Deixa eu te contar…

Deixa eu te contar…

Fui embora querendo ficar

Queria voltar

Sei lá!

Cismei com essa coisa de te amar

 

Não largo mais o celular

Que grita

Apita

Crepita

Explicita

Esse vício que virou te amar

 

Mas não é só no celular…

É no corpo

No coração apertado

Nos olhos vidrados

No discurso emocionado

No tesão reprimido

Boca, pescoço

Nuca e ouvidos

Não se trata de castigo

É só essa mania de te amar

 

Amo

 

Já aceitei essa parte

 

Amo

 

Já aceitei essa parte!

 

Sendo coisa, vício ou mania

Se reafirma como poesia

Inspira

Desvela fantasias

No teu amor encontrei alforria

Mas no fundo ainda sou escravo

E ainda assim descarto qualquer agravo

Posto que não quero mais minha alma vazia.

bom-dia

Sem medo

E a gente vai…

Sóbrio ou ébrio

De pé ou de joelhos

Sorrindo ou chorando

Mas a gente vai…

 

Ir é necessário

 

Ainda que não seja por opção

Ir faz-se necessário

Em um universo de infinitas possibilidades

É um sinal de gratidão

Pelo que já foi

Pelo que é

Pelo que ainda está por vir.

epicuro-01

Só um café?

Há dias em que adio

E tenho medo…

E ainda assim

Mais do que desejo

Sabes que tenho fé

 

E se não for só um café?

E se forem ruídos

E gemidos

Corpos ardentes

Despidos

Chama que me chama

Almas que se encontram

Que fazem sentido?

 

Insisto!

 

E se não for só um café?

E se for tiramisu

Lambido sobre seu corpo nu?

Diante de seus olhos e cabelos

Os motivos de todos

Os meus infinitos desesperos

E se também for doce

O que transborda do seu corpo

E me lambuza como se fosse –

Como de fato é –

O melhor que a vida já me trouxe?

 

Desisto!

 

Que não seja só um café!

Que seja como Deus quiser

Que no meio do espresso

Seja por nós dois expresso

O inconfesso

O incontroverso

Nosso direito de ter

E de ser

Nosso próprio

E incontido

Universo

 

Almas unidas por um café

Amor

Paixão

Ou simplesmente

Naturalmente

E absurdamente

Vulgar sexo.

0011793027

Eu vigorosamente te amo

Que teu pranto

Seja meu pranto

Tua aflição

Minha aflição

Tua angústia

Minha angústia

Teu medo

Meu medo

Tua culpa

Minha culpa

 

Minha fé

Tua fé

Minha certeza

Tua certeza

Meu sorriso

Teu sorriso

Minha vitória

Tua vitória

Minha vida

Tua vida

 

Nada além disso

 

Eu vigorosamente te amo.

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Anagnórise – Entreato

“Sem Parte” ou “O Todo”

 

Quando se tocam

Já não são mais um

Já não sabem quem são

São um único corpo

E um único coração

Que pulsa

Que contrai-se

Contorce-se

Ao som da TV

Que não se sabe

Porque está ligada

 

Não é fuga

Da realidade

É realidade

Nua e crua

É verdade

Ele e ela

Sombras nuas

E em cada toque

A sedução

Se seduz

Se entrega

E o puro prazer

Alcança:

Há esperança

 

Há ritmo

Há dança

Entre gemidos e sussuros

O travesseiro esconde

O rosto

Que desfigura-se

De prazer

E com a cama inundada

Vão de puta a fada

De cavalheiro a canalha

Tudo em busca

Do prazer

Da paixão

Do amor

Do ser

Da felicidade

Do viver

 

E oferecem-se

Querem mais!

Querem sentir nos ouvidos

As sacanagens que irão

Fazer

Ter

Ser

Beber

Sorver

Cada gota

Feito loucos

Extravagâncias que poucos

Conhecem ou irão

Conhecer

 

Tem cheiro do quê?

