Você não é substituível!

Normalmente, eu escrevo um texto e procuro uma imagem ou frase que tenha a ver com ele. Hoje, faço o contrário.

Passeando pelo Pinterest, encontrei a frase que está no final desse texto.

Somos criados (eu pelo menos fui) diante da máxima “ninguém é insubstituível”. E de uma forma ou de outra, essa frase é uma grande falácia. Ela parte do pressuposto que a vida é uma espécie de competição, onde temos que nos posicionar de maneira superior aos demais para não sermos substituídos. Talvez haja verdade nisso em se tratando de ambientes estritamente profissionais, mas a vida é bem mais do que mero profissionalismo…

Eu tenho qualidades e defeitos. Todos temos. Em nossa jornada pelo mundo – nossa vida, somos constantemente bombardeados pela sensação de que devemos seguir um determinado padrão para que a aceitação venha. E nos culpamos e até mesmo nos rejeitamos por conta disso. É um eterno jogo do tipo “se eu fosse assim, a minha vida seria melhor”. Ledo engano.

Eu, Fábio, sou único. Sou um conjunto de experiências e histórias, de vitórias e derrotas, que me fazem ser eu, Fábio. Percebem o poder disso?

Há pessoas que pensarão em você e sentirão em você (e por você) somente o que VOCÊ pode dar, o que somente VOCÊ pode ser. E justamente por isso, no dia de hoje, seja lá quem você for, gostaria de deixar claro que VOCÊ é especial e que EU também sou. E sim: sermos o que somos é de fato um super poder.

Não deixe que um dia difícil ou um momento difícil defina a sua vida. Não deixe que a opinião de uma pessoa (ou grupo de pessoas) seja algo limitante ou mesmo constrangedor. VOCÊ É VOCÊ E SÓ VOCÊ SABE SER ASSIM.

Em busca da melhor versão de nós mesmos – SEMPRE!!!, mas na certeza de que somos o bastante e que somos capazes de, de alguma forma, fazer a diferença no mundo e nas pessoas que nele habitam.

VOCÊ tem superpoderes e EU também. Seja bem-vindo ao clube. Nós somos insubstituíveis. 🙂

Daqui a 10 anos

Daqui a 10 anos

Não quero estar onde estou

Onde estive

Quero-me para mim

E somente por mim

Já que sou o maior presente da minha vida

 

Daqui a 10 anos

Quero ter sentido

E sido muito mais

Posto que a vida é fugaz

E sei que somente depois da morte

Haverá algum tipo de paz

 

Daqui a 10 anos…

 

Dez anos?

Dez anos é tempo demais

Melhor deixar logo tudo para trás

E recomeçar hoje

Agora

Sem demora

Já está mais do que na hora

De viver de dentro para fora.

hoje-resolvi-pensar

Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

coracaopaixao

Buscando respostas

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – Geraldo Vandré

Frases contraditórias. Muitas vezes se espera para saber. A iluminação pode surgir em um piscar de olhos, mas ela também pode aparecer depois de um tempo. O importante é estarmos em busca do saber.

Acho que a dúvida de muitos é onde encontrar esse saber, que em última análise se transforma em uma grande busca por respostas. Procuramos em livros, em artigos, em amigos e em familiares as respostas para as quais precisamos. Tais respostas costumam variar bastante. Algumas se apresentam contraditórias. Nos esquecemos, entretanto, de perguntar para quem via de regra sabe todas as respostas: nosso eu interior.

Entretanto, isso não é tão simples quanto parece. É preciso que o seu eu interior esteja conectado ao universo e preparado para receber respostas, muitas vezes, completamente diferentes das que esperavamos obter.

O universo tudo sabe. Se o universo te fez chegar até às perguntas, as respostas já existem. Ouça-as. Veja-as. Elas estão em todos os lugares, até mesmo nos mais inusitados.

Mas não… É bem provável que ela não venha na forma de palavras. É bem provável que não seja verbalizada. É bem provável que venha através de sinais.

