Recomeço

Passei um tempo
Olhando para baixo
Cabeça arriada
Olhos amoados
Sorriso dormente
Peito apertado
Pés no chão

Passei um tempo assim
Tomando coragem
Fazendo cara de paisagem
Com receio de encarar a verdade

Foi um tempo que me dei
Tempo que eu precisava
Para me dar conta
Que o horizonte
Que eu conhecia
Era por mim desconhecido

Eu era uma piada pronta
E de mim só Deus não ria

Salvou-me a fé
E a vida continua
Meus olhos fixos no horizonte
Que ainda hoje desconheço
Mas reconhecer a minha ignorância
Já me parece um grande recomeço.

Hein?

Acho que há algo que precisa ser esclarecido em relação ao meu blog. Se tornou algo necessário.

Meu blog não é uma espécie de diário. Não começou assim, em determinado momento passou a ser assim, deixou de ser, voltou a ser, deixou de ser novamente, mas sobretudo não é um diário. Se fosse, não estaria publicado na Internet. Seria só meu e estaria criptografado. Ou, na melhor das hipóteses, seria enviado apenas para quem de direito. 🙂

Uso como exemplo uma poesia chamada “Aprendiz“. Foi escrita entre 1997 e 1998. “Noite Cinzenta” foi escrita quando eu tinha 14 anos (estamos falando de 1985)! Há outras que eu já publiquei, removi, e depois publiquei novamente. Há ainda algumas que escrevi, há tempos e recentemente, e nunca publiquei. Talvez publique. Talvez nunca publique. Há outras que acho em pedaços de papel e guardanapos. Há outras ainda que são enviadas para mim por amigos, ou seja, poesias que eu nem lembrava que existiam! E isso se agravou ainda mais agora que eu comecei a postar textos em ordem completamente aleatória no Instagram. Simplesmente escolho os que eu mais gosto e publico. Tanto faz quando foram escritos. Pelo menos para mim, isso não faz a menor diferença.

Quem quiser saber quem eu sou ou o que estou vivendo, é só perguntar. Sair do meu blog achando que sabe da minha vida ou mesmo quem eu sou no dia de hoje é um equívoco. Ler-me dessa maneira é um equívoco. Eu escrevo muito, sempre, e os motivos são diversos. Meus textos valem pelo que eles são e não pela data em que foram escritos.

Está na dúvida? contato@agorababou.com. Melhor do que isso: se tiver meu telefone, me ligue! Mais fácil. 🙂

Fly, you butterfly!

Fly

You, butterfly!

Get as high as you can

You, fantastic butterfly!

Just fly…

I am bewittled

You are such

A butterfly!

Never wonder

Nor wander

Why

Just fly

You, incredible

You, high

You, invincible

Incredible

Beloved

Butterfly!

Canelas secas

Confiei em ti
Ao ponto de
Confiar a ti
Meus segredos

Tornei-me
Propositadamente
Conscientemente
Vulnerável
E tu não sabes
Lidar com isso

Eu entendo…
Não caibo –
E no fundo
Tu sabes –
No que é raso
E minhas canelas
Mal se molharam:
Permanecem secas.

Eu vou respeitar o meu coração

Eu vou respeitar o meu coração
Em qualquer situação
Em todo momento
Durante todo o tempo
Até a última hora

Nem sempre o entendo
Mas sempre o respeito
Para ele não ir embora

Guardo dentro dele coisas gigantes
Tesouros incalculáveis:
Sonhos
Pessoas
Futuro
Presente
Passado

Um pouco de tudo
Até mesmo do nada
Mas nenhum centavo
Nada do que me pode
Ser tirado

E há momentos
Em que ele não cabe dentro de mim
E foge pelas minhas mãos
Feito pichador
Que nas paredes do meu mundo
Liberta-me pintando poesias

Talvez as coisas andem
Um pouco desarrumadas
Mas nele está
Tudo que deveria estar

E quando ele se agita –
E sempre se agita –
Desarruma-me
Mas é justamente desarrumado
Completamente desarrumado
Que me sinto mais vivo
Mais no rumo
Seja lá qual rumo for

Eu já quis ter o poder
De decidir o que nele ficaria
Ou o que nele eu colocaria
Quanta hipocrisia!

Mas não…
É melhor não…
Ele tem vida própria
E eu só tenho o que chamam de razão.

Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea

Pois é… Uma poesia minha minha foi selecionada. Sim… É uma editora do além mar, da terra de Fernando Pessoa, o que me deixa mais honrado ainda. O nome completo da obra é Volume V da Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea: “Além da Terra Além do Céu”. O que eu posso fazer além de agradecer a Deus, a minha família, a vocês, ao Universo?

A poesia selecionada? Vocês vão descobrir em Março, quando o livro for publicado. Não é uma poesia inédita, só para deixar claro.

E hoje, obviamente, vai ter festa! Claro que vai. Não vai ter aglomeração, claro, mas vai ter festa… Óbvio que vai. 🙂

Meus agradecimentos mais do que especiais para a Francielle Santos, autora do blog “Reescrevo me“, que veio me cutucar e me dar uma série de ideias. Sem ela, nada disso estaria acontecendo. Fran, um beijo gigante para você! Já te agradeci “ao vivo”, mas faço questão de deixar aqui o registro. Há muitas coisas boas acontecendo na minha vida ao mesmo tempo, e você é uma delas. OBRIGADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Tem que manter isso, viu?

Poesia em homenagem ao Presidento Temer. 🙂

Tem que manter isso, viu?

Senti um incômodo no peito
Um escândalo na alma
Fiquei inquieto
Elétrico

Não te liguei
Não te avisei
Me joguei
Fui

Beijei tua boca
Te segurei pelos cabelos
Te joguei no sofá
Nua

E quando tudo acabou
Nos abraçamos
E eu adormeci
Exaurido

No dia seguinte
A TV me acordou
E vi o Temer

Tudo que pude fazer
Foi olhar para você e dizer:
“Tem que manter isso, viu?”