Flutuando por aí…

Você me deixou sem chão. Não entendi o que aconteceu. Acho que ainda não entendo. Desisti de entender.

Fiquei esperando uma explicação que nunca veio. No fundo, bem no fundo mesmo, eu tinha a esperança de que algo mudasse, de que algo acontecesse. Nada mudou. Nada aconteceu. A esperança morreu, caducou.

Você me deixou sem chão e durante muitos dias eu tive a sensação de que estava caindo, caindo, e caindo… Até que me dei conta de que mesmo sem chão, mesmo caindo, ainda havia o céu, e em um sopro de lucidez, decidi que faria do céu o meu chão.

Para minha surpresa, parei de cair. Comecei a flutuar nas nuvens das possibilidades, do infinito. O sol lambeu meu rosto e secou minhas lágrimas. Abri o sorriso imenso que trago comigo desde menino. Senti o vento tocando os meus cabelos (o mesmo vento que toca os seus cabelos), e disse um último adeus para a vida e para a realidade que não são mais minhas.

Você me deixou sem chão e com isso eu aprendi a olhar para o céu e a sentir o céu em minha vida. Experimente! É uma sensação incrível!

Obrigado por tudo. Pelo bom e pelo ruim. Vou cuidar da minha vida e flutuar por aí. Adeus.

Desterrados

Será que eu não entendi direito
As faíscas em nossos olhos
As mãos dadas
Os nossos suspiros
As nossas conversas e delírios
Os nossos beijos e abraços
O nosso gozo vitorioso
As batidas de um só coração –
Apenas um só coração –
Que pulsava por nós dois?

Será que eu não entendi direito
Tudo que não precisava de explicação?

Era amor ou não?

Se não era amor
O que era?

Era, era amor!

Era amor
E sinto a dor
Da morte
Do que era

Era amor
E hoje é flor
No jazigo
Que nos desterra.

Quiz? Eu quis…

De ontem para hoje, recebi um e-mail interessante com uma história e alguns questionamentos. A pessoa optou pelo anonimato, e é prática comum minha respeitar isso. Vamos às perguntas. Só para deixar claro, elas não vieram tão objetivas assim. Estavam no meio do texto. Eu estou formatando-as dessa maneira apenas para facilitar a compreensão.

1) Você fala de coisas que já viveu no seu blog. Não sente vergonha em se expor?

Eu já tive muita vergonha. Não de expor a minha vida no meu blog, mas de determinadas situações que vivi. Isso me angustiava. Eu me achava a “vítima das vítimas”, porque parecia que ninguém jamais tinha vivido coisas parecidas. Em geral, as redes sociais são usadas para postar somente os sucessos das pessoas, mas eu não escrevo por isso. Eu uso o meu blog para escrever poesias, mas também como uma maneira de protestar, de desabafar, de mostrar a minha indignação de determinadas situações. E confesso que sentia muita falta de material parecido com o que eu escrevia. Parecia que a vida de todo mundo era perfeita, menos a minha.

Até que recebi a mensagem de um homem desesperado, passando por uma situação similar a algo que eu já tinha vivido. Ele me pedia ajuda. Como assim? Eu não fazia ideia do que fazer! Começamos a nos falar pelo WhatsApp e me vi nele da mesma forma que ele se viu em mim. Talvez eu estivesse alguns passos a frente e isso estivesse se refletindo na minha escrita. Sei lá! Conversamos bastante, falamos sobre a possibilidade dele fazer terapia (eu já fazia), e ele me disse algo que me marcou muito: “saber que eu não sou o único no mundo a passar por isso me dá esperança.”

Fiquei remoendo as suas palavras. Senti uma espécie de gratidão enorme por ter podido ajudar de alguma forma uma pessoa em sofrimento. E depois desse homem, recebi mensagens de outras pessoas em situações parecidas, querendo desabafar, completamente desesperadas, perdidas. Acabei vendo o nome do meu blog sendo recomendado entre algumas pessoas não mais por conta das poesias, mas por conta de meus relatos. Foi gratificante. É gratificante. É uma sensação boa!

E foi aí que eu percebi que o meu próprio sofrimento, qualquer que tenha sido ele, teve um propósito. Como não tenho formação alguma em Psicologia ou Psiquiatria, o máximo que eu posso fazer é de fato ouvir e aconselhar, e isso é algo que levo muito a sério. Saber que muito do que passei não foi em vão é reconfortante. Difícil de explicar. Só sei que me faz bem.

Então, para ser mais objetivo, não tenho vergonha alguma em me expor. Pelo contrário. Muitas vezes sinto como se respondendo a uma espécie de chamado de Deus, deixando sempre claro que o mensageiro não é importante. Apenas a mensagem.

P.S.: Já removi algumas coisas que publiquei e acabei pondo tudo de volta no blog. Nas palavras de uma pessoa muito importante na minha vida (e ela foi meio profética nesse sentido), deixar que saibam mais de mim só me traz coisas boas.

2) Certas coisas que você escreve parecem recalque. Você é uma pessoa recalcada?

Não diria recalcada, mas já senti muita raiva e muita indignação. É para isso que a terapia é importante. É preciso entender que temos sim responsabilidades sobre as coisas que acontecem conosco. Temos que tomar as rédeas de nossas vidas. Acertamos muitas vezes e erramos outras tantas. Temos defeitos e qualidades. O problema é quando a confusão mental e a mistura de sentimentos não nos deixam ver as coisas como de fato são. “Ok, eu errei aqui, mas aqui eu acertei. Isso aqui é meu e isso aqui é do outro.” E aos poucos vamos nos livrando das culpas que carregamos desnecessariamente. Não temos como controlar tudo ou fazer a parte que cabe ao outro. Descobrir e viver isso é libertador.