Vinho, queijo

Fluidos

Sexo

Sexo

Sexo

Tem nexo

É o mais puro reflexo

Do que são

Do que plantaram

Do que um dia

Colherão

 

E tudo isso se baseia

No respeito

No amor

Não faz sentido

Se assim não for

Não se consegue com outros

Só se forem os dois

Pelos dois

Feito em um

Juntos

 

E 110% unidos

Bombardeiam-se

Os sentidos

O gozo tonteia

Desnorteia

Pausa…

Deixam o fôlego renascer!

 

E depois disso

Nada foi ou jamais será

Como antes

Quem com o prazer

Consegue juntar o amor

Fica imortal

Não sente dor

Viciado

E como faz bem esse

Vício!

Não é sacrifício:

É amor!

Entendam…

Aceitem, por favor!

 

E mesmo sendo carnal

É espiritual

São almas que se acodem

E o eterno amor elas descobrem

Não se separam

Não há como

Nem mesmo durante o sono…

Que sono?

São a soma de tudo

Ao ponto de se tornar nulo

O direito de adormecer

 

Sim…

E ainda que o tempo se vá

O que foi para sempre será

Gravado por dentro

Não é tormento

É alento

Não é areia

Para ser levada pelo

Vento

É amor

É para agora

Para ontem

Hoje

Amanhã

Todo momento

 

Nos amamos

Confesso-te

Confessa-me

Do que somos

Nós dois precisamos

Esse fluido vital

Nos faz vivos

Precisamos e merecemos

Viver.

entreato

Navegação

 

Anagnórise – Redenção

Parte V

 

Razão e coração discutem

Soberbos de seus motivos

Dependendo do ângulo que se olha

Tudo parece relativo

 

Já não havia mais lágrimas

Para chorar

Discursos ou palavras

Para dizer

Restou a lógica ilógica

A razão irracional

Mas o sentimento…

Este permanece como tal

 

E no anseio por respostas

Afastam-se deliberadamente

Como se distância importasse

Para dois corações que se sentem

 

Não há mágoa ou raiva

Apenas uma grande frustração

Por saber que se pode muito mais

Por saber o quanto é ineficaz

Tentar controlar o incontrolável

Tentar viver a mentira

Tentar encontrar motivos

Que transformem amor em ira!

 

Faltou dizer ao tal casal

Que mesmo não sendo

Vive e sente como tal

Que o amor não é uma escolha

Que não morre se repreendido

Que não desaparece se econdido

Pelo contrário!

Ele contra-ataca

É guerreiro tenaz

Presente de Deus

Que a Deus satisfaz

É o amor que nos escolhe

Nada mais

 

E com a alma dorida

E nas mãos o coração

Navegam pela cidade

Em busca de solidão

 

Mas que inimigo é este

Que só bençãos trás?

Responda-me se for capaz

De raciocinar para mentir

 

Que inimigo é este

Que feito fogo nos consome?

Apogeu da mulher e do homem

Que se escolheram para sentir

 

E já conformados

Fracos

Desiludidos

Guiados por anjos

Transbordam grande grito!

E se livram de orgulhos

Barulhos

Entulhos

Ferrolhos

Alhos

Bugalhos

E aceitam-se, sim!

Não há como decretar o fim

Do que só tem começo

 

E sem saber o que dizer

Abraçam-se

Enlaçam-se

Amassam-se

E sentem a dimensão

Do que fugiram até então

E na profusão

De todo tipo de sentimento

Consentem-se

Permitem-se

Por Deus!

Magnânimo coração

Ponderada

Empoderada

Multisciente razão!

Entendam-se agora

Eis que chegou a hora!

Abrem-se as cortinas

Estão neles

As luzes da ribalta

 

E trocam lágrimas

Beijos

Confessam e realizam

Desejos

E humildente

Reconhecem:

Coração e razão

Não competem

Completam-se

A paz

A felicidade

Se faz sentir

Juntos

Aquecem-se

 

E emocionam

O tal anjo

Que sem querer

Por breve período

Os invejou

Este casal se merece

Dos filhos seus

Deus não se esquece

Missão cumprida

O amor promovido

Ao mais alto grau

Da escala Richter

Sem causar nenhum

Tipo de destruição

Só amor

Amor…

Amor…

Sem fim…

Enfim…

Foi encontrada a razão

Dentro do coração

Há de fato razão

Nas coisas do coração.

redenção

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