Sim, sinais! É a música que toca, o pássaro que voa distante, o vento, o barulho das ondas do mar… Contextualize os sinais diante de suas perguntas e pronto. Eis que surgem as suas respostas.

Aceite-as. Receba-as com gratidão. Por mais dolorosas ou difíceis que sejam ou pareçam ser, são as verdadeiras respostas. São as únicas respostas. São a verdade. A verdade que sempre esteve dentro de você e que o universo simplesmente aflorou quando você realmente quis ou estava preparado para encontra-la.

Não tema a verdade. Ela é o único meio de sermos realmente livres. Deixe a verdade te surpreender.

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Culto do “Eu”

Em geral, aqueles que acreditam que as pessoas e os fatos orbitam a sua volta, no entorno do “eu”, costumam se dar conta de que um “nós” é possível apenas quando este já não existe ou perdeu o sentido de existir.

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Sou do avesso

Que não te esqueças de mim

Quando a noite chega

Não tenho medo do escuro

Mas fico reflexivo, taciturno

À mercê dos perigos do mundo

 

E estes me rondam

Sondam-me

Provocam-me

Para que meu pior aflore

Que se mostre e devore

Tudo do qual não careço

Ou nutra qualquer apreço

 

Sim, quase tudo tem seu preço

E eu que não estou a venda

Fui por ti do fim ao começo

E irei do começo ao fim

Cabeça erguida

Eu sou assim

Uma ovelha desgarrada

Uma alma do avesso.

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Sincronicidade

Eu estive nas entranhas do seu corpo

Quis o destino que nossos sonhos

De carne e osso

Se materializassem

E criassem esse grande colosso

 

Do que falo?

Repare no seu corpo enquanto falo

Repare no meu corpo enquanto falo

Não é controlável

Não é domável

É selvageria de dar gosto

 

Como é quando se lembra de mim

E não estou por perto?

Eu sei… Parece loucura

Mas essa sincronicidade

Sem limites

É brutalmente real

Como dentro, assim fora

Assim aflora

Ora lógica difusa

Ora lógica nítida

Ora réu que a todos acusa

 

No lugar de nossos arquétipos

Desejos e sonhos reais

Manifestação de seres racionais

Que descobriram que o descoberto

Não era suficiente, pelo contrário

Os deixava inquietos, boquiabertos

Deliciosamente incertos

Na busca do que transcende ao eu

E os sublima em nós

Quando estamos a sós

Diante de nós mesmos

 

Quem é o comandante desta nau?

Entenda… Não há comando

Esse é o desafio

Estamos à mercê do vento

Eufemismo dos nossos pensamentos

Que se revelam em segredo

Quer seja no início do dia

Quer seja no meio da noite

Sabemos como desenrola-se tal enredo

 

Inapropriadamente perfeitos

Inadvertidamente direitos

Pura e perfeita confissão

Somos tempestade, raio e trovão

Desejo, amor e paixão

Existimos somente na nossa sanidade

Que faz questão absoluta de emergir

Para nos mostrar que nunca

Absolutamente nunca

É tarde para existir.

sincronicidade

Parati

Para ti, deixo os sonhos não realizados

O amor não vivido

O medo que te cala

A culpa que te amordaça

 

E deixo porque nada disso

Jamais foi meu

Tu que és minha

E eu que sou teu.

culpa

Em busca do EU perdido

Seu cônjuge gosta de falar palavrão?
Fale também! Por que não?

Seu cônjuge acorda cedo?
Acorde cedo também! Por que não?

Seu cônjuge não come carne?
Não coma carne também! Por que não?

Seu cônjuge não bebe?
Não beba também! Por que não?

Seu cônjuge não tem religião?
Esqueça da sua também! Por que não?

Seu cônjuge não quer ter filhos?
Não os queira também! Por que não?

Seu cônjuge ama o PT?
Ame-o também! Por que não?

Quando A e B se conheceram, A comia carne e B não. Para se aproximar de B, A resolveu parar de comer carne também. Não parou por convicção, por conta de querer proteger os animais ou por achar que faria bem para a saúde. Parou simplesmente para agradar B.

