEMPRE responde. A questão é que muitas vezes a resposta é diferente daquela que você esperava, nem por isso deixa de ser uma resposta divina.

Reze de joelhos no chão se for o caso, mas prepare-se para ouvir o que você não quer ouvir e para ver o que você não quer ver.

Enquanto você fingir que acredita em Deus apenas quando a resposta que recebe bate com a sua vontade, é como se Deus não existisse. E Deus existe SEMPRE!

E aí? Vai continuar fingindo que não recebeu nenhuma resposta?

Nossa Senhora de Fátima – 2021

Ave Maria, cheia de graça, 
O Senhor é convosco, 
Bendita sois vós entre as mulheres 
E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. 
Santa Maria, Mãe de Deus, 
Rogai por nós pecadores, 
Agora e na hora da nossa morte.

Amém!

Hoje é o seu dia! Obrigado por tudo, minha mãe! Muito, muito obrigado! Nós bem sabemos do tanto que Deus tem feito em minha e por minha vida! 🌹🌹🌹

Lágrimas e Deus

Eu aprendi que todas as vezes em que as lágrimas rolavam fartas em meu rosto, eu me conectava com Deus.

Depois, eu aprendi que as lágrimas que rolavam fartas em meu rosto eram uma maneira da qual Deus se utilizava para se conectar comigo.

Mais tarde, aprendi que se eu me mantivesse em conexão constante com Deus, as lágrimas que rolavam fartas em meu rosto sequer eram necessárias.

E foi aí que eu entendi tudo. Foi aí que eu entendi o quanto era, é e sempre será importante e fundamental a minha conexão com Deus.

Deus me livrou das lágrimas através das lágrimas. Ele tudo pode. Ele é Deus.

Seguindo em frente

Uma coisa que eu aprendi é que para cada pergunta que já fiz sobre a minha vida, antes mesmo da pergunta ter sido formulada, já havia uma resposta. E a resposta estava ali, bem na minha frente, apenas esperando a pergunta correta ou mesmo adequada para emergir.

E pensando sobre isso, me dei conta que já tive medo de fazer certas perguntas por ter medo de me deparar com as suas respostas. Sim, essas mesmas respostas que eu dizia que procurava. A questão é que de fato as dúvidas não existiam. O que existia era um mecanismo de defesa, pois ao não fazer as perguntas eu podia dizer que desconhecia ou mesmo que não sabia das respostas.

Quanta tolice! Quanta imaturidade! Quanto tempo perdido em questionamentos intermináveis, até mesmo quando o óbvio insistia em se fazer presente. Quanta energia desperdiçada! Quantos “socos na parede” apenas para perceber que a parede não se importava com meus socos e permanecia completamente indiferente à dor em minhas mãos, à dor em minha alma, em meu coração. Minha dor e de mais ninguém.

Admitir que eu não sabia lidar com algumas respostas (i.e. a verdade) foi um dos processos mais dolorosos que já tive que enfrentar na minha vida. E até para isso já existia uma resposta:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – João 8:32

E assim, percebi que talvez eu não quisesse me libertar. Talvez eu apenas quisesse que as coisas não fossem como elas realmente eram. Talvez a esperança de que algo mudasse fosse grande e forte o suficiente para me fazer pensar em esperar até que a resposta mudasse. E muitas vezes eu fiquei esperando, esperando, esperando…

Seria, então, a esperança algo ruim? A esperança paralisante é. Algumas vezes, tudo que precisamos fazer é olhar para Deus e dizer: “Toma! Isso é grande demais para eu resolver!” E assim seguir em frente, na certeza de que as coisas serão como tiverem que ser. O que seria a fé senão isso?

Ainda tenho medo de algumas respostas – que isso fique claro, mas também tenho esperança. Não necessariamente a esperança de que algumas respostas mudem, mas a esperança de que encontrarei em meu caminho meios que me façam ir adiante mesmo diante de respostas com as quais não sei lidar (ainda).

E que assim seja. Eu tenho fé e isso é tudo que eu realmente tenho.

Recomeço

Passei um tempo
Olhando para baixo
Cabeça arriada
Olhos amoados
Sorriso dormente
Peito apertado
Pés no chão

Passei um tempo assim
Tomando coragem
Fazendo cara de paisagem
Com receio de encarar a verdade

Foi um tempo que me dei
Tempo que eu precisava
Para me dar conta
Que o horizonte
Que eu conhecia
Era por mim desconhecido

Eu era uma piada pronta
E de mim só Deus não ria

Salvou-me a fé
E a vida continua
Meus olhos fixos no horizonte
Que ainda hoje desconheço
Mas reconhecer a minha ignorância
Já me parece um grande recomeço.