3) Você ainda acredita no amor?

Acredito e sempre acreditarei. Os maus momentos nos preparam para viver os bons e a valorizá-los ainda mais.

Essa pergunta foi feita por uma pessoa extremamente magoada, assim como eu também já me senti. Nesses momentos, eu tinha a nítida sensação de que aquela era a minha única e última chance, que era o amor da minha vida, que eu nunca mais amaria novamente, [insira aqui a sua frase depressiva com relação ao amor], etc. Mas a vida é isso. É cair e levantar. É entender que há males que vem para o bem. E para quem acredita em Deus (meu caso), principalmente entender que agradecer apenas pelo que Deus nos dá (e não também pelo que Ele nos tira) não faz muito sentido. Na pior das hipóteses, como outras tantas pessoas já disseram antes de mim, fica a lição. E é para isso que estamos aqui: para aprender e passar adiante o que aprendemos, sempre lembrando que é preciso tocar a vida do outro com muita delicadeza e respeito. A empatia não é uma abstração, mas algo a ser sentido e vivido. É o que nos faz ser seres humanos.

Um beijo para quem chegou até o fim desse texto! Vamos em frente! 🙂

Qualquer coisa, é só enviar um e-mail para contato@agorababou.com. Conforme eu já disse, o anonimato é garantido.

EM CASO DE EMERGÊNCIA, procure a ajuda de instituições e profissionais especializados. E já que estamos no Setembro Amarelo, não custa lembrar do Centro de Valorização da Vida (188).

Em Deus eu confio

Dei-me conta de que quando eu rezava pedindo para que fosse feito o melhor por nós (por ela e por mim), estava pedindo para Deus afasta-la de minha vida. Não havia o tal nós e era justamente isso que eu não entendia, que eu não sabia, que eu desconhecia. Eu era só um ator coadjuvante em um filme de quinta categoria, induzido ao erro 24 horas por dia. Manipulado por completo por uma pessoa que sempre me dizia: “Confia em mim. Me espera. Nós vamos ficar juntos”. E ela falava essas coisas olhando dentro dos meus olhos… Eu era muito, muito trouxa mesmo!

Não nasci para isso. Nasci para ser protagonista da minha própria vida. E por mais que doa perceber que nunca (repito: nunca!) fui nada, absolutamente nada além de uma peça em um jogo perverso sem possíveis vencedores, foi nessa descoberta que encontrei toda a força necessária para seguir adiante.

A verdade liberta. Hoje, eu sou livre. Dou graças a Deus por isso. E sigo em frente de cabeça erguida, com a consciência tranquila, e agradecido pela chance de poder recomeçar mais uma vez.

Em Deus eu confio. Sempre.

Porto seguro

Por que voas, borboleta,
Se ao final
Sei que repousarás
Em meu peito?

É porque meu voo, meu amado,
Aquece a tua alma
E este fogo
Incendeia o nosso leito.

Voa, borboleta…
Voa…
E ao final
Repousa em meu peito.

Aquieta-te, meu amado!
Não há pouso
Ou lugar seguro
Que não seja o nosso leito.

Vim trazer verdades 35

Há uma mensagem poderosa por detrás da forma como as pessoas lhe tratam. Quem ama ou nutre algum tipo de sentimento positivo por você lhe respeita, não mente, não é inconsequente em seus atos e não lhe machuca intencionalmente. Toda pessoa que se coloca em uma situação em que possa lhe perder não merece a sua confiança, a sua presença e muito menos a sua atenção. Quando perceber esse tipo de padrão de comportamento em alguém, aceite como uma libertação de Deus e afaste-se.

Que beijo!

Não me esqueci do nosso último beijo.
Não me esqueci dos nossos beijos.
Não me esqueci de você.

Procuro-o e não o acho
Em outras bocas que sentem
Que não sei o que estou fazendo ali.

Não era a mecânica:
Era a foda no beijo
Ou o beijo que virava foda
Não sei…
Acho que ninguém sabe.

Só sei que toda vez que penso em beijo –
Nos meus sonhos eu ainda te beijo –
Na minha boca só cabe você.

Porquês e poréns

Nada de azar
Nade de sorte

Colheita

Para uns
Beijos da vida
Para outros
Abraços da morte

A semeadura
Nunca abandona
Ou se esquece
De ninguém

E no tempo certo
Todo jardineiro
Que teve tempo
Mais do que suficiente
Para debulhar
Suas sementes
Receberá a sua paga
E vai chama-la de destino
Sem entender seus porquês
E menos ainda os seus poréns.

Entre elas

As pernas dela
Sempre cruzadas
Pura classe
Doce elegância
Que não respeito
Em pensamentos
Em momentos

Vejo me ali
Nas pernas
Entre elas
Percebido
Acolhido
Recebido
Molhado
Vivo

As palavras
Soam como fogo
As reticências
Me torturam
Já não sei
E por isso aceito
A falta do leito
Dos doces peitos
Das pernas
Dela
Só ela

Quem me dera
Fossem só as pernas
Quem me dera
Escutar entre elas
O que há de ser de nós
E ouvir a resposta
A mesa posta
O afinal

Lambuze-me.

Não há nada

No dia em que eu precisar
Dizer que te amo
Para amar-te
É porque não há mais nada

Meus atos, meus gestos
Minhas declarações e manifestos
Meus poemas e minhas falas
Meus fatos e tudo mais:
Tudo nada!

E assim
Dizer que te amo
Não servirá de nada
Posto que se tudo é nada
Não há mais nada
Para se dizer.