Fique tranquilo: você vai morrer

Não é a vida que nos iguala. É a morte. A morte foi a maneira que Deus encontrou de nos mostrar que somos todos iguais.

E ainda sobre a morte… Já se viu alguém perguntar ou pensar em seus últimos instantes de vida sobre suas fortunas, sobre o mundo material? NÃO! A proximidade da morte nos faz pensar única e exclusivamente no que deixamos de viver e de sentir para nos mantermos dentro da inexistente, da fictícia zona de conforto que acreditamos ter em nossas vidas para evitar a dor, e em última análise, a morte.

Portanto, viva a sua vida! Deixe para agir como um morto apenas quando a morte de fato chegar. E quando aparecer o medo, a dúvida, a insegurança, ou qualquer outro sentimento aparentemente negativo, lembre-se: tais sentimentos são exclusividade de quem está vivo.

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Absortos ou loucos

Já não há mais dúvida

E tenho medo da certeza:

Não quero só tua beleza

Quero-te toda, na cama e no chão

 

Se nem eu mesmo sei explicar

Como podes insinuar

Que na complexidade do meu pensar

Não sei o que de fato sinto?

 

Rasgas meu coração quando duvidas

Do que é tão óbvio e certeiro

O que tenho de mais verdadeiro

E que carrego sempre comigo

 

Escarras no nosso amor

Como se este fosse uma calçada qualquer

Somos homem e mulher – sabe disso!

E é prudente que nenhum de nós se pise

 

Impávido e colossal amor

Incêndio que nunca se extingue

Que o destino de nós não se vingue

Por sermos tão absortos… Ou loucos.

loucura

E se…

E se você fosse

Deixada aos terrores da noite

Sem nada entender

Em uma encruzilhada da vida?

 

E se suas respostas

Virassem perguntas

E não houvesse ninguém

Sequer para ouvi-las?

 

E se aquele delicioso vinho

Suave e inebriante

Ficasse seco de repente

E tivesse que bebê-lo sozinha?

 

E se a cama vazia

Seca, inerte e nua

Com lençóis gélidos

Fosse unicamente sua?

 

E se suas lágrimas

Alcançassem o chão

Formando imensas poças

Antes que alguém tentasse entendê-las?

 

E se o seu grito dorido

Vomitado do peito

Fosse ignorado

Ou mesmo esquecido?

 

E se o seu nome

Repetido tantas vezes

Em tantos tons e texturas

Fosse completamente esquecido?

 

E se…

Você pudesse evitar tudo isso?

E se…

 

Eu não sei

Nem você

Espero que jamais saibamos

Espero que seja só um

E se.

gregos3

Certeza incerta

Parece-me sensato

Que enquanto esperamos pela morte –

Que é certa –

Que tenhamos a certeza

De que passaremos pela vida –

Que é incerta –

Com a inequívoca incerteza

De quem duvida

Da morte.

vida-infinita

 

Amizade é isso

O que se espera de um amigo?

Que seja franco e direto.

Que não fale amanhã o que poderia falar hoje, ou mesmo o que poderia ter falado ontem.

Que perceba contextos e que leia entrelinhas.

E, acima de tudo, que diante de um problema, ouça a sua versão dos fatos, e que ela tenha o mesmo peso da versão relatada por qualquer outra pessoa, inclusive das versões relatadas por outros amigos.

E que perdoe se você estiver errado (desde que peça desculpas), ou que seja generoso ao ponto de conceder o benefício da dúvida caso surja algum impasse.

E se tudo isso se confundir ou se perder por algum motivo, dê tempo ao tempo. Não é necessário fazer mais nada.

Lucas 8:17
Porquanto não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz.

Que assim seja!

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Duvide sempre!

“Em muitas pessoas a palavra antecede o pensamento, sabem apenas o que pensam depois de terem ouvido o que dizem.” – Gustav Le Bon

Estranho, não? Se é justamente no cérebro que residem as idéias e todo o emaranhado de estruturas necessárias para a articula-las, como podem algumas pessoas se ouvirem apenas depois de falarem? Não é minha especialidade, mas tenho visto este tipo de fenômeno com cada vez mais frequência. Pessoas que falam sem se dar conta do que estão falando, e pior: sem se darem conta das implicações de suas palavras.

Todas as pessoas são responsáveis por aquilo que dizem. Não pode servir como justificativa o “eu estou repetindo o que me disseram”, ainda mais se levarmos em consideração que o “eu estou repetindo o que me disseram” é seletivo. As pessoas em questão sempre repetem frases e idéias do tipo A. Nunca do tipo B ou de qualquer outro tipo. O mundo que vivem já foi programado, e suas existências mera obra do acaso. São um mal necessário. Não são princípio ou fim. Apenas o meio.

Apesar dos inúmeros avanços em se tratando da ciência como um todo, no campo das idéias, principalmente na área de Humanas, as paixões ainda predominam nos discursos. Ainda que sejam Ciências Humanas, os tais “cientistas” ignoram por completo a realidade dos fatos e qualquer método científico verossímil, preocupando-se apenas em encontrar dados que possam justificar, ainda que de maneira torta, uma determinada linha de pensamento que já tinham como certo antes de iniciados os trabalhos! É a vulgarização da ciência, tal como se os pais de uma criança fossem determinados depois de seu nascimento, e não fossem, de maneira direta, responsáveis pela genética daquele ser.

Em um mundo como este, de idéias órfãs, frases de efeito ganham força e são exaustivamente repetidas, após terem sido cuidadosamente criadas por “cientistas” em seus laboratórios ideológicos. Esses “cientistas”… Estes sim, de fato pensam. Ainda que tais frases e idéias passem por cima do óbvio, do notório, conseguem engendram no senso comum do rebanho varonil uma realidade sem lastro, sem pudor, sem compromisso. E mesmo diante dos fatos, esta realidade é nada. E ainda assim é chamado de louco quem ousa rebate-la.

Mas isso não está acontecendo por acaso. As escolas demoraram anos criando esta matéria-prima acéfala. Especializaram-se nisso. Pesquisas recentes indicam que 50% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais, incapazes de imprimir qualquer tipo de raciocínio critico a uma idéia, a uma determinada linha de raciocínio. E ainda que haja bolsões de esperança em alguns esparsos e cada vez mais raros cantos, a esmagadora massa de ruminantes faz questão de não pensar, e tomar com sua uma realidade que sequer existe.

Não é possível que uma sociedade subsista assim. Em uma sociedade que carece de valores, a repetição de quem fala o que não pensa, que de fato não processa, se torna lei, e essa lei não é só regra, mas também punição para os que nela não acreditam. O “Duvido, logo penso, logo existo” foi substituído pelo “Acredito, logo existe”. E por conta de acreditar e nunca duvidar, afunda-se a sociedade cada vez mais na areia movediça de suas próprias certezas. E as vozes dos que duvidam, cada vez mais abafadas, são entendidas como o choro dos perdedores. Estes são as aberrações da natureza.

Duvido de mim. Duvido deste texto. Espero que faça o mesmo. Questione-o. Aponte seus defeitos. Sugira melhorias. E não faça isso apenas com este texto. Faça isso a cada minuto da sua vida. Questione se você realmente tem direito de não questionar e decida se quer ser ou não cúmplice de seu destino.

Não repita. E se for repetir, antes disso processe. Não deguste apenas queijos, vinhos ou cervejas. Deguste pensamentos também. Permita-se. Crie o instrumental necessário para sua saída definitiva de Matrix.