Não mais és

És o sonho que mais foi sonhado,
És o desejo que mais foi desejado,
És a loucura, a sanidade, a realidade, o devaneio,
És tudo que eu nao sabia que me faltava ou sobrava,
És tudo que eu sequer sabia que existia,
És o fim, o princípio e o meio.

Mas hoje,
Quando toca-me a pele o sol, a chuva, a brisa e o vento,
Quando chega as minhas narinas o aroma inebriante de um café,
Quando degusto o vinho maturado na mais incandescente saudade,
Quando ouço a música que me faz arrepiar a pele da alma,
Quando vejo-te mais perto, de perto, por perto…

Não posso mais dizer que és
E disso não me lamento:

Ouço o universo dizer que somos.

Alma limpa

Havia algo de despretencioso
No silêncio dos meus lábios
Nas batidas compassadas
No meu coração

Havia algo de belo
Na ausência das rimas
Na calmaria dos gestos
Nos meus pés no chão

Havia algo de precioso
Nas páginas dos livros
Nos filmes introspectivos
Na profunda reflexão

Havia algo de singelo
Nas brisa suave
Nos sonhos risonhos
No incondicional perdão

Havia algo
De novo
De novo
Eu havia.