23h30

Dia cheio de trabalho (obrigado, meu bom Deus) e de sorrisos no rosto de minha filha. Foi dia de noitada masculina: pais separados levando suas filhas em um rodízio de pizza.

Não comi muito. Não gosto de pizza de rodízio. O queijo é vagabundo e a massa é a que puder encher o seu bucho o mais rapidamente possível. Querem que você vá embora correndo, claro. Havia fila de espera e tudo mais para entrar no restaurante.

E lembrei que, na vida, aprendi a ser exigente. Não era. Aprendi a ser. Prefiro uma única fatia de uma pizza de qualidade do que uma pizza inteira no nível da que eu comi hoje a noite.

A vida é assim: nem sempre se pode escolher o que se vai comer, mas comer é uma necessidade. Uma boa comida é sempre uma boa comida, e não serão dez comidas de merda que mudarão isso. Dez comidas de merda não são equivalentes a uma boa comida. E fato é que quando a comida é boa, sempre se quer voltar para comer mais.

Boa noite.

04h57

Os primeiros raios de sol já entram pelo meu quarto. Não pedem licença. Não dão explicações. O fato de serem raios de sol já os credencia.

É feriado, mas é dia de trabalho para mim. Gosto do que faço. Faço porque gosto. E assim, os dias de trabalho passam leves, suaves… São dias intensos e felizes. Tensos em alguns instantes, mas qual graça haveria se assim não fossem?

Enquanto escrevo e saboreio um delicioso café com leite, a vida me faz perguntas e me pede respostas. Silencio-me. Pergunto-me se estou fazendo as perguntas corretas. Tenho plena consciência de que perguntar não é o bastante. É preciso entender o motivo das perguntas. É preciso entender onde quero chegar.

Mergulho mais fundo dentro da minha alma. A minha vida não é só trabalho. Pelo contrário. Apesar de ser uma parte importante, em última análise não sou escravo do que me proponho a fazer. Há urgências em mim em vários níveis, mas… O telefone toca. Trabalho.

Eu tenho 2 celulares, WhatsApp, Telegram, Sametime, Jabber, Slack… Eu sou “achável” 24 horas por dia. Já se passaram 3 horas desde que eu acordei e ainda não me olhei no espelho. Será que consigo?

Estou descabelado. Trabalhar de casa tem dessas coisas. Mas sei lá… Parece que estou descabelado por dentro também e não há pente que resolva isso. Um banho me parece uma boa ideia.

As perguntas não param! Melhor eu voltar para o trabalho! E de repente, caiu uma ficha: me matar de trabalhar é uma excelente motivo para não perguntar se as perguntas que eu me faço são realmente relevantes. E não sabendo nem mesmo das perguntas, como pensar em respostas? O telefone toca novamente… É urgente. Sempre é urgente. E as minhas urgências, como ficam? Ligo o “piloto automático”… Como assim, se não sei nem para onde devo ir?

O dia está nublado. Minha mente também. Preciso caminhar na praia. No momento, isso é o mais urgente. “Modo Avião” ligado. Preciso de um momento de eu comigo.

Doe-se

E no dia de hoje

Queira ser o motivo

Do sorriso de alguém

 

Afinal de contas

O que pode ser mais valioso

Do que ofertar o que só você tem?

quando-somos-bons

In Vino Veritas – Pinot Grigio

Duas garrafas de vinho vazias. Feito lentes de um par de óculos, que revela toda e qualquer verdade. Oráculo do que já se é e ainda assim se almeja ser.

In Vino Veritas

E uma vez vista, a verdade não pode (e nem deve) ser desvista.