Vim trazer verdades 47

Se eu pudesse dar um conselho para alguém, seja essa pessoa quem for, o conselho sempre seria o mesmo: conheça-se profundamente e ao extremo, em todos os detalhes.

Conheça as suas qualidades e os seus defeitos. Conheça como você opera, como você pensa, como você age. Saiba o que você faria e o que não faria. Saiba quais são os seus valores, quais são as suas crenças. Saiba o que você aceita e o que você não aceita. E, acima de tudo, saiba o que você é e também o que você não é.

Porque a vida vai te dar muita porrada. Vão jogar lixo na sua cara. Vão fazer acusações relacionadas à coisas que você sabe que jamais faria. Vão dizer coisas sobre a sua pessoa que você simplesmente sabe que não é. E isso vai acontecer no trabalho, em rodas de amigos, em relacionamentos românticos, na igreja, e em qualquer outro ambiente ou lugar.

Antes de perder seu tempo se justificando ou se explicando, consulte quem você é. A acusação merece defesa ou quem o acusa já o condenou? A ofensa merece o seu desequilíbrio emocional? É bem provável que não e isso por si só já é uma resposta. Aliás, o silêncio costumar ser a melhor das respostas.

Da próxima vez que tentarem de tirar do sério por qualquer motivo que seja, aprume-se. Quem se conhece não concede ao outro o direito de definir ou mesmo insinuar algo que seja diferente da sua essência. Quem se conhece não se abala com o julgamento dos outros.

Conheça-se. Esse é o único caminho.

Se algum dia eu deixar de te amar

Se algum dia eu deixar de te amar,
Meu grande amor,
Saibas que serás a primeira a saber.

Dói-me pensar nisso,
Mas é porque contigo penso em tudo,
Por mim e por ti.

Se todo este amor que sinto,
Se toda esta paixão que me aquece,
Um dia for embora, acredite:
Eu serei o primeiro a por isso sofrer.

Porque não está e nem nunca esteve
Nos meus planos mais sinceros
Deixar de te amar, de te ter,
Ainda que isto possa acontecer.

E digo essas palavras
Sem antever nada disto!

Não se trata de um aviso ou algo parecido.

É apenas uma declaração de amor invertida,
Dorida…
Sofrida…

Porque no dia em que eu deixar de te amar,
Não serei mais digno de tua presença,
E serei forçado a me retirar da tua vida,
Mas não sem antes me despedir.

Não fugirei do meu dever de dizer
Que não mais te amo.

Não deixarei que saibas por terceiros
O que sinto ou deixei de sentir.

Porque hoje és a minha vida,
E ainda que um dia deixes de sê-la,
Também eu deixarei de ser
A minha parte que só em ti e por ti existe.

Se algum dia eu deixar de te amar,
É porque parte de mim mataram
Ou parte de mim morreu.

Sou do bar

Quando te perguntarem de onde eu sou,
Diga que sou do bar.

Foi lá que nos reencontramos
Depois de nos conhecermos
Em outro bar,
Em algum outro,
Mas é como se fosse lá.

Porque lá é minha casa,
Lá é meu lar,
E você é mais do que bem-vinda
E isso eu nem preciso falar.

E não é por ser especial:
Lá todo mundo é igual,
Todo mundo real,
Todo mundo tem nome,
Tem sobrenome,
Tem histórias para contar –
Derrotas e vitórias –
E está lá a criar histórias,
Histórias nem sempre de lá,
Mas que por lá passam,
Que muitas vezes lá nascem
E muitas vez por lá morrem.

E lá se chora,
Se ri,
Se fica,
Se vai embora,
Se ama,
Se termina,
Se namora,
Se troca o telefone,
Se telefona,
Se desabafa,
Se bate foto,
Se entrega,
Se esquece,
Se perde,
Se escreve,
Se bloqueia,
Se declara,
Se casa,
Se separa,
Se afoga.

Um dia,
Ainda irei de fraque até lá
E ninguém vai reparar,
Porque lá cada um vale
As suas conversas,
Os seus silêncios,
As suas lágrimas –
Com ou sem maquiagens borradas –
As suas gargalhadas,
As suas memórias –
De novo, histórias –
E nada mais.

Quando te perguntarem de onde eu sou,
Diga que sou do bar
E que tenho muito orgulho de ser de lá.

P.S.: Essa poesia foi escrita in loco.

Eu, peregrino

Só temos o agora,
Deixa a ansiedade lá fora,
Deixa vir o destino.

Quiçá ele é nosso?
E é justamente por isso
Que eu não procrastino.

Ainda que só por hoje,
Teu ventre é o cálice
Para onde eu peregrino.

Na pior das hipóteses,
Memórias, histórias,
Desvairado desatino.

Conjugados

Há um poema
Entre tuas pernas
Que foi escrito
Com minha língua

Há um poema
Em tua face
Que foi escrito
Com tua caligrafia

Há partes que não cabem
Há partes que não entram
Cheiros e gostos rimados
Por fora e por dentro

Nestes saraus devassos
Nossa história escrevemos
Lirismo que não se cala
Que ou grita ou está gemendo.

Sexta-feira 13

Nada de azar

Nada de sorte

Só o que eu preciso

Para construir a minha história

E renascer de mim

Por mim

Por fim.

Vim trazer verdades 32

Troquei o “pelo amor de Deus” por “graças a Deus” e muita coisa mudou em minha vida.

Se é Deus quem está no controle, que assim seja. Ele sempre sabe o que é melhor para mim.

Questão de sobrevivência

Nossas taças de vinho
No frio do inverno,
Nossos corpos nus queimando
Feito mil sóis no verão.

O beijo na boca,
A prisão entre as coxas,
O ritmado ir e vir,
O descompassar do coração.

Lençóis ensopados,
Desejos e impropérios,
Lascívia escancarada,
Peças de roupa pelo chão.

A tontura repetida do gozo,
A entrega sem mistérios,
A respiração ofegante,
Nossos fluidos em ebulição.

Se foi esse o dia mais frio do inverno,
Me diga,
Como sobreviveremos ao verão?