Conjugados

Há um poema
Entre tuas pernas
Que foi escrito
Com minha língua

Há um poema
Em tua face
Que foi escrito
Com tua caligrafia

Há partes que não cabem
Há partes que não entram
Cheiros e gostos rimados
Por fora e por dentro

Nestes saraus devassos
Nossa história escrevemos
Lirismo que não se cala
Que ou grita ou está gemendo.

Sexta-feira 13

Nada de azar

Nada de sorte

Só o que eu preciso

Para construir a minha história

E renascer de mim

Por mim

Por fim.

Vim trazer verdades 32

Troquei o “pelo amor de Deus” por “graças a Deus” e muita coisa mudou em minha vida.

Se é Deus quem está no controle, que assim seja. Ele sempre sabe o que é melhor para mim.

Questão de sobrevivência

Nossas taças de vinho
No frio do inverno,
Nossos corpos nus queimando
Feito mil sóis no verão.

O beijo na boca,
A prisão entre as coxas,
O ritmado ir e vir,
O descompassar do coração.

Lençóis ensopados,
Desejos e impropérios,
Lascívia escancarada,
Peças de roupa pelo chão.

A tontura repetida do gozo,
A entrega sem mistérios,
A respiração ofegante,
Nossos fluidos em ebulição.

Se foi esse o dia mais frio do inverno,
Me diga,
Como sobreviveremos ao verão?

Recomeço

Passei um tempo
Olhando para baixo
Cabeça arriada
Olhos amoados
Sorriso dormente
Peito apertado
Pés no chão

Passei um tempo assim
Tomando coragem
Fazendo cara de paisagem
Com receio de encarar a verdade

Foi um tempo que me dei
Tempo que eu precisava
Para me dar conta
Que o horizonte
Que eu conhecia
Era por mim desconhecido

Eu era uma piada pronta
E de mim só Deus não ria

Salvou-me a fé
E a vida continua
Meus olhos fixos no horizonte
Que ainda hoje desconheço
Mas reconhecer a minha ignorância
Já me parece um grande recomeço.

Hein?

Acho que há algo que precisa ser esclarecido em relação ao meu blog. Se tornou algo necessário.

Meu blog não é uma espécie de diário. Não começou assim, em determinado momento passou a ser assim, deixou de ser, voltou a ser, deixou de ser novamente, mas sobretudo não é um diário. Se fosse, não estaria publicado na Internet. Seria só meu e estaria criptografado. Ou, na melhor das hipóteses, seria enviado apenas para quem de direito. 🙂

Uso como exemplo uma poesia chamada “Aprendiz“. Foi escrita entre 1997 e 1998. “Noite Cinzenta” foi escrita quando eu tinha 14 anos (estamos falando de 1985)! Há outras que eu já publiquei, removi, e depois publiquei novamente. Há ainda algumas que escrevi, há tempos e recentemente, e nunca publiquei. Talvez publique. Talvez nunca publique. Há outras que acho em pedaços de papel e guardanapos. Há outras ainda que são enviadas para mim por amigos, ou seja, poesias que eu nem lembrava que existiam! E isso se agravou ainda mais agora que eu comecei a postar textos em ordem completamente aleatória no Instagram. Simplesmente escolho os que eu mais gosto e publico. Tanto faz quando foram escritos. Pelo menos para mim, isso não faz a menor diferença.

Quem quiser saber quem eu sou ou o que estou vivendo, é só perguntar. Sair do meu blog achando que sabe da minha vida ou mesmo quem eu sou no dia de hoje é um equívoco. Ler-me dessa maneira é um equívoco. Eu escrevo muito, sempre, e os motivos são diversos. Meus textos valem pelo que eles são e não pela data em que foram escritos.

Está na dúvida? contato@agorababou.com. Melhor do que isso: se tiver meu telefone, me ligue! Mais fácil. 🙂