Eu poderia listar um número quase infinito de concessões, em pequeno ou maior grau, que muitos cônjuges fazem para agradar o outro, mas creio que essa lista já é suficiente para ilustrar o meu ponto.

individuo

Quando A e B se apaixonaram, A e B eram pessoas diferentes. Eram INDIVÍDUOS, e por detrás de indivíduos está o conceito de INDIVIDUALIDADE, que não pode ser perdido no casamento ou em uma união estável de qualquer natureza. Por que? Porque no longo prazo não funciona! Simples assim.

Notem que não estou falando de escolhas conscientes e acordadas entre os dois: não vamos viajar esse ano, porque nosso objetivo é ter uma casa própria. Por detrás de uma escolha consciente, o conceio de indivíduo e individualidade permanecem intactos.

Os exemplos que citei, que em um primeiro momento parecem inofensivos, ao longo do tempo fazem com que o indivíduo perca a sua individualidade, e se torne igual ou muito similar ao outro. Muito bom, não é mesmo? NÃO! Isso é absolutamente terrível! Por que? Porque A e B se apaixonaram como indivíduos, e quando essa individualidade se acaba, pode ser que a própria relação se acabe. O motivo é simples: no intuito de agradar ao outro, o que primeiramente uniu o casal simplesmente deixou de existir. A individualidade é um dos princípios de qualquer relação.

Há  três possíveis fins para relacionamentos desse tipo:

1) A e B, quer seja por questões morais que lhes foram passadas ou por qualquer outro motivo, vivem uma vida bem abaixo de sua plenitude. Se confrontados, dirão que fazem isso por suas famílias. Perderam por completo a noção do EU. No fundo, se sentem frustrados de maneira que não conseguem explicar. Culpam o destino, karma, conjunturas políticas e econômicas, etc. Se esqueceram tanto do EU que são incapazes de olhar para dentro!

2) Seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. E para surpresa de A, B um dia chega para A e diz: “Acabou! Não reconheço mais você! Você não é a pessoa pela qual me apaixonei!” Vira as costas e vai embora. E A, depois de 10 anos ou mais de concessões, sente-se completamente perdido, sem saber o que fazer da vida, e culpando-se por não ter feito mais para que B não fosse embora. Percebem o caso clássico do feitiço virando contra o feiticeiro? Deixando de lado o julgamento do mérito da ruptura, fato é que A vai precisar reencontrar o próprio EU, e enquanto este não for encontrado, viverá relações destrutivas de todos os tipos.

3) Tamém seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. Entretanto, diferentemente do que foi citado acima, A começa a perceber que deixou de ser EU e angustia-se. Começa a perceber que anulou-se durante anos por conta de um alguém que muitas vezes sequer reconheceu seu valor. Sobe-lhe um sopro de vida que assusta e que é ao mesmo tempo irresistível. E então, A resolve recuperar o tempo perdido, e muitas vezes vê em B o seu algoz, muito embora a responsabilidade sobre sua felicidade seja inteiramente sua. “B, estou indo embora. Eu me anulei por sua conta. Preciso viver!” E B, possivelmente, não vai entender do que se trata. “Como assim? A tem vontades? Devem ser os amigos ou a terapeuta que estão gerando influências negativas! Talvez seja maluca!” Tanto faz… Como o mundo girava no entorno de B, B é incapaz de perceber o que aconteceu com A. B é incapaz de perceber que A também precisava de seu EU.

Notem que essas relações são destrutivas. Quem conscientemente faria escolhas desse tipo? Entretanto, escolhas desse tipo são feitas TODOS OS DIAS, e muitas vezes percebidas apenas depois de longos e penosos anos.

Convido a todos que reflitam sobre suas vidas e sobre suas relações. Somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade, e com certeza há no mundo pessoas que nos aceitam com todas as nossas qualidades e defeitos. Há pessoas que amam o EU do outro e que desejarão viver eternamente ao lado dele.

Sejamos felizes e plenos!